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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Vetos ao Ato Médico são vitória do SUS e da população, avaliam profissionais de saúde

Brasília – Profissionais de saúde não médicos avaliam como uma vitória o veto parcial da presidenta Dilma Rousseff ao sancionar a lei  que regulamenta o exercício da medicina, conhecida como Ato Médico.
 
Um dos trechos vetados foi o Inciso 1 do Artigo 4º que estabelecia ser privativo aos médicos o diagnóstico e a prescrição terapêutica (tratamento) de doenças. Ao justificar o veto, a Presidência da República alegou que a medida iria afetar programas da rede pública de saúde, que funcionam com atuação de diversos profissionais de saúde. O inciso motivou protestos de diversas categorias, como fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos.
 
“A aprovação deste dispositivo traria restrições ao trabalho de outros profissionais de saúde. Hoje, por exemplo, pacientes com doenças como malária, tuberculose e dengue são diagnosticadas ou iniciam o tratamento com profissionais de enfermagem e têm acompanhamento por equipes compostas por médicos”, explica o governo, em nota.
 
Para a presidenta do Conselho Federal de Enfermagem, Márcia Krempel, quem ganha com o veto é a população e o Sistema Único de Saúde (SUS). “Com o veto, o SUS vai continuar funcionando de uma forma não hierarquizada, todos os profissionais tendo o mesmo peso e o mesmo valor”, disse.
 
O Conselho Federal de Psicologia (CFP) também comemorou a decisão do governo. De acordo com o conselho, se o trecho fosse sancionado, os psicólogos "não poderiam mais diagnosticar transtornos mentais". "Assim, o CFP apoia a decisão da presidente Dilma que, em seu veto, defendeu o Sistema Único de Saúde e a atuação integrada dos profissionais da área. A presidente ressaltou que a sanção do texto 'poderia comprometer as políticas públicas da área de saúde, além de introduzir elevado risco de judicialização da matéria'", diz nota do conselho.
 
A presidenta Dilma Rousseff vetou ainda dispositivos que impediam a atuação dos demais profissionais na indicação de órteses e próteses, inclusive oftalmológicas, uma das principais reivindicações dos optometristas, que atuam nos cuidados da visão e podem  prescrever o uso de óculos. De acordo com a categoria, caso o Ato Médico fosse sancionado integralmente, a profissão seria extinta, mesmo com curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação.
 
Agora, os vetos presidenciais serão apreciados pelo Congresso Nacional, que pode derrubá-los se entender necessário.  “Vamos ficar vigilantes e manter a categoria mobilizada para que o veto seja mantido”, disse Márcia Krempel.
 
Fonte Agência Brasil

Dilma sanciona Ato Médico com vetos

Brasília - A lei que regulamenta o exercício da medicina, o chamado Ato Médico, foi sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, com vetos. O texto aprovado, que estabelece atividades privativas dos médicos e as que poderão ser executadas por outros profissionais de saúde, está publicado na edição de ontem (11) do Diário Oficial da União.
 
O Artigo 4º, considerado o mais polêmico e que motivou protestos de diversas categorias da saúde, como fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos, teve nove pontos vetados, inclusive o Inciso 1º, que atribuía exclusivamente aos médicos a formulação de diagnóstico de doenças. A classe médica considera que esse ponto era a essência da lei. Já para as demais categorias o trecho representava um retrocesso à saúde. 
 
Pela lei, ficou estabelecido que caberá apenas às pessoas formadas em medicina a indicação e intervenção cirúrgicas, além da prescrição dos cuidados médicos pré e pós-operatórios; a indicação e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias. Também será de exclusividade médica a sedação profunda, os bloqueios anestésicos e a anestesia geral.
 
Já entre as atividades que podem ser compartilhadas com profissões da área da saúde não médicas estão o atendimento a pessoas sob risco de morte iminente; a realização de exames citopatológicos e emissão de seus laudos; a coleta de material biológico para análises laboratoriais e os procedimentos feitos através de orifícios naturais, desde que não comprometa a estrutura celular.
 
Ontem, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a regulamentação da atividade, mas defendeu a manutenção do "espírito de equipes multiprofissionais, com outros conhecimentos e competências, que são o conjunto das profissões de saúde". 
 
