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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Proteína do Alzheimer pode ser transmitida em procedimentos médicos

Estudo ainda é incipiente e deverá ser completo com outros testes
 
O mal de Alzheimer aparece de forma espontânea ou por predisposição genética, mas um grupo de pesquisadores descobriu que a proteína beta-amiloide, associada com a doença, pode infectar outros pacientes durante certos procedimentos médicos devido à contaminação dos instrumentos cirúrgicos.
 
O estudo publicado nesta quarta-feira (9) na revista Nature ainda é incipiente, deve ser completado com testes adicionais e "não significa que o Alzheimer seja transmitido por contato entre humanos", destacou John Collinge, diretor da equipe da University College London, responsável pela pesquisa.
 
— O que devemos considerar é se, além do Alzheimer esporádico e o hereditário ou genético, pode haver formas adquiridas, como ocorre no caso da doença neurodegenerativa de Creutzfeldt-Jakob.
 
A equipe de cientistas fez a importante descoberta exatamente quando investigava um tipo de Creutzfeldt-Jakob contraído durante a atuação médica. Mediante autópsia, os especialistas analisaram o cérebro de oito pessoas com idades entre 36 e 51 anos que tinham morrido por Creutzfeldt-Jakob contraída após se submeterem, ainda na década de 80, a um tratamento com hormônios do crescimento extraídos cirurgicamente de glândulas pituitárias de outros corpos. Ficou comprovado que milhares de pessoas que receberam esses hormônios, em um procedimento realizado no Reino Unido entre 1958 e 1985, acabaram desenvolvendo Creutzfeldt-Jakob.
 
Acredita-se que os hormônios transportavam príons da Creutzfeldt-Jakob, que teriam aderido aos instrumentos cirúrgicos durante o processo de extração. Ao estudar esses oito cérebros, a equipe de Collinge descobriu que em seis deles havia beta-amiloides associados com Alzheimer. Em quatro casos, os depósitos das proteínas estavam estendidos, o que indica que nenhum dos pacientes apresentava sinais de sofrer da versão hereditária da doença de aparição antecipada. Os especialistas acreditam que o tratamento com hormônio do crescimento implantado em todos os pacientes pode ter relação com a origem da aparição do Alzheimer, assim como da Creutzfeldt-Jakob, devido à transmissão por neurocirurgia.
 
Os fragmentos da proteína beta-amiloide podem aderir às superfícies de metal e resistem à esterilização convencional, explicam os cientistas. "É possível que haja três maneiras de essas proteínas serem geradas no cérebro. Podem aparecer espontaneamente com a idade, que haja um gene defeituoso ou que surjam após exposição a um acidente médico. Essa é a nossa hipótese", explicou Collinge. A equipe de pesquisadores descartou que rastros de Alzheimer possam ter sido provocados pela Creutzfeldt-Jakob.
 
Segundo eles, em outro estudo, 116 pacientes afetados pela doença que não tinham sido tratados com o hormônio do crescimento extraído de corpos não apresentavam marcadores de Alzheimer. Collinge alertou que, no caso das proteínas do Alzheimer, "potencialmente, as 'sementes' poderiam aderir à superfície de qualquer instrumento de metal", o que inclui os utilizados pelos dentistas em procedimentos que afetam o tecido nervoso.
 
O pesquisador ressaltou, no entanto, que não há provas de transmissão epidemiológica que sugiram que a doença possa ser transmitida por meio de transfusões de sangue, acrescentando que o mal de Alzheimer não é uma "doença contagiosa". Outros especialistas advertiram que, apesar de interessantes, as conclusões do estudo são prematuras, pois só se referem a oito pacientes.

EFE

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