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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Polícia apura morte de bebê em SP

Recém-nascida morreu em uma das principais maternidades pagas da capital

Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para investigar a morte da recém-nascida Maria Victória Santos Ribeiro, morta aos 41 dias de vida no Hospital e Maternidade Santa Joana, uma das maiores maternidades particulares da capital paulista, após ter nascida supostamente saudável.

O técnico em telecomunicações Reginaldo Ribeiro da Silva, de 39 anos, e a analista de sistemas Erika Alvares Borges, de 35, pais da criança, dizem que o hospital teria cometido erros que provocaram a morte inexplicada.

A suspeita de mau atendimento levou a família a registrar boletim de ocorrência, pedir necropsia fora do hospital e acionar a Justiça para tentar descobrir o que aconteceu no hospital. Eles querem ter acesso a todas as imagens de dentro do berçário - sobretudo às da câmera que focava apenas o berço da filha.

Os pais também criaram uma página na internet, na qual relatam o que aconteceu na maternidade, e fizeram um perfil da criança em redes sociais para divulgar o caso e buscar respostas.

O laudo preliminar da morte da criança, elaborado pelo Instituto Médico-Legal (IML), aponta septicemia, broncopneumonia e fratura de ossos. O complementar deve ficar pronto em até 30 dias.

A ocorrência foi registrada na polícia no dia 23, como morte suspeita. Ontem, o delegado titular do 6.º Distrito Policial, José Gonzaga Pereira da Silva Marques, afirmou que pedirá as gravações ao hospital e convocará a equipe médica que socorreu a menina para depor. As imagens podem ser enviadas para perícia técnica.

Marques diz, porém, que somente com o laudo final da causa da morte, feito pelo IML, poderá concluir a investigação. "Vamos antecipadamente instaurar inquérito porque existem dúvidas dos pais que precisamos esclarecer. Estão suspeitando de lesões, marcas e fraturas que não ocorrem naturalmente em uma criança", diz o delegado. O Santa Joana ainda não havia sido notificado até a noite de ontem.

Histórico. Maria Victória nasceu no dia 13 de dezembro. Reginaldo e Erika dizem que escolheram o Santa Joana como maternidade para o parto - ao custa de R$ 9 mil - depois de visitarem três hospitais.

"Mostraram-nos o berçário, o centro cirúrgico, os quartos. Escolhemos porque havia câmeras por todos os lugares, até mesmo filmando os berços dos bebês no berçário", diz Reginaldo.

De acordo com ele, a menina nasceu com peso normal e recebeu "nota 10" no atendimento pós-parto. O problema com o bebê teria ocorrido na madrugada do dia 15, quando o pai a levou para trocar a fralda no berçário, depois de ser amamentada.

"A auxiliar de enfermagem disse que a trocaria e a levaria de volta. Mas, como demorou, acabei adormecendo. Minha mulher e eu fomos acordados já de dia, com uma médica dizendo que o coração da nossa filha tinha parado de bater", diz o pai.

A suspeita da família é de que a auxiliar de enfermagem tenha colocado a criança no bercinho e se descuidado quando a criança "escorregou", tendo se sufocado com a coberta. Os pais reclamam de demora no socorro.

A equipe do hospital diz que a auxiliar de enfermagem desconfiou de hipotermia, porque as unhas do bebê estavam roxas, e chamou a médica de plantão, que verificou falta de oxigenação e decidiu levá-la à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Lá, a menina foi entubada e medicada, porque estava com frequência cardíaca baixa.

Maria Victoria entrou em coma, teve convulsões e uma lesão na membrana pulmonar (por tentativa de reanimação). Depois, foi diagnosticada lesão cerebral. Nenhum exame realizado desvendou a doença original.

Fonte Estadão

Senado aprova projeto que endurece autorização para transplante

O Senado aprovou nesta quarta-feira um projeto de lei que endurece a autorização para transplantes, doação de órgãos, tecidos ou parte do corpo vivos para terceiros. A proposta exige novos critérios para que seja concedida autorização judicial para que o procedimento seja realizado.