Fonte Agência Brasil

Exames: Mapeamento da retina

O que é
Exame detalhado de fundo de olho, ou seja, de vasos, nervo óptico e retina central e periférica. Exame mais elaborado, que avalia detalhes da retina com maior resolução em relação à fundoscopia.
 
Para que serve
É utilizado para avaliação de crianças com suspeitas de cicatrizes ou lesões tumorais, avaliação de adultos com indicação de cirurgia refrativa (correção de miopia, hipermetropia ou astigmatismo) ou de catarata e para a avaliação de portadores de doenças sistêmicas (hipertensão, diabetes, infecções, carcinomas) e de gestantes.
 
Como é feito
Para o exame é utilizado um aparelho chamado oftalmoscópio indireto e uma lente que o médico segura entre o olho e o aparelho. Esta lente (convergentes de grande aumento) permite a visualização das estruturas internas do olho.
 
Preparo
Antes do exame é necessário o uso de colírios que dilatam a pupila (midriáticos).
 
Valores de referência
O padrão de normalidade é a descrição qualitativa do fundo de olho e das eventuais alterações encontradas.
 
Fonte iG

Míopes estão mais sujeitos a descolamento de retina

A cirurgia para correção de miopia requer cuidados especiais
Em casos de alta miopia a retina é mais frágil. Dependendo da técnica cirúrgica para redução do grau, os riscos aumentam
 
Qualquer pessoa pode sofrer descolamento de retina – a camada interna do olho sobre a qual são projetados os estímulos luminosos, a partir dos quais o cérebro elabora as imagens.

Embora seja normalmente provocado por um trauma na cabeça ou na face, o descolamento também pode surgir sem qualquer motivo, devido a alterações do humor vítreo – substância gelatinosa e viscosa que preenche a porção entre o cristalino e a retina.
 
É possível, porém, míopes de alto grau (a partir de 5 graus) relatarem descolamento de retina após uma cirurgia de correção da miopia, também chamada de refrativa. Quanto maior o grau a ser corrigido, maior é a probabilidade do descolamento acontecer.
 
“O problema não está relacionado à cirurgia em si, mas sim à própria miopia – especialmente a partir dos cinco graus”, diz o oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, de São Paulo.
                          
“Os míopes têm globos oculares com dimensões maiores e retinas mais finas e frágeis, o que aumenta o risco de descolamento”, completa o oftalmologista Paulo Schor, professor adjunto livre docente e vice chefe do Departamento de Oftalmologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
 
Para diminuir esse risco, antes de realizar a cirurgia os pacientes com alta miopia em especial devem passar por uma avaliação médica criteriosa para só depois decidir pela técnica.

“O procedimento a laser, indicado para quem tem menos de oito graus, é o mais seguro. Mas vale lembrar que não existe risco zero. Uma das técnicas de cirurgia intra-ocular, na qual o médico tira a lente natural do olho e coloca outra, aumenta as chances de descolamento de retina. Isso porque esse olho é mais instável e nessa manipulação se retira a sustentação da retina. Essa técnica é feita apenas em casos muito especiais de alta miopia e se trata de uma cirurgia experimental, restrita a protocolos de pesquisa”, explica Schor.
 
Para quem tem alto grau de miopia ou já apresentou problemas na retina, os especialistas indicam primeiro tratar a retina.
 
“É um procedimento seguro, com laser. E o médico fica muito mais tranquilo ao indicar a operação. O paciente com retina já tratada pode passar a ser um bom candidato à cirurgia refrativa”, diz o médico da Unifesp.
 
Como identificar
O descolamento não provoca dor. O primeiro sinal do problema é notar pontos luminosos, como flashes, com o olho fechado. Depois, você sente perda de uma parte do campo de visão.
 
“Percebeu os flashes, perdeu uma parte do campo de visão e tem alta miopia, é provável que a retina tenha descolado. Trata-se de uma urgência oftalmológica. E quanto mais rápido for o atendimento especializado, menos dano a ocorrência causará ao olho”, diz Schor.
 
Segundo o especialista, uma vez que se descola, a retina começa a morrer. Se esse descolamento chegar à região central da visão (mácula) pode levar à cegueira.
 
