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sábado, 2 de maio de 2015

10 doenças sobre as quais a maconha medicinal pode ter um impacto

A psiquiatra Suzanne Sisley tem notado uma tendência inesperada entre seus pacientes
 
Ela trabalha com veteranos de guerra que lutam com transtorno de estresse pós-traumático, também conhecido como TEPT. Muitos não gostam de como eles se sentem quando estão tomando todos os remédios que usam para controlar sua ansiedade, insônia, depressão e os flashbacks do conflito.
 
“Há poucos medicamentos no mercado que funcionam e mesmo estes podem ser inadequados”, afirma Sisley. “Eles acabam ficando presos em oito, dez, doze medicamentos diferentes, e depois de tomar tantos, de repente, são como zumbis”.
 
Alguns destes pacientes, porém, estavam começando a se sentir melhor. Eles também pareciam muito mais presentes. Quando ela os questionou sobre o que estava fazendo a diferença, veio a resposta: eles encontraram uma alternativa para todos os medicamentos e estavam se automedicando com maconha. “Eu estava realmente surpresa e mais e mais pacientes estavam saindo das sombras e revelando a mim que estavam tendo algumas experiências úteis com a planta da maconha”, disse Sisley.
 
Ainda que gostasse do progresso que seus pacientes disseram que estavam tendo, como qualquer bom cientista ela quer mais do que apenas algumas experiências bem-sucedidas. Ela quer provas documentadas, ensaios clínicos de grandes populações de pacientes que sejam executados no padrão de ouro de um jornal revisado por pares, de que a maconha é a abordagem correta para o tratamento de TEPT – ou qualquer outra doença. Pessoas já a usam para tratar uma variedade de problemas médicos, como a esclerose múltipla, artrite, epilepsia, glaucoma, HIV, dor crônica, doença de Alzheimer, câncer e outros.
 
Com a legalidade da maconha medicinal em quase metade dos estados dos Estados Unidos e em outros lugares do mundo, mais médicos estão se perguntando qual impacto esta droga realmente tem sobre as pessoas. Eles querem informações sobre a dosagem e o seu impacto a longo prazo em pacientes.
 
Barreira burocrática
Sisley procurou respostas para estas perguntas na pesquisa médica, mas não encontrou muita coisa. Quando decidiu fazer os estudos por conta própria e os submeteu para aprovação federal, foi recebida com quilômetros e quilômetros de burocracia e resistência – como muitos outros pesquisadores antes dela.
 
Isso porque a maconha é uma das substâncias mais rigorosamente controladas nos termos da legislação federal dos Estados Unidos. O governo do país considera que é uma droga de Classe I, ou seja, a Divisão de Controle de Narcóticos considera que ela não tem nenhum valor medicinal. Na lista, ela figura na mesma posição que a heroína e o LSD. Para fazer pesquisas sobre a maconha, os cientistas precisam de aprovação de vários departamentos federais, o que acontece apenas raramente.
 
Aqui no Brasil, desde janeiro deste ano, está liberado o uso de um componente da maconha para uso medicinal, o canabidiol (CBD). Estudos apontam que o CBD ajuda pacientes com doenças neurológicas, como epilepsia e esclerose múltipla. Ele pode ser útil até mesmo em crianças, reduzindo a frequência de convulsões.
 
A maioria dos estudos sobre a maconha se concentram nos danos causados ​​pela planta. Os estudos sobre suas qualidades medicinais são pequenos e ainda estão em estágios primários ou observacionais, na melhor das hipóteses. “Médicos tradicionais não vão chegar nem perto deste material, mesmo que tenham ouvido falar que funciona, porque sem a pesquisa, sem ele ser aprovado em orientações práticas legítimas, eles vão se preocupar com a sua licença e seu profissionalismo”, explica Sisley. “É por isso que é fundamental ter estudos controlados para que isso funcione”.
 
Um projeto de lei bipartidário chamado de Compassionate Access, Research Expansion, and Respect States Act (Ato Estatal para o Acesso Compassivo, Expansão de Pesquisa e Respeito, em tradução livre) foi introduzido no Senado norte-americano em março deste ano e deveria aliviar algumas dessas restrições e tornar mais fácil de estudar a droga. Contudo, a legislação está em comissão no momento. Se este ato for aprovado algum dia e os cientistas puderem começar a estudar a droga a sério, existem várias áreas que podem ser alvo destas pesquisas, além do TEPT.
 
Aqui estão 10 delas, com base nas doenças que as pessoas normalmente tratam com maconha medicinal. Mais uma vez, como a pesquisa acerca deste tema é tão limitada, estas áreas são baseadas em resultados que a maioria dos meios de comunicação normalmente não noticiam, porque os trabalhos estão em um estágio muito precoce para saber se eles realmente funcionam. Mas esse é justamente o argumento de alguns médicos e pesquisadores da medicina.
 
