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domingo, 6 de dezembro de 2015

Conheça síndrome que faz as pessoas acreditarem estar morta

Transtorno descrito por psiquiatra mexicano envolve perda do aparato racional e lógico que todos temosA Síndrome de Catard faz com que seus portadores questionem a própria existênci

O mexicano Jesús Ramírez ainda estudava medicina quando um paciente chamou sua atenção: o homem garantia estar morto. Naquele momento, em 1995, o diagnóstico era de esquizofrenia. Mais tarde, durante sua especialização, o hoje psiquiatra Ramírez concluiu que o paciente tinha, na verdade, a síndrome de Cotard.

Também conhecido como delírio de negação ou niilista (relativo a niilismo, ponto de vista que considera não haver sentido na existência), esse transtorno mental faz que seus portadores questionem a própria existência.

Desde então Ramírez investigou a fundo essa síndrome, que não é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) nem pelo manual de diagnóstico da Associação Psiquiátrica dos Estados Unidos. "São pacientes com um nível muito alto de sofrimento", diz Ramírez, especialista do Instituto Nacional de Neurologia e Neurocirurgia do México. "Isso ocorre porque eles perdem o aparato racional e lógico que todos temos."

As pessoas com Cotard têm uma negatividade extrema, que as leva a negar as coisas mais óbvias.

Um dos casos tratados por Ramírez foi o de um homem de 78 anos que se recusava a ser internado porque "já estava morto". "Estou acabado, não faz sentido que me tratem", dizia o homem. "Sinto-me como um robô, como se o mundo não existisse, estou completamente acabado."

Morto, imortal ou os dois
Embora a característica mais conhecida dessa síndrome seja a crença em estar morto, quem padece do transtorno possui outros tipos de negação delirante.

Em outro caso investigado pelo psiquiatra mexicano, uma jovem de 18 anos se queixava constantemente de ter perdido suas mãos, e pensava ter sido enfeitiçada. "Meu coração deixou de funcionar, sinto que meu fígado e estômago estão ficando doentes, deixaram de funcionar. Não sinto meu corpo por dentro. Não tenho coração", afirmava ela.

Esses pacientes sofrem um tipo de "despersonalização", aponta Ramírez. "Podem ter alucinações e estados de depressão muito graves."

Foto: Thinkstock

BBC BRasil / Terra

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