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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Cérebro de magros e obesos funciona de forma diferente

O cérebro dos magros e dos obesos reage de maneira diferente aos estímulos gerados por alimentos, indica pesquisa feita na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.

O trabalho aponta indícios de que o cérebro dos obesos tem uma disfunção --causada por inflamações-- que prejudica o mecanismo de controle da saciedade. E sugere ainda a possibilidade de que, após emagrecer, o obeso recupera a capacidade de se sentir satisfeito.

Segundo Simone van de Sande Lee, autora do estudo, trabalhos anteriores, com animais, identificaram uma inflamação no hipotálamo, região do cérebro responsável pelo gasto de energia e controle da fome.

Com isso, a leptina, hormônio que indica saciedade, não era identificada pelo organismo dos obesos, gerando mais vontade de comer.

"Em situações normais, o cérebro capta essa informação do hormônio e a transforma em estímulo para parar de comer. Os indícios mostram que a obesidade decorre, entre outros fatores, de um erro no processamento dessa informação", afirma.

RESSONÂNCIA

No estudo, oito pacientes magros e 13 obesos foram submetidos a uma ressonância magnética funcional (que registra uma sequência de imagens do cérebro). Os obesos fizeram o teste antes e depois de uma cirurgia de redução de estômago.

Todos receberam 50 g de glicose diluída em 200 ml de água durante o exame.

Em todos os voluntários, a ativação dos neurônios no hipotálamo atingiu um pico após a ingestão da glicose. Ela se manteve alta por 30 minutos nos pacientes magros, mas caiu em apenas dez minutos nos obesos.

Depois da cirurgia, os pacientes obesos emagreceram e recuperaram parcialmente essa atividade, chegando mais perto dos índices dos pacientes magros.

"Acreditamos que a atividade neuronal indique, nos pacientes magros, o processamento da leptina. Eles mantêm o estímulo de saciedade por mais tempo", diz a pesquisadora.

Quando os obesos perderam peso, foi encontrada uma quantidade maior de substâncias anti-inflamatórias no líquor (líquido que envolve o cérebro). Essas substâncias combatem a inflamação que prejudica a identificação da leptina e a sensação de saciedade que ela sinaliza.

RESSALVAS

Para o médico Ricardo Meirelles, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o trabalho "chama a atenção pela possibilidade de reverter as alterações [cerebrais]". Mas, diz ele, há fatores culturais e psicológicos a serem considerados na obesidade.

A endocrinologista Cíntia Cercato, da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), afirma que a possibilidade de reverter a resistência à leptina traz muitos benefícios, "até mesmo em funções cognitivas".

Já o neurologista da USP Paulo Jannuzzi ressalta que há outros mecanismos a serem considerados.

"É possível o paciente já se sentir saciado, mas querer comer pelo prazer. Mas, se estudos indicarem um caminho novo para lidar com parte desse comportamento, já é um avanço".

Fonte Folhaonline

''Atendimento VIP'' estimula voluntários a participar de pesquisas

Acompanhamento médico é visto como maior atrativo pelos pacientes que se dispõem a fazer parte de pesquisa

A aposentada Maria Isabel Menescal Fiuza Thiry, de 65 anos, está participando de uma pesquisa clínica para avaliar a eficácia de um medicamento para osteoporose. Soube do ensaio clínico por amigas, pouco depois de receber um diagnóstico da doença.

"Fui muito bem tratada", afirma. Ela comemora os inúmeros exames e a atenção que recebeu dos médicos. De tempos em tempos, entregam-lhe um relatório detalhado sobre sua saúde. Ela conta que já animou companheiras do prédio onde mora a participar dos estudos.

No protocolo de pesquisa, ela devia guardar uma hora de jejum após o almoço e ingerir a cápsula do produto. Maria Isabel ainda não sabe se pertence ao grupo que recebeu a nova droga ou um produto controle, para comparação. Seu último retorno será no início do próximo ano, quando receberá a avaliação final dos médicos. "Depois, vou esperar um ano (prazo necessário para participar de um novo estudo) e procurar um ensaio sobre artrose para me inscrever", comenta.

