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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Hospitais Albert Schweitzer e Rocha Faria serão administrados pela prefeitura

Anúncio oficial foi feito ontem em coletiva no Palácio Guanabara. Servidores estaduais serão realocados

Foto: Estefan Radovicz / Agência O Dia
Sem repasses da prefeitura, Hospital Mario Kröeff, na Penha, suspendeu o atendimento ambulatorial

O Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, será entregue ao município nesta quinta-feira, e o Rocha Faria, em Campo Grande, na próxima segunda-feira. O anúncio foi feito em coletiva no Palácio Guanabara, pelo governador Luiz Fernando Pezão e pelo prefeito Eduardo Paes. Eles informaram que, juntas, as unidades custam cerca de R$ 504 milhões por ano. As UPAs e o serviço de Samu permanecerão sob responsabilidade da administração estadual. A previsão é que o atendimento se mantenha normalmente durante a transição.

“A transferência irá desonerar o estado, e permitirá que os recursos sejam focados no Carlos Chagas e no Getúlio Vargas”, afirmou Pezão. No fim do ano passado, a prefeitura já havia emprestado R$ 100 milhões para tentar ajudar o estado a enfrentar a crise na saúde.

Paes afirmou que a municipalização das unidades é um “desejo antigo”, e nomeou seu secretário de Governo,Pedro Paulo Carvalho, como coordenador do processo. Pedro Paulo não deu detalhes de onde sairá o dinheiro para administração das unidades. Garantiu que a verba não sairá dos R$ 5 bilhões que a Secretaria municipal de Saúde tem para seu orçamento em 2016, e limitou-se a dizer que “serão recursos da prefeitura” e de “superávits” de 2015. “A ideia é tentar fazer mais usando menos. A municipalização é definitiva”, declarou o secretário.

Dor e revolta para pacientes
Sem médicos, nem remédios, nem elevador. Desde que descobriu um câncer na coluna, em 2014, a professora Renata Silva, de 39 anos, vai ao Hospital Mario Kröeff uma vez por mês para tomar uma injeção do medicamento Pamidronato, utilizado em caso de metástase óssea. Sua consulta, marcada para o dia 23 de dezembro, foi cancelada e não há previsão para reagendar. “Estou desesperada. Sinto muita dor e venho aqui à toa. Fico sem remédio, sem saber se posso aplicar por conta própria, pois nem orientação tenho”, reclamou.

A prefeitura ressalta que os repasses futuros seguirão o cronograma do Ministério da Saúde e da prestação de contas. Para o vice-presidente do Cremerj, Nelson Nahon, o ideal era que o repasse fosse feito dia 5 e não após o dia 20, como previsto pela Secretaria municipal de Saúde. “A situação crítica está desde outubro. Pedimos ao Ministério Público para intervir, pois estavam sem ecodoppler, tomografia e falta pessoal para trabalhar. Câncer é uma enfermidade progressiva, não espera calendário ou qualquer burocracia. Cada dia adiado é prejuízo à vida”, alertou Nahon. Segundo ele, ainda há risco de interrupção, por falta de insumos, da quimioterapia e cirurgia, já que o estoque duraria mais seis dias.

Servidores do estado serão realocados
A municipalização dos dois hospitais da Zona Oeste transformará a Secretaria municipal de Saúde na maior administradora de leitos hospitalares do país: 4.173. Mesmo assim, não há possibilidade de os servidores estaduais passarem a ser municipais com a mudança na gestão do Albert Schweitzer e do Rocha Faria. “Os servidores do estado serão realocados nas unidades estaduais”, afirmou Pedro Paulo.

Uma reunião nesta quarta-feira entre a comissão de transição e representantes das organizações sociais (OSs) que administram as unidades começará a responder perguntas como o número de servidores a ser transferidos e contratações emergenciais necessárias de médicos e funcionários. A medida aumentará o investimento da prefeitura em Saúde de 21% para 25% de seu orçamento, chegando a cerca de R$ 5 bilhões por ano.

O Dia

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