O projeto teve origem na Câmara em 2004 e como sofreu modificações no Senado precisa passar por uma nova análise dos deputados antes de ser encaminhado para sanção presidencial.

Pelo texto, para a liberação da autorização judicial para o procedimento, são necessários dois laudos médicos, os profissionais que assinam o documento não poderão ter registro de infração ética.

Fica permitido ainda ao juiz pedir novas diligências se não for convencido da necessidade do procedimento e voluntariedade da ação. As medidas não valem para cônjuge ou parente consanguíneo do doador.

Autor do projeto, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirmou que a ideia é inibir o tráfico de órgãos. "O que nós queremos é impedir a doação por coação ou por dinheiro. A doação tem que ser voluntária".

Fonte Folhaonline

Justiça manda SUS trocar silicone em uma semana no RS

A Justiça Federal mandou o SUS (Sistema Único de Saúde) fazer em até uma semana uma cirurgia de substituição de prótese de silicone de uma moradora do Rio Grande do Sul que diz ter complicações com implantes da marca francesa PIP.

Segundo estimativa do governo federal, 20 mil mulheres carregam próteses da PIP e da Rofil, que apresentaram defeitos em vários países.

Segundo a Justiça Federal, a paciente procurou um hospital público de Passo Fundo (a 284 km de Porto Alegre) para marcar uma cirurgia de substituição da prótese e recebeu a resposta de que o procedimento não seria agendado porque ainda faltavam orientações do governo sobre como proceder.

Ainda de acordo com a Justiça, a paciente argumentou que tem um risco grande de desenvolver mais problemas com as próteses porque já teve câncer.

A decisão estabelece que a mulher, que não teve o nome divulgado, poderá escolher um hospital municipal para fazer a cirurgia. Em caso de descumprimento, a multa diária será de R$ 500.

O prazo de uma semana começa a contar a partir da notificação da liminar.

Procurado no começo da noite desta quarta-feira, o Ministério da Saúde informou que não teria como se manifestar sobre a decisão porque a área jurídica já havia encerrado seus trabalhos.

Ontem, o ministério publicou uma portaria que oficializa as regras para a troca na rede pública das próteses rompidas das marcas PIP e Rofil.

Segundo a pasta, todos os Estados já foram informados sobre essas determinações.

Fonte Folhaonline

Na Campus Party, artista ciborgue conta como usa olho para ouvir cores

Neil Harbisson, 29, é um ciborgue.

Portador de uma síndrome chamada acromatopsia, o artista visual e compositor britânico só consegue enxergar em preto e branco.

Joel Silva/Folhapress
O ciborgue Neil Harbisson, 29, artista e compositor britânico que só consegue enxergar em preto e branco
O ciborgue Neil Harbisson, 29, artista e compositor britânico que só consegue enxergar em preto e branco
Desde os 20 anos, ele usa um olho eletrônico, chamado eyeborg, que converte cores em notas musicais.

Para Harbisson, cada pessoa, cidade ou comida se transforma em uma composição musical, o que rendeu frases como "Picasso soa bem" ou "Mozart é muito amarelo" (quando o processo é invertido), que fizeram rir a plateia de sua palestra na Campus Party, nesta quarta-feira (8).

"Se as saladas soassem como Justin Bieber, as crianças comeriam mais vegetais", brincou Harbisson.
Ir ao supermercado é como ir a uma discoteca, conta ele. "As cores são incríveis. É muito mais divertido do que ir a uma floresta, que só tem tons de verde".

Quanto mais vívida a cor, mais alto é o volume da nota musical gerada, e quanto mais cores há, mais complexa é a composição que chega ao ouvido de Harbisson.

Ao tentar renovar seu passaporte britânico em 2004, ele foi informado de que não é permitido usar aparelhos eletrônicos na fotografia.

