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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Setor da saúde aumenta oferta de serviços para público premium

Segmento de alta renda ganha destaque entre os players do segmento, basta saber se isso é sustentável e se existe demanda para tal transformação

Ala Vip, setor premium, classe A. Diferentes são os nomes para classificar um nicho que está cada vez mais ganhando força no mercado. Mas como em outros setores da economia, os serviços e produtos desenvolvidos para esse público contemplam uma pequena parcela da população brasileira. O crescimento das operadoras que atuam no segmento vislumbra uma entrada considerável de novas pessoas na saúde suplementar. Dados do relatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), do período de março de 2010 a março de 2011, mostram que as dez maiores operadoras de planos de saúde cresceram 33% em um ano e controlam um mercado de 46,6 milhões de pessoas.

Mesmo representando um mercado mais restrito, a mobilidade social e o momento da economia brasileira ajudam na expansão da saúde suplementar e estimula o setor de saúde, sobretudo na capital paulista, a desenvolver serviços e produtos diferenciados para o topo da pirâmide e tornar isso um grande atrativo para o seu negócio.

“Estamos num momento capitalista e o que os hospitais estão fazendo é parecido com o movimento dos shoppings centers, fazendo uma analogia, é uma estratificação de mercado. E o público triple A também é um público de seguradoras de saúde, que são 5% da população e representa 40% do PIB nacional”, analisa o professor da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, Oswaldo Yoshimi Tanaka.

Mas o brilho do mercado de luxo parece ter seduzido, sobretudo, os hospitais paulistanos. Nos últimos dois anos, foram muitos exemplos: Hospital 9 de Julho e seu andar Vip de internação, Hospital Alvorada, Hospital São José, Hospital Totalcor e Paulistano. E não são só os hospitais, a Bradesco Saúde iniciou o serviço Bradesco Saúde Concierge. A divisão conta com cinco salas Vip distribuídas por hospitais destinados aos beneficiários de alta renda da região Sudeste. Essas áreas estão alocadas nos Hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein, Hospital do Coração (HCor) e no centro de medicina diagnóstica Fleury Medicina e Saúde, em São Paulo, e uma no Rio de Janeiro, na Casa de saúde São José.

Ainda no campo das operadoras, a AmilPar, que tinha na tímida “One Health” seu plano de saúde destinado à classe de alta renda, comprou, por R$ 170 milhões, a Lincx, especializada no segmento premium e levou 38 mil vidas para um nicho onde ela ainda não contabilizava grandes conquistas.

Na onda da segmentação, o Fleury unificou 13 bandeiras no primeiro semestre do ano e destacou Fleury Medicina e Saúde e Weimman destinadas ao segmento. No Rio, a tradicional Rede D´Or anunciou a construção, na zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, do Hospital Copa Star, que levará investimentos de R$115 milhões e contará com 140 leitos destinados ao público triple A. Segundo a Rede D´Or, a proposta é atender os anseios desse público e posicionar a rede como referência em atendimento exclusivo no Estado do Rio.

“O grupo de alta renda tem crescido bastante. A concentração no Brasil continua muito grande, mas ela já foi muito pior do que é, e, nos últimos anos, o processo de desconcentração econômica, apesar dos muito ricos continuaram ricos, há um contingente muito grande de pessoas que saíram da classe B+ para a classe A-, e da classe A- para a classe A+. Há uma mobilidade e é facilmente perceptível.

É o fenômeno que a gente deve chamar de novos ricos”, explica o professor da FAAP, Silvio Passarelli.
Análise

Com tantos investimentos é preciso tomar cuidado com o tamanho do mercado e da demanda e saber o que é realmente rentável e trará retorno financeiro para instituição e se haverá impacto nos leitos médios e básicos. De acordo com o diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde da Fundação de Apoio à Unifesp, Marcos Bosi Ferraz, este é um movimento de mercado onde há alguns anos existe um público disposto a pagar mais caro por um serviço diferenciado. “Eu não creio que as instituições de saúde investiriam dessa forma sem um estudo de mercado e uma análise de potencial de demanda”.

