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domingo, 9 de novembro de 2014

Nano-medicamentos são novas ferramentas terapêuticas contra o câncer

Em virtude da melhora constante de técnicas nos últimos anos, os doentes de câncer podem se beneficiar de atos terapêuticos radiológicos
 
Paris- Nano-medicamentos, técnicas cirúrgicas cada vez mais afinadas graças ao laser e os ultrassons focalizados: o tratamento do câncer apela a novas técnicas cirúrgicas, segundo especialistas reunidos na Academia de Cirurgia de Paris. Durante muito tempo, os únicos tratamentos disponíveis para o câncer eram cirurgia, quimio e radioterapia.

Há vários anos, há inovações promissórias, incluindo os nano-medicamentos, cápsulas de tamanho minúsculo (com um bilionésimo de metro), isto é, 70 vezes menores que um glóbulo vermelho, e capazes de conduzir uma molécula ativa ao local preciso onde a mesma é necessária, evitando outras partes do corpo onde não é.

"Isto permite evitar efeitos colaterais frequentemente importantes, que se observam na quimioterapia clássica, mas também curto-circuitar fenômenos de resistência", explicou Patrick Couvreur, biofarmacêutico pioneiro destes minúsculos comprimidos.

Atualmente há uma dezena de nano-medicamentos disponíveis no mercado, a maioria usados em cancerologia: este é o caso do Doxil ou Caelyx (doxorrubicina) do Janssen Cilag, e do Abraxane (paclitaxel), do laboratório americano Celgene, dois remédios utilizados no tratamento do câncer de mama e de ovários em estado avançado.

Em 40 hospitais europeus e americanos há estudos clínicos para avaliar o efeito da doxorrubicina encapsulada em nano-medicamento em cânceres de fígado, resistentes à quimioterapia. Segundo resultados preliminares citados por Couvreur, a sobrevivência dos doentes se multiplicaria por dois.

Tratamentos mais precisos
Graças à melhora constante das técnicas nos últimos anos, os doentes de câncer podem se beneficiar de atos terapêuticos radiológicos.

Para Afshin Gangi, que pratica radiologia em Estrasburgo (leste da França), se trata de "pegar o caminho mais curto há um tumor" e destruí-lo da forma mais completa possível, sem necessariamente recorrer à cirurgia clássica. Ela pode ser substituída por técnicas de ablação térmica, que usam radiofrequências, laser, micro-ondas, crioterapia (a frio) ou ultrassons focalizados (a energia acústica se concentra sobre o alvo que deve ser destruído).

Usadas principalmente para intervir no rim, no fígado e na próstata, estas técnicas poderiam ser aplicadas no futuro a outros órgãos abdominais e também o câncer de mama, segundo Gangi. Segundo Albert Gelet, urologista do hospital de Lyon (centro-leste), o tratamento focal da próstata constitui uma boa alternativa para cânceres medianamente agressivos.

Até poucos anos atrás, o tratamento padrão era a ablação cirúrgica total da próstata, com seu corolário de efeitos indesejáveis (perda de urina e transtornos de ordem sexual). "Com o tratamento focal, reduz-se a toxicidade no trato urinário e sexual", disse Gelet, embora admita carecer de resultados de curto prazo. Em 2015, começará um estudo na França para avaliar tratamentos contra o câncer de próstata através do ultrassom focado.
 
O outro interesse destas técnicas é que não excluem recorrer a tratamentos clássicos - cirurgia e radiação -, se o câncer se tornar mais agressivo. Segundo Gelet, cerca de 20% dos cânceres de próstata poderiam ser tratados desta forma no futuro.

Outra inovação suscetível de melhorar sensivelmente a sobrevivência de alguns pacientes com câncer de estômago ou cólon consiste em combinar a cirurgia com a quimioterapia líquida na cavidade abdominal entre 42°C e 43°C.

A técnica tem o nome de CHIP (quimioterapia hipertérmica intra-peritoneal) e é usada há vários anos na França em pacientes que têm metástase no peritônio, com taxa de sobrevivência de 5 anos em 16% e 0% entre aqueles que não fizeram o tratamento, disse Olivier Glehen, um dos especialistas desta técnica do hospital Lyon-sul.

Correio Braziliense

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