10. AIDS / HIV
Em um estudo humano de 10 fumantes de maconha HIV-positivos, os cientistas descobriram que pessoas que fumavam maconha se alimentavam melhor, dormiam melhor e tinham um humor melhor. Outro pequeno estudo com 50 pessoas descobriu que pacientes que fumavam cannabis sofriam menos dor neuropática – sensação dolorosa que ocorre em uma ou mais partes do corpo e é associada a doenças que afetam o Sistema Nervoso Central, ou seja, os nervos periféricos, a medula espinhal ou o cérebro.
 
9. Alzheimer
A maconha medicinal e alguns dos produtos químicos da planta têm sido usados ​​para ajudar aqueles que sofrem com Alzheimer a ganhar peso, e uma pesquisa descobriu que ela diminui a incidência do comportamento agitado que os pacientes podem apresentar. Num estudo celular, os investigadores descobriram que a maconha retardava o progresso de depósitos de proteína no cérebro. Os cientistas acreditam que estas proteínas podem ser parte do que faz com o Alzheimer surja, embora ninguém saiba, até hoje, o que causa a doença.
 
8. Artrite
Um estudo com 58 pacientes usando derivados de maconha descobriu que eles sentiam menos as dores da artrite e dormiam melhor. Outra revisão de estudos concluiu que a maconha pode ajudar a combater a inflamação que causa dor.
 
7. Asma
Os estudos são contraditórios, mas alguns trabalhos iniciais sugerem que a maconha reduz a asma induzida pelo exercício. Outros estudos com células mostraram que fumar maconha poderia dilatar vias respiratórias humanas, facilitando a passagem do ar. Entretanto, alguns pacientes experimentaram uma sensação de aperto no peito e na garganta. Um estudo realizado em ratos de laboratório encontrou resultados semelhantes.
 
6. Câncer
Estudos em animais mostraram que alguns extratos de maconha podem matar algumas células cancerosas. Outros estudos celulares mostram que ela pode parar o crescimento do câncer e, em camundongos, o THC, o ingrediente psicoativo da maconha, melhorou o impacto da radiação sobre as células cancerosas. A maconha também pode evitar a náusea que geralmente acompanha a quimioterapia, extremamente agressiva e de amplo espectro, usada para tratar o câncer.
 
5. Dor crônica
Alguns estudos em seres humanos e animais pequenos mostram que os canabinoides pode ter um “efeito analgésico substancial”. Em meados do século XIX, pessoas os utilizavam amplamente para o alívio da dor. Alguns medicamentos à base de cannabis como Sativex estão sendo testados em pacientes com esclerose múltipla e usados para tratar a dor do câncer. O medicamento foi aprovado no Canadá e em alguns países europeus, mas, por mais que possa ser importado sob condições especiais, ainda não pode ser vendido no Brasil. Em outro teste envolvendo 56 pacientes humanos, os cientistas observaram uma redução de 30% na dor em indivíduos que fumavam maconha.
 
4. Doença de Crohn
Em um pequeno estudo piloto de 13 pacientes assistidos por mais de três meses, os pesquisadores descobriram que inalar a cannabis melhorou a vida de pessoas que sofrem de colite ulcerativa e doença de Crohn – ambas doenças inflamatórias intestinais. Ajudou a aliviar a dor que os pacientes sentiam, além de limitar a frequência de diarreia e ajudar com o ganho de peso.
 
3. Epilepsia
Os primeiros testes feitos com o extrato da maconha medicinal do Centro Médico Langone da Universidade de Nova York mostraram uma redução de 50% na frequência de certas convulsões em crianças e adultos. Ao todo, 213 pacientes estiveram envolvidos nesta pesquisa recente.
 
2. Glaucoma
O glaucoma é uma das principais causas de cegueira. Os cientistas analisaram o impacto do THC sobre esta doença no nervo óptico e descobriram que ele pode reduzir a pressão ocular, mas também pode reduzir a pressão arterial, o que pode prejudicar o nervo óptico devido a um fornecimento de sangue reduzido. Um pequeno estudo descobriu que o THC também pode ajudar a preservar os nervos.
 
1. Esclerose Múltipla
Usar a maconha ou alguns dos produtos químicos da planta pode ajudar a prevenir espasmos musculares, dores, tremores e rigidez, de acordo com estudos em estágio inicial e principalmente observacionais envolvendo animais, testes de laboratório e um pequeno número de pacientes humanos. A desvantagem é que, de acordo com um pequeno estudo com 20 pacientes, a substância também pode prejudicar a memória.
 
Depois disso tudo, não precisamos nem dizer que os grandes prejudicados pelas restrições impostas à pesquisa científica com a maconha são os pacientes. É aquele bom e velho medo do desconhecido, que assola a raça humana desde que o mundo é mundo – e contra o qual a ciência luta constantemente. Fica a torcida para que consigamos nos aprofundar nos estudos da maconha medicinal e, possivelmente, beneficiar milhares de doentes no mundo todo.
 
CNN, Gizmodo, Pfeizer / Hypescience

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