A mobilidade acontece em todas as camadas sociais, concentrando um maior número de pessoas na classe C, o que, em se tratando de saúde, pode trazer uma miopia para o setor: foco maior nas classes premium, mas com um grande contingente de pessoas chegando à classe média.

O executivo não acredita que entrar no segmento da classe A prejudique o acesso a outras classes.

“Não há falta de leitos hoje na saúde suplementar, portanto a opção por buscar um segmento mais exclusivo não causará um déficit de atendimento nos hospitais privados do País. Os hospitais não vão abrir um leito no lugar de outro. Eles vão expandir suas instalações para atender outro perfil de consumidor”, justifica Bosi.

Segundo ele, o mercado percebeu que há uma demanda reprimida para esse tipo de consumidor e os hospitais de maior porte, e com condições de investir, partiram para disputar esse mercado. “Este é o mesmo fenômeno que ocorreu com a Daslu, onde o serviço de luxo veio para sanar uma demanda. É claro que também existe a questão do marketing e talvez esta fosse a única coisa que poderia atrapalhar o hospital pelo fato de gerar certa expectativa por parte do paciente”.

Para o professor Tanaka, da FSP USP, esse é um movimento restrito às capitais com alto poder aquisitivo. “Não é todo hospital que vai atingir esse público. No Mato Grosso ou Tocantins não existe esse movimento”, analisa Tanaka. Essa também é a percepção do professor Passarelli, da FAAP. “São Paulo e Rio de Janeiro, Brasília têm renda per capita alta e lugares com alta concentração de renda. Em São Paulo está a maior parte da demanda qualificada no Brasil, cerca de 50%”.

Alta Complexidade
O foco nesse segmentação está andando de mãos dadas com a alta complexidade. Por exemplo, o Hospital São José que inaugurou um espaço destinado à classe A na área de oncologia, e o Alvorada, TotalCor e Paulistano, que são os escolhidos da AmilPar para atender também esse público cada qual em sua complexidade, neurologia, traumatologia e ortopedia; cardiologia e oncologia, respectivamente.

“De fato este fenômeno está acontecendo, temos uma pesquisa sobre os hospitais que estão ampliando estruturas para classe alta, assumindo a necessidade de leitos para ela em algumas complexidades e eles estão buscando oferecê-las em seu mix de produtos adequados. Vemos que cirurgia cardíaca, de trauma e oncologia têm sido as especialidades mais badaladas, mais procuradas por esse público”, diz a coordenadora do GV Saúde, Ana Maria Malik.

E é na estratégia de focar em alta complexidade que o Hospital 9 Julho parece ter encontrado seu caminho. A entidade também inaugurou em 2010 um andar com leitos Vips de internação e acredita que a sustentabilidade do negócio envolve o foco em especialidades. “Tenho trabalhado para que o hospital tenha foco, dentro da complexidade e segmento social em que atua. É impossível uma instituição atuar de A a Z. Ela deve focar nas margens e seus limites. Em termos sociais, não tem distinção. Você trabalha na complexidade buscando pacientes de alta complexidade nas especialidades que temos maior competência. Essa é uma estratégia que temos adotado”, explica o diretor geral, Luiz de Luca.

Estratégia regional
A demanda por atendimentos diferenciados nos hospitais privados é fruto também da relação com as operadoras. De Luca explica a estratégia da entidade. “É claro que é decorrência, de acordo com a qualificação da instituição, você ter uma precificação para as fontes pagadoras ou para o paciente de maneira particular que, às vezes, não é condizente para todas as classes sociais”. Mas deixa bem claro, que o hospital não quer direcionar o foco apenas para as classes de alta renda.

“O Hospital 9 de Julho não quer focar no segmento triple A, está focando naqueles pacientes e naquela competência, oferecendo serviços e cobrando por eles. É trabalhar a estratégia de Porter, ou seja, a segmentação, diferenciar naquilo que posso, então, estou buscando serviços diferenciados, mas a base é uma assistência à alta complexidade”.

