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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Saiba por que homens e mulheres sentem dor em intensidades diferentes

 Gonza Rodriguez/Arte ZH
Descobertas recentes abrem portas para tratamentos focados nas características de cada gênero
 
Elas passam pela dor do parto e garantem que não há nada mais sofrido. Eles afirmam que a pior dor do mundo é um chute entre as pernas. Para elas, a sensibilidade a uma enxaqueca muda conforme o período do mês. Para eles, costuma ser estável e aguda. Quando o assunto é dor, a ciência não deixa dúvidas: a igualdade de gêneros não tem vez. São eles os que resistem mais.
 
O impacto da dor segundo o sexo do paciente é um assunto que ainda intriga a ciência. Já é consenso que as mulheres sofrem com maior intensidade e frequência mesmo quando são acometidas pelas mesmas doenças que os homens — sejam elas uma artrite, dor de cabeça ou muscular. As explicações para isso são muitas e estão ganhando novos contornos.
 
Durante muito tempo, acreditou-se que os grandes responsáveis eram os hormônios. Como elas possuem menor concentração de testosterona (hormônio masculino que ajuda na redução da dor), teriam um limiar muito mais baixo para o problema.
 
Mas novos estudos mostraram que as diferenças são muito mais complexas e podem estar também em outro lugar: o cérebro. Ao induzir voluntários a diferentes estímulos dolorosos, pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, acompanharam a resposta cerebral por ressonância magnética e concluíram que os circuitos de interpretação da dor não são os mesmos em homens e mulheres.
 
Como consequência, estratégias para interromper a sensação dolorosa podem funcionar para eles, mas não para elas. Mesmo assim, ainda hoje as recomendações para tratamentos seguem sendo as mesmas para ambos os sexos.
 
Muito mais do que aliviar a curiosidade, essas descobertas estão abrindo as portas para o desenvolvimento de novos tratamentos, focados nas características de cada gênero.
 
Foi a partir dos anos 1990 que o tema das diferenças de gênero sobre dor e analgesia ganharam maior destaque clínico e científico. Além da constatação de que as mulheres são mais sensíveis, estudos epidemiológicos do Instituto Nacional de Saúde, nos Estados Unidos, indicaram que elas também são as mais suscetíveis a uma série de doenças, como artrite, fibromialgia e distúrbios nas articulações da face. Saiba o que a ciência tem investigado sobre o assunto.
 
Oscilações hormonais
Conforme dados reunidos pela Associação Internacional para o Estudo da Dor, a oscilação hormonal tem consequências para as mulheres muito mais sérias do que as mudanças no humor tão comuns na TPM.
 
— Há estudos que mostram que determinadas fases do ciclo menstrual estão relacionadas com a maior sensibilidade à dor. Curiosamente, esses efeitos não são encontrados em mulheres que usam contraceptivos orais, que passam a ter um perfil hormonal mais estável. Isso sugere que os hormônios sexuais podem desempenhar um papel importante para explicar a variação no limiar da dor — afirma Luís Josino Brasil, professor da Clínica de Dor do Complexo Hospitalar Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.
 
É o que defende também a neurologista Camila Pupe, membro da Sociedade Brasileira de Neurologia. Conforme a especialista, os hormônios sexuais influenciam todo o sistema nervoso periférico e central e, provavelmente, contribuem de forma importante para as diferenças entre gêneros na percepção da dor. Para elas, além das mudanças mensais, os níveis hormonais se alteram significativamente durante e após a gravidez e a menopausa. Enquanto isso, os homens estão expostos a flutuações muito menores nos níveis hormonais ao longo da vida.
 
Fatores sociais e psicológicos
A sensação de dor também é envolta em aspectos subjetivos, como a relação com as emoções e o contexto social. Adivanio Cardoso Americo, anestesiologista do Serviço de Dor e Medicina Paliativa do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, acredita que a percepção da dor está diretamente ligada a questões emocionais:
 
— A dor é uma experiência sensorial e emocional, sempre de aspecto individual. Ela é influenciada pela estrutura de personalidade, pelo estado de humor e pelo nível de ansiedade de cada um. E isso independe do gênero.
 
Já para Silvia Regina de Siqueira, diretora científica da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor, o aspecto cultural é o que traz mais impacto:
 
— Pela forma como as meninas são criadas, existe uma tendência de aceitar mais que a mulher demonstre seus sentimentos, entre eles a dor. E isso tem um lado positivo, que é o fato de elas se sentirem mais à vontade para buscar tratamentos. Já o homem reluta mais em admitir que precisa de auxílio, e isso pode prejudicar a saúde.
 
Diferentes interpretações no cérebro
Uma hipótese levantada por um grupo de 21 cientistas e publicada na revista científica Nature Neuroscience em junho deste ano reforçou que as diferenças entre eles e elas estão também no circuito de interpretação da dor, que vai desde o sistema imune até a forma como as informações são recebidas e decodificadas no cérebro.
 