Ela foi atendida no CCBR Brasil, um centro de pesquisa clínica na zona sul do Rio. O médico Luis Augusto Russo dirige o centro e realizou um estudo, publicado na revista científica Ciência e Saúde Coletiva em 2008, sobre o perfil de cem pacientes que participaram de testes clínicos.

Segundo o trabalho, 59% das pessoas aceitaram participar de um estudo clínico para "saber mais sobre sua saúde" e 47% mencionaram "beneficiar outras pessoas no futuro" como um dos motivos para ingressar no teste de medicamentos. Cerca de 57% tinham renda familiar mensal inferior a R$ 1.050.

Um quarto concluiu o ensino fundamental, mas 66% chegaram à quarta série, nível de escolaridade suficiente, segundo os autores, "para assinar e compreender o que está assinando". No caso, o termo de consentimento informado que especifica as regras do estudo. Cerca de 3% tinham ensino superior.

"Tapete vermelho." Para o frei Anacleto Gapski, relator do Comitê de Ética em Pesquisa da Unifesp, a razão que leva muitas pessoas a participar dos testes clínicos é clara: trocar a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) pelo "tapete vermelho" do atendimento diferenciado nos centros de pesquisa clínica - públicos ou privados.

Augusto Eduardo Ferraz concorda. Ele é um dos fundadores da Alleco Trials, uma empresa brasileira que recruta pacientes para testes clínicos de indústrias nacionais e estrangeiras. "Temos um banco de dados com mais de 20 mil pessoas que desejam participar dos ensaios." Ele também atua na Associação Brasileira de Apoio e Proteção aos Sujeitos da Pesquisa Clínica (Abraspec) e dá palestras em associações de classe, sindicatos e comunidades para explicar as pesquisas clínicas. "A possibilidade de um acompanhamento sério é o principal motivo para as pessoas participarem."

A Conep exige que a empresa assuma o compromisso de fornecer o tratamento depois dos testes se o médico considerar conveniente, algo previsto na Resolução 156/1996 do CNS.

A coordenadora da comissão, Gyselle Tannous, afirma que muitos voluntários "nem imaginam seus inúmeros direitos" e defende a regra. "É justo depois de contribuir para um estudo que poderá render muito lucro."

Vitor Harada, diretor-presidente da Abracro, afirma que a exigência de manter o tratamento depois dos testes clínicos faz com que muitos estudos não sejam feitos no País. Ele defende que pessoas com síndromes genéticas raras e de evolução agressiva, bem como pacientes com tumores que reagiram bem ao tratamento experimental, continuem recebendo a medicação. "Mas não dá para justificar o fornecimento do remédio em doenças crônicas como diabete ou hipertensão", considera.

Fonte Estadão

Anvisa mostra que 80% dos estudos clínicos no Brasil são feitos por empresas multinacionais

Apesar do crescimento econômico, o Brasil continua dependendo de empresas multinacionais para desenvolver pesquisas para o desenvolvimento de novos medicamentos. Levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostra que 80% dos estudos clínicos no país são feitos por empresas e laboratórios multinacionais. Essas pesquisas servem para testar, em quatro etapas, novos princípios ativos em seres humanos e estão diretamente relacionadas à capacidade de um país desenvolver medicamentos inovadores.

O perfil elaborado pela agência reguladora, divulgado na última semana, mostra ainda que 63% das pesquisas clínicas estão na fase 3, quando o remédio já está quase pronto e inclui testes em diversos grupos de pacientes para verificar segurança, eficácia e benefício a longo prazo. Somente 4% dos estudos estão na fase 1, etapa em que a nova droga é testada pela primeira vez em um ser humano e está intimamente ligada à inovação.