Depois de discussões com o governo, que envolveram cartas de seu médico e de sua universidade explicando sua condição de ciborgue --pessoa que usa elementos cibernéticos como parte de seu organismo--, ele foi autorizado a posar para a foto ostentando o olho eletrônico.

Em 2010, Harbisson criou a Fundação Ciborgue, uma "organização internacional para ajudar os seres humanos a se tornarem ciborgues e defender os direitos dos ciborgues".

A instituição já criou eyeborgs para crianças cegas do Tibete, instalou uma câmera na mão de um garoto que perdeu um dos dedos e criou para um rapaz surdo um dispositivo que converte sons em cores --espécie de earborg invertido.

"A fundação não é para reparar as pessoas, mas sim para ampliar seus sentidos, percepções e habilidades", afirmou Harbisson.

Fonte Folhaonline

Butantan cria teste rápido para achar causa de diarreia

Um teste simples e rápido, desenvolvido no Instituto Butantan, pode ajudar a diagnosticar a diarreia de forma mais precisa e orientar o médico na hora de escolher o tratamento adequado.

O exame se parece com os testes de gravidez vendidos em farmácias. Um papel é inserido em uma amostra das fezes do paciente e cada traço que aparece nele indica um entre três tipos da Escherichia coli, a principal bactéria causadora de diarreias.
Arte

Cerca de 30% das diarreias são causadas por bactérias, como a E. coli e a salmonela, por exemplo. O restante dos casos acontecem por infecção viral. As diarreias bacterianas, com origem em alimentos e água contaminados, são comuns no verão.

Quando o culpado é um vírus, o tratamento consiste em evitar a desidratação, segundo o infectologista Juvêncio Furtado, professor da Faculdade de Medicina do ABC.

Já no caso das bactérias, geralmente são usados antibióticos. Mas é preciso tomar cuidado especial com um tipo de diarreia, diagnosticado no teste e causado por toxinas liberadas pela E. coli.

A bactéria produtora da toxina shiga causou a morte de mais de 50 pessoas na Europa no ano passado --a origem da contaminação foi atribuída primeiro ao pepino espanhol e depois ao broto de feijão alemão.

Segundo Letícia Barboza Rocha, que desenvolveu o teste como pesquisa de doutorado no Instituto Butantan e na USP, o uso de antibióticos nesse caso pode romper a bactéria e provocar uma liberação maior de toxinas. Se não for tratado, o problema pode causar falência renal.

Esse tipo de bactéria não é muito comum no Brasil --há apenas casos esporádicos.

Segundo Roxane Piazza, bioquímica do Laboratório de Bacteriologia do Instituto Butantan e orientadora da pesquisa, um estudo da Escola Paulista de Medicina apontou que, só no Hospital São Paulo, ligado à universidade, houve 13 casos desse tipo de diarreia entre 2001 e 2004.

"Se os surtos acontecerem, queremos estar preparados para reconhecer a causa imediatamente e controlá-los."

Rapidez
Para Furtado, é importante determinar de forma rápida a causa da doença. "O exame de fezes demora alguns dias e a tomada de decisão precisa ser rápida. Se eu souber se é toxina ou bactéria, posso pensar em administrar ou não antibióticos."

Ele afirma, no entanto, que há outras bactérias causadoras de diarreia que não foram englobadas pelo teste.

Sandra de Oliveira Lopes, professora de infectologia pediátrica da Unifesp, diz que saber o que causa a infecção é essencial.

Hoje, a identificação do agente causador da doença é feita pela análise dos sintomas --bactérias causam febre mais alta e prostração. Mas a confusão pode levar a tratamentos errados.

"Quando há uma dificuldade de fazer o diagnóstico e diferenciar a causa, muitos pacientes acabam tomando antibióticos e nem sempre é o caso", afirma Furtado.

A expectativa é que o produto esteja disponível em até dois anos, segundo Piazza.

Fonte Folhaonline