Experimentos feitos em ratos já haviam mostrado que as micróglias, células que fazem parte do sistema de defesa do organismo, exerciam uma importante função no processamento da dor. Quando ativadas por inflamações e ferimentos, entre outros fatores, elas estimulavam o cérebro a sentir dor. Só que, enquanto nos machos o alívio dos sintomas era interrompido quando o funcionamento dessas células era bloqueado, nas fêmeas o mesmo não ocorreu.
 
Nelas, é outra célula do sistema de defesa (as chamadas células T) a responsável por dar o mesmo sinal de dor. Por essa razão, interromper o funcionamento das micróglias era inútil para as fêmeas.
 
— Existe um mecanismo alternativo ligado ao sistema imune de ratas fêmeas, que mantém a dor e sugere a importância de individualizar as pesquisas por sexo. Descobrir que elas processam a dor de modo diferente ajuda também a focar em terapias diferenciadas para cada gênero — complementa o anestesiologista Luís Josino Brasil.
 
O futuro dos tratamentos
As descobertas recentes sobre o tema têm elucidado muitas questões sobre a dor, mas convergido para uma dúvida em comum: os tratamentos precisam, então, mudar de acordo com o sexo?
 
Silvia Regina de Siqueira afirma que sim. Conforme a especialista, pesquisas mostram, por exemplo, que machos apresentaram melhores respostas aos opioides — analgésicos à base de ópio — do que fêmeas. Isso já está induzindo muitos médicos a ajustar as doses de analgésicos conforme o gênero do paciente.
 
— Esse é um começo, mas futuramente teremos muitas mudanças para fazer a partir dessas descobertas, focando as terapias conforme as diferentes respostas de cada sexo — conclui Regina.
 
Dores mais comuns neles— Dor causada por doenças cardíacas coronarianas
— Pancreatite crônica
— Gota (um tipo de artrite)
— Dores musculares e ósseas decorrentes de traumas
 
Dores mais comuns nelas
— Enxaqueca
— Dores na coluna
— Fibromialgia
— Dores abdominais
 
Zero Hora

Anvisa suspende fabricação e venda de marca de enzima digestiva lactase

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu ontem (10) a fabricação, distribuição e comercialização de todos os lotes da enzima digestiva lactase da marca Digelac, fabricada pela Vida Forte Nutrientes Indu stria e Comércio de Produtos Naturais Ltda. O produto é uma alternativa para a ingestão de leite e de seus derivados para as pessoas que têm intolerância à lactose
 
Segundo resolução da Anvisa da última sexta-feira (7), publicada ontem (10) no Diário Oficial da União, o produto teve autorização para ser produzido e comercializado como “aditivo alimentar”, mas estava sendo vendido como “coadjuvante de tecnologia de fabricação”.
 
Conforme resolução da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, que regulamenta a classificação e os empregos dos aditivos alimentares, os aditivos alimentares são ingredientes adicionados intencionalmente aos alimentos, sem propósito de nutrir, com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, durante a fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, transporte ou manipulação de um alimento. Ao ser agregado, eles podem se converter como componente do próprio alimento.
 
O coadjuvante de tecnologia de fabricação é toda substância, excluindo os equipamentos e os utensílios utilizados na elaboração ou conservação de um produto, que não se consome por si só como ingrediente alimentar e que se emprega intencionalmente na elaboração de matérias-primas, alimentos ou seus ingredientes, para obter uma finalidade tecnológica durante o tratamento ou fabricação. A substância, contundo, deverá ser eliminada do alimento ou inativada, sendo admitida no produto final a presença de traços de substância, ou seus derivados.
 
A Agência Brasil entrou em contato com a Vida Forte Nutrientes Indústria e Comércio de Produtos Naturais Ltda, fabricante do produto, que ainda não se pronunciou sobre a determinação da Anvisa.

Agência Brasil

Incontinência fecal atinge até 24% da população

Sociedade Brasileira de Coloproctologia alerta que problema é mais prevalente em idosos e mulheres pós-menopausa. Bons hábitos alimentares ajudam na prevenção
 
Doença pouco falada, a incontinência fecal atinge, de acordo com estimativas mundiais, de 2% a 24% da população, sendo mais prevalente entre idosos e mulheres após a menopausa (especialmente as submetidas a parto vaginal). De prevenção fácil, a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) alerta sobre os cuidados necessários para evitar a doença, que pode ter diversas causas.
 
A primeira dica é manter o bom funcionamento do intestino – por meio da ingestão diária de cerca de duas colheres de sopa de fibras como farelo de trigo, aveia, linhaça e chia, além de dois litros de água – e evitando-se partos vaginais traumáticos. É recomendável também que os portadores de afecções colorretais procurem o coloproctologista o mais breve possível a fim de evitar cirurgias complexas.
 
Entre as causas do problema estão: traumas na região anorretal em razão de parto vaginal, cirurgias proctológicas e colorretais na região baixa do intestino, traumas perineais, associados ou não a fatores como idade, esforço excessivo para evacuar em pacientes cronicamente constipados, doenças associadas incluindo diabetes, doenças neurológicas, acidente vascular cerebral e esclerose múltipla.
 