Para o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, o Brasil dispõe de estrutura e mão de obra capacitada para ter mais pesquisas e criar remédios. Segundo ele, o bom momento da economia e medidas adotadas pelo governo, como o Plano Brasil Maior – nova política industrial -, podem contribuir para que os laboratórios e centros de pesquisas nacionais ganhem condições de competir com os estrangeiros.

Um bom nicho para investimento no país, de acordo com Barbano, é a produção de genéricos. “Precisamos aproveitar a nossa experiência para que as empresas façam sua própria inovação”, disse.

Segundo o presidente executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Antônio Britto, um dos motivos para a dependência estrangeira é o alto custo das pesquisas clínicas, que varia de US$ 800 milhões a US$ 1 bilhão. Esses estudos podem durar quase uma década.

Apesar de o país dispor de centros de excelência e pesquisadores reconhecidos internacionalmente, Britto acredita que as leis que regem as pesquisas clínicas no país dificultam a realização de maior número de estudos. De acordo com a Interfarma, o Brasil demora, em média, três vezes mais que outros países para decidir sobre uma pesquisa clínica. Nos Estados Unidos, na França e no Canadá, o prazo é de três a quatro meses. Na Argentina, fica em seis meses e no Brasil, de dez a 14 meses, conforme dados de 2008.

“A capacidade física instalada é muito maior do que o Brasil está fazendo. O mundo não pode esperar o Brasil decidir”, disse Britto, que representa 43 laboratórios farmacêuticos nacionais e internacionais. De acordo com a Interfarma, o país responde por cerca de 1,2% das pesquisas clínicas mundiais.

De 2003 a 2010, a Anvisa aprovou 1.826 estudos clínicos, mais de 75% do total de propostas avaliadas. Além da agência reguladora, as empresas necessitam da aprovação da comissão nacional de ética em pesquisa para executar os estudo clínicos. 

Fonte Agência Brasil

Brasil e países vizinhos estudam criação de sociedade de transplante de medula óssea



Especialistas em transplante de medula óssea do Brasil e da América do Sul estão estudando a possibilidade de criação de uma sociedade  latinoamericana, em atendimento a uma solicitação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo é que essa entidade possa representar a região e fornecer dados epidemiológicos para a OMS.

A informação foi dada ontem (14) à Agência Brasil pelo presidente do 15º Congresso da Sociedade  Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), o hematologista Luis Fernando Bouzas. Ele é diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e  coordenador nacional do Registro de Doadores de Medula Óssea (Redome). O congresso foi encerrado hoje no Rio.

O Redome conta atualmente com 2,4 milhões de doadores. “É o terceiro maior registro do mundo e tem captação anual de 400 mil a 500 mil doadores. É um dos registros que mais cresce no mundo e é abrangente, ou seja, está buscando doador em todas as partes do país, baseado na rede dos hemocentros e dos laboratórios de histocompatibilidade, que hoje estão bem disseminados”.

O Inca busca agora a qualificação do registro, para que seja em quantidade suficiente, e que os doadores estejam fidelizados, mantenham seus cadastros em dia e possam ser localizados facilmente em caso de necessidade, disse Bouzas. Outra meta é buscar, dentro da população brasileira, segmentos específicos que apresentam dificuldade genética em encontrar doador. Um exemplo é a baixa participação de pessoas orientais.

O trabalho vai direcionar as campanhas para as regiões de menor representatividade no Redome, como  o Nordeste, o Norte e o Centro-Oeste. Não estão sendo mais recomendadas campanhas abertas, sem direcionamento, explicou o especialista. “A gente agora está  tentando orientar os centros para que façam campanhas em nichos específicos da população”.

Uma dificuldade que a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea está procurando resolver no Ministério da Saúde é a criação de leitos em regiões onde as atividades não são contempladas, além do aumento do número disponibilizado atualmente. Hoje, 90% dos transplantes  são custeados pelo sistema público de saúde, que conta com um total de 350 leitos. “É insuficiente”. São necessários, segundo Bouzas, mais 80 leitos para atender à demanda do país, além da qualificação dos leitos existentes e do treinamento das equipes. “Não adianta criar leitos se não há equipes”, observou.

O Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme), criado em 2000, tem um estoque de 6,8 mil pacientes inscritos. Desses, entre 800 e 1000 estão atualmente na fase de busca de doadores, sendo  cerca de 700 ativos.

A meta este ano é chegar a 200 ou 210 transplantes realizados, o que representará acréscimo de cerca de 30% em relação ao ano passado, quando foram feitos 167 transplantes. Até junho, foram 110 transplantes. “Só  transplantes com doadores oriundos do Redome”, disse Bouzas. Para ele, embora seja subnotificado no Brasil, o total de transplantes de medula óssea no país se encontra na faixa de 1,8 mil a 2 mil.

Aí estão incluídos todos os tipos de transplantes: autólogos, isto é, que utilizam material  da própria pessoa; alogênicos (com doador aparentado); e com  doador não aparentado.

Bouzas acrescentou que a informatização do Redome contribuiu para ampliar o número de doadores, ao mesmo tempo em que facilitou a comunicação entre os laboratórios e os hemocentros e a formação do cadastro do Rereme. O Inca está buscando, no momento, promover a  atualização dos dois sistemas.

O transplante de medula óssea é a única chance de cura para  leucemias agudas e crônicas, vários tipos de anemias graves adquiridas e congênitas, vários tipos de imunodeficiências, linfomas e tumores. “São em torno de 60 a 70 doenças diferentes que podem ser tratadas com o transplante, muitas delas obtendo cura com esse procedimento”. Bouzas explicou que também o diabetes tipo 1 e a multiesclerose, doenças autoimunes, podem ser controladas com o transplante autólogo de medula óssea. “É uma alternativa para doenças que não têm perspectiva de tratamento”.

Fonte Agência Brasil

Beneficência Portuguesa-SP inaugura maior UTI neurológica do Brasil



A Beneficência Portuguesa de São Paulo acaba de finalizar as obras de reforma e ampliação da Unidade de Terapia Intensiva Neurológica da Instituição. Após investimento de R$ 7,2 milhões, a unidade passa a ter 33 leitos de internação, nove a mais do que as instalações anteriores e se torna a maior UTI Neurológica do Brasil.

Estudos mostram que, quando tratado em UTI específica, o paciente neurológico se recupera mais rápido, além de reduzir em 25% o número de óbitos e de contribuir para um menor comprometimento geral do paciente. Isso porque a assistência é prestada por profissionais especializados para o tratamento de pacientes neurológicos, com aparato tecnológico apropriado. A UTI Neurológica da Beneficência Portuguesa de São Paulo é a unidade com maior experiência em uso de Licox no Brasil, cateter para monitorização neurológica de casos graves, permitindo a detecção da pressão e oximetria cerebrais.

Do total de leitos, quatro são de isolamento para atender casos de H1N-1, por exemplo. A unidade também tem atendimento diferenciado para vítimas de AVCI (Acidente Vascular Cerebral Isquêmico).

A UTI Neurológica da Instituição é estruturada de forma humanizada, preservando o acolhimento dos pacientes. Os leitos são individuais, com 9m² cada e estão dispostos em ambiente claro e arejado, com janelas, equipados com telas de LCD e relógios, diferenciais, estes, que contribuem para a redução de casos de deliriumentre os pacientes, quadro responsável pelo aumento da morbimortalidade.

Uma equipe formada por médicos intensivistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem e fisioterapeutas garantem atendimento aos pacientes 24 horas por dia, sete dias por semana. Além disso, os familiares também têm atenção especial na UTI Neurológica. A unidade disponibiliza uma antessala, com poltronas, ar-condicionado e consultório específico para que as equipes médicas possam atender aos familiares dos pacientes internados com maior privacidade.
Fonte revistahospitaisbrasil