Fonte iG

Tire suas dúvidas sobre a cirurgia de miopia

A cirurgia é rápida: bastam poucos segundos de ação do laser
 para que o grau seja corrigido
Técnicas para corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo são seguras, mas decisão pela mais adequada deve ser individual, orienta especialista
 
Dizer adeus aos óculos é um sonho de muitos. Com a promessa de zerar o grau, a cirurgia refrativa para correção de miopia, hipermetropia e astigmatismo tem sido cada vez mais procurada por aqueles que buscam uma visão perfeita sem o uso de lentes corretivas.
 
Mas antes de qualquer decisão, é preciso ter paciência. Conhecer como a cirurgia é feita e o que pode dar errado traz mais segurança para o paciente no procedimento – e conversar bastante com um especialista é um passo fundamental.
 
O oftalmologista Alfredo Tranjan, especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia e membro da Associação Médica Brasileira, falou ao iG sobre o diferentes tipos de cirurgia disponíveis hoje e esclareceu muitas dúvidas que surgem na hora de optar pela cirurgia. 
 
Os tipos
O oftalmologista explica que hoje existem 3 tipos de cirurgia mais utilizados: as técnicas Lasik, ILasik e PRK. A Lasik é feita com um aparelho chamado microcerato. Ele corta fisicamente (com uma fina lâmina) a região ao redor da pupila e levanta a córnea recortada para que o laser corrija o grau.
 
A técnica mais comum, por ter uma recuperação cirúrgica mais rápida, é a ILasik, que consiste em fazer um flap na córnea do paciente com o laser.
 
"Fazer um flap é recortar com laser uma ‘tampinha’ que recobre a pupila e então aplicar o laser específico para a correção do grau”, explica o médico.
 
Tanto a técnica Lasik como a ILasik são indicadas somente para pacientes que têm de 4 até 9 graus de miopia, dependendo da curvatura e da espessura da córnea.
 
“Depois disso, o resultado não fica bom”, alerta o oftalmologista.
 
Já a PRK é uma técnica que raspa a córnea, em vez de cortá-la.
 
“Raspamos apenas as células do epitélio, que é a primeira camada da córnea, com um bisturi específico para o olho. O paciente não pisca e é anestesiado. A técnica é indolor”, afirma Tranjan.
 
Depois de raspar o epitélio, é só enxugar a córnea com uma esponja e aplicar o laser, que é o mesmo usado nas técnicas Lasik e ILasik. Após a correção, o médico coloca uma lente de contato gelatinosa, que permanece até 72h no local, para a recuperação do epitélio.
           
Trajan explica que a primeira camada da córnea, o epitélio, tem um alto poder de regeneração.
 
“Ele sempre se regenera, não existem casos de que não tenha se regenerado. Normalmente essa camada se recompõe em 48 horas”, diz.
 
“Quando acontece um trauma na córnea, entre 48 e 72 horas ela está totalmente recuperada”.
 
A recuperação nessa cirurgia, porém, é mais lenta do que nas outras duas técnicas. Ela também não é recomendada para quem tem graus acima de 4.
 
“Praticamente não há complicações no PRK. Quando você trabalha com o microcerato, se acontecer alguma coisa, coloca lente e espera regenerar”, explica o oftalmologista.
 
A aplicação do laser corretivo em todas as cirurgias não dura mais do que 8 segundos para cada olho. No caso do Lasik, em que há necessidade de cortar a córnea com um microcerato, isso leva cerca de 20 segundos. No ILasik, quando o corte é feito pelo laser, a duração é de 10 segundos. No PRK, a raspagem do epitélio também leva cerca de 10 segundos.
 
Riscos
Toda cirurgia é um risco. Porém, mesmo sendo em um órgão tão nobre do corpo, a cirurgia refrativa não coleciona um histórico pessimista. O oftalmologista Alfredo Tranjan explica que não existe o risco de uma pessoa ficar cega fazendo a cirurgia.
 
“Fazemos uma série de exames para saber se o olho é sadio. Além de ver o grau, medimos a pressão do olho, verificamos se a retina está íntegra e se não existem outras anomalias dentro do olho. Se tudo estiver sadio, é seguro operar”, explica.
 