Há dez anos, a Casa de Saúde São José iniciou uma mudança em seu foco de atuação com o objetivo de expandir suas receitas. “O Hospital Santa Catarina, em São Paulo e o São José, no Rio de Janeiro, são os grandes geradores de receita da Congregação de Santa Catarina para a realização dos trabalhos sociais. E isso nos obrigou a criar os diferenciais e firmar um posicionamento de mercado para que possamos gerar essa riqueza e continuar realizando os trabalhos assistenciais”, acrescenta o diretor executivo da Casa de Saúde São José, André Gall.

Segundo o executivo do São José, outro fator que levou o hospital a se reestruturar para explorar este nicho foi o crescimento da Rede D´Or e a série de aquisições feitas pelo grupo Amil na região. “Temos um plano estratégico para os próximos quatro anos que tem o objetivo de repaginar todo hospital focando o cliente de alta renda, que já o frequenta”.

A movimentação do setor em busca do mercado de alta renda, segundo o executivo, não interfere no acesso à saúde por parte de usuários médios dos convênios nem restringe o número de leitos disponíveis. “O que acaba ocorrendo hoje no Rio de Janeiro é uma forte concentração de leitos hospitalares em duas grandes forças, que são a Rede D´Or e a Amil que atuam em todas as classes. Ou seja, eles acabam vendendo um produto, o plano de saúde, viável para todas as categorias e preparam suas estruturas para receber essa população de acordo com a abrangência de cada plano”, completa.

A Casa de Saúde São José conta com 229 leitos, sendo 10% deles destinados ao público AA, 30 de UTI geral, 22 de semi-intensiva pós-operatória, 11 de UTI coronariana e 15 de UTI neonatal. Os leitos diferenciados acompanham a mesma taxa de ocupação mantida pelo hospital que é de 85%. O São José realiza cerca de 1.300 internações por mês. A representação desse tipo de serviço não é muito significativa para o hospital, representando cerca de 10% de seu faturamento.

O Hospital Moinhos de Ventos, em Porto Alegre, tradicionalmente atende as classes A e B. A entidade passou por uma reformulação que adotou o conceito de cocriação com seus stakeholders. Com a reestruturação de toda a gestão do hospital baseada nesse conceito, o superintendente geral do hospital, João Polanczyk, eliminou uma conta deficitária de R$ 60 milhões, em 2006, e passou de uma receita de R$ 175 milhões por ano, para um faturamento de R$ 259 milhões. E a projeção para 2011 é de R$ 313 milhões.

A transformação do Moinhos de Vento está longe de se restringir aos critérios econômicos financeiros. O que ocorreu na entidade foi uma verdadeira mudança de valores, que refletiu em todo o processo de atendimento da organização. A entidade não segmenta leitos para o atendimento premium, e sim trabalha no que o executivo chama de “entrega diferenciada”.

“Em Porto Alegre, cerca de 20% da população tem poder aquisitivo alto. Estamos desenvolvendo um novo modelo de negócio, fazendo as entregas diferenciadas e os planos de saúde estão pagando isso. O ambiente e atendimento que estão de acordo com a classe premium. Hotelaria não é o principal, é todo um conjunto”, explica.

No entanto, a entrega diferenciada é oferecida para o paciente de todas as classes. Nos investimentos atuais entre expansão de espaços e reformas estão sendo investidos cerca de R$ 300 milhões.

Atendimento
“Investimentos em hotelaria não adiantam se o atendimento não é bom, e é bom atendimento além de boa medicina que a classe A busca”, ressalta Polanczyk. Os colaboradores estão em permanente treinamento, inclusive em um programa de metas onde todos têm chance de ganhar a mais de meio a um e meio salário.

