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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Refluxo gastroesofágico: cura nem sempre é possível, mas tratamento controla os sintomas

Mudanças na alimentação e até cirurgia podem ajudar paciente

Dr. Leonardo Peixoto Gastroenterologista - CRM 780553/RJ
 
Refluxo gastroesofágico é o retorno do alimento do estômago para o esôfago. A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é definida pela presença do refluxo associada a sintomas ou complicações.    

O diagnóstico se baseia nos sintomas ou em exames complementares. As queixas incluem os sintomas típicos (queimação retroesternal e regurgitação) e atípicos (sensação de impactação alimentar, tosse crônica, asma, fibrose pulmonar, pneumonia, dor torácica, laringite, sinusite, otite, aftas, rouquidão, pigarro, halitose e erosão dentária).
 
Nem sempre é necessária a realização de endoscopia digestiva alta em todos pacientes com DRGE. Em pessoa jovens, com sintomas sugestivos de refluxo e na ausência de sinais de alarme (dor ou dificuldade para engolir, anemia, emagrecimento, vômitos importantes e história de câncer na família), pode-se optar por realizar tratamento empírico, com medicamentos e dieta, por até 8 semanas e observar se há remissão da doença. Caso não seja obtida a cura, exames complementares como a endoscopia digestiva alta devem ser feitos a fim de avaliar a gravidade da doença e excluir alterações mais graves como úlceras, estenoses, esôfago de Barrett e câncer.    
 
O pilar principal do tratamento são ajustes na dieta e medidas posturais. Recomenda-se uma alimentação adequada, procurando evitar alimentos que sabidamente desencadeiem sintomas de refluxo, além de álcool, alimentos cítricos, cafeína, bebidas gasosas, chocolate, tomate, alguns condimentos e temperos, alimentos gordurosos, menta e hortelã. Além disso, deve-se evitar refeições copiosas, não deitar por três horas após comer, alimentar-se a cada três horas, parar de fumar, evitar obesidade e roupas apertadas e não exercitar-se após a alimentação. Para evitar o refluxo noturno, eleva-se a cabeceira da cama em 15 cm, permitindo que o material refluído para o esôfago retorne prontamente ao estômago.      
 
Quando estas medidas são insuficientes para controlar a doença, avaliamos os tratamentos medicamentoso e cirúrgico.  
 
Possibilidades de cura
Deve-se acrescentar que habitualmente a DRGE é uma enfermidade crônica, de forma que para a maioria dos casos o objetivo do tratamento não visa a cura da doença, mas sim o controle dos sintomas e a prevenção de complicações como úlceras, estreitamentos do esôfago e câncer.   
 
Quando se encontram fatores causais para a DRGE e estes são resolvidos, pode-se "curar" a doença.
 
No caso da obesidade, a perda de peso pode resolver o problema. Quando o refluxo é causado pela gestação, ao término desta é provável que os sintomas parem. No caso da hérnia de hiato e hipotonia do esfíncter esofagiano inferior, a cirurgia pode eventualmente curar o paciente. Caso esteja associado a medicamentos como betabloqueadores, broncodilatadores, bloqueadores dos canais de cálcio, agonistas dopaminérgicos, sedativos e antidepressivos tricíclicos, o plano terapêutico deve ser revisto por um médico. No caso de gastroparesias após infecções, o retorno a contratilidade do estômago tende a cessar a enfermidade.                           
 
Entre os medicamentos utilizados podem ser citados antiácidos, antagonistas H2, inibidores de bomba de prótons e agentes procinétidos.      
 
Os antiácidos agem tamponando diretamente o ácido presente no estômago e têm como efeito colateral mais comum a alteração do hábito intestinal. Tem rápido início de ação, mas o efeito apresenta curta duração. Usualmente são administrados após as refeições.
 
Os antagonistas H2 (como a ranitidina) e os inibidores de bomba de prótons (por exemplo, o omeprazol) inibem a produção de ácido, tendo um tempo de ação mais prolongado que o dos antiácidos. Seus efeitos adversos incluem cefaleia, diarreia, constipação, alteração de eletrólitos e risco aumentado de gastroenterites e pneumonias.            
 
Os procinéticos aceleram a velocidade com que o alimento é transferido do estômago para o duodeno. Entre os efeitos adversos podemos citar alterações neurológicas, hormonais e arritmias cardíacas, de forma que deve-se ter cuidado com interações medicamentosas e com certos grupos de pacientes mais susceptíveis a esses efeitos colaterais, como crianças e idosos.          
 
Cirurgias antirrefluxo como a fundoplicatura de Nissen são usadas em casos selecionados, considerando idade do paciente, sintomas, características anatômicas e funcionais do esôfago, complicações do refluxo e preferências do paciente. Esta cirurgia consiste em envolver o esôfago com a parte do estômago que está mais próxima e costurar esse fundo gástrico ao redor do esôfago distal, formando uma válvula antirrefluxo. Geralmente a cirurgia é feita por via laparoscópica. Apesar de a mortalidade associada à cirurgia ser inferior a 1%, até um quarto dos pacientes apresenta sintomas no pós-operatório como dificuldade de engolir e sensação de distensão no estômago com dificuldade de arrotar. Além disso, após um período de 10 anos, a maioria dos pacientes volta a usar medicamentos para o tratamento da DRGE.
 
Minha Vida

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