Uma das preocupações mais comuns em que está pensando em se submeter ao procedimento é o descolamento do flap, a camada de córnea que é parcialmente levantada na cirurgia.
 
“É muito raro descolar, precisa acontecer um trauma muito forte no olho, porém pode acontecer em qualquer época da vida, mesmo anos depois da cirurgia. Nos últimos 20 anos só vi dois casos, em pacientes que praticavam esportes radicais. Mas é necessário alertar aqueles que vão fazer a cirurgia”, conta Tranjan.
 
Segundo Tranjan, o descolamento do flap não é motivo de pânico, pois o problema tem conserto.
 
“É só repor na mesma posição, porém o período de recuperação vai variar de 15 a 20 dias”, explica.
 
Outro receio muito relatado é o medo do flap descolar quando a pessoa coça os olhos.
 
“O olho não foi feito para ser coçado. Se coçar o olho no pós-operatório imediato, vai atrapalhar a cirurgia. Está tudo frágil, ainda não está aderido. Pode ser que tenha que esperar o epitélio se regenerar de novo”, alerta.
 
“Todo mundo que opera acaba nunca mais coçando o olho, de tanto temor. As pessoas fazem compressas geladas e a coceira passa."
 
A recomendação médica é que, após a cirurgia, o paciente fique 30 dias sem entrar no mar e sem ir à academia.
 
“Ele poderia voltar tudo em 1 semana, pois esse é o tempo de recuperação, mas como as pessoas costumam abusar, ou talvez o risco de tomar uma cotovelada no olho, por exemplo, recomendamos 30 dias.”
 
Existe, porém, o risco do flap cicatrizar errado ou literalmente enrugar, caso a pessoa esfregue o local. Se isso acontecer, será preciso voltar ao médico, que lavará, hidratará e colocará o flap na posição normal.
 
"Quando o flap enruga, o paciente vai começar a enxergar embaçado, porém não sentirá dor”, diz o oftalmologista, recomendando que o paciente vá ao médico assim que perceba algo errado.
 
Olho seco
Quem conhece várias pessoas que já se submeteram à cirurgia refrativa, provavelmente já ouviu alguém reclamar de que ficou com o olho seco.
 
“Existem duas causas para olho seco. Uma delas é uma doença, e a pessoa deve fazer o teste de Schirmer para medir a quantidade de lágrimas. Se for insuficiente, não indicamos a cirurgia. Outros podem ter olho seco por conta de uma doença na pálpebra, a blefarite. Essa doença altera a composição da lágrima, mas é tranquilamente curada com pomadas e xampús”, explica Trajan.
 
No caso do olho seco pós-operatório, Tranjan explica que, como a curvatura da córnea é alterada, existe uma distribuição diferente das lágrimas na superfície do olho, uma situação que dura de 30 a 90 dias.
 
“Depois isso tudo volta ao normal, por isso receitamos colírios de lágrimas artificiais nesse período. Se o paciente trabalha sob o sol ou no ar-condicionado, a sensação de olho seco vai aparecer por um tempo maior. Nesse caso, a recomendação é evitar o sol e usar óculos de sol. No caso do ar condicionado, usar a lágrima artificial”, recomenda.
           
E se a miopia voltar? O oftalmologista esclarece que esse problema era mais comum nos lasers antigos, pois o tipo de aplicação não era personalizado para as características individuais de cada paciente. 
 
“Hoje em dia é muito difícil de acontecer. Trocamos pelos lasers da nova geração há um ano e meio”.
 
Para fazer a cirurgia é necessário ter mais que 21 anos, ter o grau estabilizado e estar há ao menos três dias sem usar lentes de contato, pois elas alteram a curvatura da córnea e com isso impedem  oftalmologista de mensurar o grau correto. Também necessário avaliar com cuidado a real necessidade de fazer a cirurgia.
 
“É importante analisar caso a caso. Um arquiteto, por exemplo, trabalha muito com detalhes, minúcias, e precisa ter uma visão perfeita para perto. E se a cirurgia não ficar exatamente como ele espera? Ele provavelmente ficará insatisfeito. O mais importante sempre é garantir a qualidade de visão. A conversa do médico com o paciente é muito importante”, diz.
 
Fonte iG