Na opinião de Passarelli, da FAAP, são dois elementos essenciais na área hospitalar. “O primeiro é a de tecnologia de ponta, para efetivamente oferecer ao paciente o melhor da ciência e o segundo é o que eu chamo de humanização. O luxo se preocupa com a elegância , sutilieza e delicadeza no trato. Os ambientes luxuosos não são apenas pelos fatores intrísecos nos móveis e objetos, mas fundamentalmente pela elegância e comportamento das pessoas, mas aí deve residir, conjunto de todos os procedimentos que cercam a interação humana”, diz.

Segundo De Luca, o 9 de Julho não olha a classe social se o paciente tem um determinado produto de medicina suplementar e o hospital tem um contrato com essa operadora. “Vejo o produto que está contratado e vou aplicar a melhor assistência que tenho capacidade para isso. É claro, uma vez que tenho um custo assistencial elevado, uma infraestrutura elevada, não são todos os produtos de operadoras que podemos atender”, explica. E sendo em seu andar Vip ou nas alas restantes, a instituição preza pela qualidade assistencial. “Na hotelaria, ofereço serviços diferenciados para ter uma fidelidade maior desse produto premium para quem busca conforto e confidencialidade. Mas como um avião, da primeira classe à econômica, a assistência é a mesma”.

Fonte SaudeWeb

Unimed SJC busca em Sorocaba modelo sustentável de unidade de saúde

Inspirada na Unimed Sorocaba, cooperativa de São José dos Camos verticaliza operações e, um ano depois, já vê os benefícios

Criar um hospital verticalizado especializado em alta complexidade com o propósito de reduzir custos, concentrar os atendimentos e respeitar o conceito da Unimed de cada unidade, possuir seu próprio recurso hospitalar, sem depender de terceiros são alguns dos fatores que levaram a Unimed São José dos Campos, no interior de São Paulo, a criar o Santos Dumont Hospital.

No entanto, construir um hospital destinado à alta complexidade não bastava e a Unimed-SJC foi até Sorocaba buscar uma referência em recursos próprios dentro do sistema Unimed baseado em conforto, humanização e segurança.

Segundo o diretor presidente da cooperativa, Julio Amado, o hospital, que foi inaugurado em maio de 2009 e contou com R$46 milhões em investimentos, possui os conceitos de humanização e qualidade desde seu projeto inicial. O espaço ocupado pela instituição pertenceu, antes, ao Hospital Central, da Samcil e posteriormente à Unicor e também à Santa Casa de São José dos Campos, o que ajudou muito a cooperativa, uma vez que foi necessário apenas reformar e adaptar as instalações, reduzindo o custo da obra.

Para garantir a humanização no atendimento, foi criada uma Comissão de Humanização – formada por profissionais das áreas administrativa, de enfermagem, fisioterapia, clínica, psicológica, serviço social, nutrição, hotelaria e RH – que é responsável por promover e implementar ações de bem-estar para os pacientes, acompanhantes e visitantes do hospital, como apresentações artísticas e culturais; fisioterapia ao ar livre; atendimento psicológico; serviço de capelania e beleza.

Outras ações criadas que merecem destaque são a ampliação do horário de visitas aos pacientes internados em datas festivas e a visita à UTI e enfermaria pediátricas após uma análise do serviço de psicologia do hospital, que avalia as condições emocionais da criança.

O executivo acrescenta que além do olhar voltado aos pacientes, os cooperados também ganharam atenção por parte do projeto, que conta com espaços para o conforto médico, com instalações para repouso, salas de reunião e espaços para palestras e discussões sobre casos clínicos. “Além do conforto médico, o Santos Dumont conta com quartos preparados para receber atendimento integrado por parte do corpo de enfermagem, e possui uma enfermeira para cada dois quartos. Dessa forma aumentamos a eficiência assistencial e a velocidade do atendimento”, afirma Amado.

O conceito em qualidade do hospital não para em sua infraestrutura, no primeiro semestre de 2011, após completar um ano, a unidade foi conceituada com a nota “excelente” pela FESP (Federação das Unimeds do Estado de São Paulo), auditoria da que é realizada em todas as unidades da rede.

