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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Virose de verão sobe a serra e chega à capital paulista

BRUNO RIBEIRO LAIS CATTASSINI Prontos-socorros de alguns dos principais hospitais de São Paulo registraram, nas primeiras semanas de janeiro, aumento de até 80% em seus atendimentos em razão de doenças intestinais. As ocorrências começaram na sequência dos surtos de virose que atingiram algumas cidades da Baixada Santista, como Guarujá e Praia Grande. Pelo menos quatro unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMA), uma Unidade Básica de Saúde, todas da rede pública, e cinco hospitais particulares da capital relatam aumento significativo de pacientes com diarreia e vômitos – cerca de um terço dos locais com os quais o Jornal da Tarde fez contato. Em uma dessas unidades, o Hospital Beneficência Portuguesa, o número de pessoas atendidas nas primeiras semanas de 2011 praticamente dobrou com relação ao mesmo período de 2010. Na maior parte desses atendimentos, os pacientes passaram as festas de final de ano e o último feriado em cidades litorâneas. “Depois do feriado prolongado, praticamente 100% de nossos atendimentos foram por causa de viroses”, afirma a pediatra do hospital, Wylma Mariko Hossaka. O clima quente favorece a proliferação de vírus e bactérias nas superfícies e exige também um maior cuidado no manuseio e conservação de alimentos (leia mais ao lado). “Isso costuma acontecer no verão e em épocas mais quentes. O clima é muito propício para o surgimento dessas doenças”, afirma o infectologista Gustavo Johanson, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O aumento das viroses nessa época do ano motivou a Prefeitura a criar uma seção especial no site da Secretaria Municipal de Saúde para alertar a população sobre os cuidados com a alimentação e a higiene. No site www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/vigilancia_em_saude/, a categoria “É Verão” traz dicas de como comprar peixes, como lavar frutas e legumes e como conservar os alimentos refrigerados. De transmissão oral, as doenças são adquiridas a partir de alimentos, objetos e, principalmente, água contaminada com resíduos de fezes, por exemplo. “Quando o tratamento da água não é adequado, a ingestão da bebida pode transportar um agente para o estômago. Esse agente também pode ser uma bactéria, que causará vômitos e diarreia”, afirma o infectologista do Hospital Igesp, Marcos Antônio Cyrillo. Segundo ele, os atendimentos no pronto-socorro do hospital por conta de doenças estomacais duplicou nas últimas semanas em relação aos meses anteriores. De acordo com a pediatra e infectologista do Hospital Santa Catarina, Claudia Maria Menezes, o rotavírus é o agente mais comum. “A gente nota uma incidência grande nas crianças que foram à praia ou que tiveram contato com quem viajou. Apesar de mais comum em crianças, entretanto, o vírus não é exclusivamente pediátrico”, explica a médica. Para evitar a contaminação é preciso ficar atento à limpeza das mãos dos alimentos. Vítima da virose, a administradora Rebeca Guedes, de 22 anos, teve problemas de saúde nos últimas dias. Ela não sabe se o que provocou a doença foi algo que comeu no litoral ou na Rua 25 de Março, no centro. “Voltei da praia no domingo e na segunda fui à 25. Na terça, já acordei com náuseas”, conta. Desde então, Rebeca tem sofrido com os sintomas da doença, que duram de três a sete dias – além de diarreia e vômito, pode haver febre. “Me disseram que não há nada que possa fazer e que uma hora o organismo mesmo resolve e os sintomas passam”, diz. “É uma doença que chamamos de benigna. A cura é espontânea”, afirma o médico Gustavo Johanson. Segundo ele, para evitar complicações é importante manter o paciente hidratado. http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/virose-de-verao-sobe-a-serra-e-chega-a-capital/

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