Segundo Amado, reunir todas as especialidades dentro dos recursos próprios foi uma das maiores vantagens vistas no sistema Unimed Sorocaba. “Olhando para os outros hospitais da Unimed-SJC vimos que um era bom em qualidade, outro em segurança e um terceiro em conforto, a partir dessa análise e baseados no que vimos em Sorocaba decidimos reunir os três conceitos em uma só unidade”.

O executo brinca ao afirmar que o hospital nasceu pequeno e já existem planos para ampliar suas instalações mantendo o conceito de conformo médico e atendimento humanizado. “O Santos Dumont Hospital está às vésperas de obter a certificação ONA. As áreas de RH e qualidade são responsáveis por conduzir este processo. Atualmente, já foram realizadas auditorias internas e contratamos Fundação Vanzolini para realizar as auditorias de certificação”.

Olhar Sustentável
Além do olhar voltado à humanização do atendimento a unidade também tem seu lado sustentável. O Santos Dumont Hospital possui um reservatório para captação de águas pluviais com 48 mil litros. Essa água é reaproveitada para a irrigação de jardins uso em sanitários. Todo o calor gerado pelo motor do ar condicionado do hospital também é reaproveitado para a água quente dos chuveiros dos apartamentos e vestiários.

Toda a estrutura do Santos Dumont possui diversos pontos de iluminação natural, o que diminui o consumo de energia elétrica e o sistema de ar condicionado central possui dutos com água gelada que garante uma boa qualidade do ar respirado no interior do hospital.

Fonte SaudeWeb

Presidente da Associação Paulista de Medicina quer que país dobre investimento em saúde

Dirigentes de entidades médicas do setor empresarial, além de representantes de órgãos de defesa do consumidor, parlamentares e integrantes da sociedade civil participaram ontem (25) de ato promovido pela Associação Médica Brasileira (AMB) em adesão ao movimento em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS).

Logo após a manifestação, na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), no centro da cidade, o grupo saiu em caminhada rumo à Câmara Municipal, a cerca de 500 metros.

"Não é mais aceitável conviver com essa situação, em que as pessoas têm grande dificuldade de acesso ao atendimento de saúde", disse Florisval Meirão, presidente da APM e ex-diretor da AMB. Para ele, o grande problema está na falta de financiamento e de investimentos nas unidades de saúde pública. Segundo Meirão, o ideal seria que o país destinasse 7% do Produto Interno Bruto (PIB) ao setor, o que seria o dobro do volume atual.

O movimento reivindica assistência médica de qualidade à população, mais recursos para a saúde pública, a valorização dos profissionais de saúde, o apoio aos hospitais filantrópicos e o reajuste da tabela do SUS.

Fonte Agência Brasil

MPT pede bloqueio dos bens da família dona da tecelagem que importou lixo hospitalar dos EUA

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco ajuizou na Justiça do Trabalho em Caruaru (PE), uma ação cautelar que pede o bloqueio dos bens do dono da empresa têxtil responsável por importar toneladas de lixo hospitalar dos Estados Unidos e de três pessoas da família dele.

Além de garantir o pagamento dos direitos trabalhistas dos 34 funcionários da companhia Na Intimidade, que opera com o nome fantasia Império do Forro de Bolso, a procuradora do Trabalho Ana Carolina Ribemboim, autora da ação, também exige que a empresa repare o dano moral causado à sociedade.

No total, a procuradora pede que a empresa seja condenada a pagar R$ 2,107 milhões, sendo pouco mais de R$ 126 mil como indenização aos trabalhadores e quase R$ 2 milhões para reparar o dano moral coletivo.

Além do dono da companhia, Altair Teixeira de Moura, a ação aponta para a corresponsabilidade da mulher do empresário, Maria Neide Vieira de Moura, e de dois filhos do casal, Axel Vieira de Moura e Átila Vieira de Moura. Segundo a procuradora, os três são sócios da tecelagem.

A ação foi movida após o MPT constatar que os funcionários da Império do Forro de Bolso não usavam equipamentos de proteção individual. Entre os funcionários, há um adolescente de 17 anos que trabalhava em condições insalubres, o que é proibido pela Constituição Federal. A procuradora também levou em consideração o fato de que os dois galpões e a loja da Império do Forro ficarão interditados por pelo menos 90 dias.

Para Ana Carolina, a indefinição quanto ao futuro da empresa cria um clima de temor entre os trabalhadores, que receiam não receber salários, verbas rescisórias e eventuais danos morais. Na ação, a procuradora também denuncia que os 34 funcionários e as famílias deles estão sendo discriminados na sociedade pela possibilidade de terem contraído alguma doença por manusear tecido hospitalar sujo, com manchas que o Instituto de Criminalística de Pernambuco ainda analisa se são de sangue.

“O impacto causado pela conduta lesiva dos réus é fato público e notório. Inúmeros trabalhadores foram expostos a agentes insalubres, vírus infectantes e encontram-se, no momento, sem saber se estão contaminados ou, se pior, contaminaram filhos e esposas”, argumenta Ana Carolina na ação.

Para a procuradora, “a plausibilidade do direito invocado se consubstancia na necessidade de garantia dos interesses dos trabalhadores e no resguardo da reparação pelo dano moral coletivo, principalmente diante da ausência de perspectivas dos funcionários das empresas de retorno ao trabalho, do não pagamento dos haveres trabalhistas e da impossibilidade de funcionamento das mesmas, causada pela interdição dos estabelecimentos, flagrante ilicitude da atividade”.

Fonte Agência Brasil

Médicos do Rio reivindicam que SUS ofereça melhores condições de trabalho e salários mais altos

Médicos do Rio de Janeiro participaram ontem (25) do protesto nacional da categoria contra as más condições de assistência, a falta de recursos e os baixos salários oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS).

No fim da manhã, com apoio de um carro de som, um grupo de profissionais ocupou as escadarias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), no centro, para pedir a atenção da população e das autoridades.

Entre as principais reivindicações da categoria, segundo a presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj), Márcia Rosa de Araújo, estão a convocação imediata dos aprovados em concursos públicos ainda válidos, a realização de novos concursos com salário de R$ 9.188,72 - piso defendido pela Federação Nacional dos Médicos - e um aumento da tabela de repasse do SUS aos hospitais conveniados.

Ela considera “inaceitável” que o setor não seja beneficiado pelo crescimento econômico que o país vive nos últimos anos. Segundo Márcia, se nada for feito para melhorar as condições de trabalho e a remuneração dos médicos, a tendência é que os atendimentos prestados se tornem cada vez piores e mais distantes das necessidades da população.

“A situação é muito grave. Quando o paciente encontra o médico [na rede pública de saúde], não encontra o tomógrafo. Quando encontra o tomógrafo, não encontra o médico”, assinalou Márcia. “Se a situação não mudar, isso vai piorar. Com concursos que preveem salários, em algumas prefeituras, em torno de R$ 1 mil, os médicos não vão se submeter e as peregrinações de pacientes vão aumentar.”

Ainda de acordo com a presidente do Cremerj, por falta de incentivos à carreira no setor público, algumas especialidades apresentam déficit de profissionais, como pediatria, clínica médica e ortopedia.

Diferentemente dos protestos em outros estados, onde a categoria decidiu suspender os atendimentos eletivos hoje, no Rio de Janeiro não houve alteração nos serviços prestados nas unidades de saúde das redes municipal de estadual.

No Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, referência para os municípios da Baixada Fluminense, as consultas marcadas para hoje foram mantidas e a emergência funcionou normalmente durante toda a manhã.

A recepcionista Teresa Alves, que esteve no hospital visitando um parente, contou que a unidade estava em plena atividade e que os problemas eram “os de sempre”. “A coisa aí está feia. Às vezes, falta material. Ás vezes, o médico demora a aparecer e a gente tem a impressão que o paciente não está sendo cuidado como deveria, mas isso não é nada de novo. Todo mundo já conhece.”

Fonte Agência Brasil