“A incontinência fecal consiste na perda involuntária do conteúdo intestinal (gases, muco, fezes líquidas ou sólidas), sendo decorrente de alterações nos fatores que mantêm a continência fecal, como: integridade da musculatura esfincteriana e da inervação da região, além do trânsito intestinal, consistência das fezes, distensibilidade e sensi­bilidade retal, sensibilidade do canal anal e integridade dos reflexos retoanais”, explica Sthela Maria Murad Regadas, membro titular da SBCP. De acordo com a médica, o mais importante é o reflexo retoesfinctérico, que permite o discernimento do conteúdo intestinal. “Há receptores localizados no canal anal com conexões nervosas interligadas que permitem distinguir se o que chegou para ser expelido são gases, fezes líquida ou sólida. Isso ocorre aproximadamente sete vezes por dia”, completa.
 
A incontinência fecal não possui associação com fatores congênitos, portanto a existência de casos na família não aumenta as chances de uma pessoa apresentar o problema.
 
Tratamentos
O tratamento vai depender da causa e da gravidade da incontinência fecal. “Avanços na anatomia e na fisiopatogenia das doenças e formas de trauma que podem causar incontinência fecal resultaram em diversas opções de tratamento, desde medidas clínicas a orientações dietéticas e estilo de vida”, explica Sthela Maria Murad Regadas.
 
Entre as opções disponíveis estão: reabilitação do assoalho pélvico (estímulos associados a exercícios de fortalecimento da musculatura pelve-perineal); injeção de substância de preenchimento no canal anal para tentar restaurar a anatomia; radiofrequência (estímulo do fechamento do canal anal); neuromodulação sacral (implantes de neuromoduladores que realizam estímulos nervosos constantes e permanentes na região sacral a fim de manter a musculatura pélvica em constante estímulo).
 
“Podem ser indicados ainda a esfincteroplastia (cirurgia para refazer a musculatura esfincteriana, restabelecendo o canal anal e o corpo perineal e mantendo a distância anatômica entre o canal anal e a vagina) e até o implante de esfíncter artificial, que visa a manter o canal anal fechado, permitindo a abertura somente no momento da expulsão das fezes”, esclarece a médica.
 
EFE Saúde

Bonebridge: o primeiro implante ativo de condução óssea está disponível no SUS

Para ter acesso à nova tecnologia, os pacientes com perda auditiva precisam passar por avaliação médica em um dos 28 centros credenciados pelo Ministério da Saúde que estão distribuídos pelo País
 
Brasileiros portadores de deficiência auditiva poderão ter acesso gratuito à tecnologia de última geração no Sistema Único de Saúde (SUS), a cirurgia do bonebridge, que foi aprovada pelo Ministério da Saúde (MS).
 
É o primeiro implante de condução óssea ativo do mundo desenvolvido pela austríaca Med-El, empresa líder no mercado de soluções auditivas implantáveis em todos os continentes. A tecnologia Bonebridge ajuda pessoas com perda auditiva condutiva e mista que não possuem benefícios com os aparelhos auditivos convencionais, assim como pacientes que têm perda auditiva de um ouvido só (perda unilateral).
 
Para realizar o tratamento com Bonebridge, o paciente necessita passar pela avaliação médica em um dos 28 centros credenciados pelo Ministério da Saúde e que estão localizados em diversas cidades por todo o país.
 
Uma outra boa notícia para os pacientes é a portaria 2.776, que trouxe um grande avanço para o tratamento cirúrgico da perda auditiva, ampliando o orçamento para cerca de R$ 70 milhões em 2015.
 
Sistema bonebridge
O Bonebridge é um sistema de implante de condução óssea inovador formado por duas partes: o implante e o processador. O primeiro fica situado no osso atrás da orelha de forma invisível sob a pele, mantendo a mesma íntegra e minimizando possíveis complicações. Já a segunda parte é o processador de áudio externo usado por trás da orelha.
 
Ele é mantido diretamente em cima do implante, por meio de atração magnética e, portanto, pode ser colocado de forma discreta e confortável por baixo do cabelo. Em harmonia com a estrutura auditiva do paciente, as ondas sonoras são transmitidas via estimulação transcutânea para o implante, que as conduz ativamente fazendo com que o osso vibre e, posteriormente, essa vibração vai para o ouvido interno onde é processado como som.
 
De acordo com o Marcela Stefanini, fonoaudióloga pela Universidade de São Paulo e especialista em Audiologia Clínica e Educacional da Med-El, somente após a análise da equipe médica, o paciente saberá qual a sua necessidade e será recomendada a cirurgia para a colocação do implante de condução óssea.
 
Como funciona
 
 
Um outro diferencial é que o dispositivo pode ser ativado entre duas e quatro semanas depois da cirurgia. A ativação é realizada por meio da programação do processador de áudio de acordo com as necessidades individuais do usuário. Com aparelhos de outras marcas, os pacientes chegam a esperar até três meses após a cirurgia para ativar o dispositivo.
 
Você sabe como funciona a audição?
Primeiro, o som é captado pelo ouvido e transmitido por meio do canal auditivo para o tímpano. Por sua vez, o tímpano converte o som recebido em vibrações que movimentam a cadeia ossicular e transmitem a estimulação acústica para a cóclea. O fluído coclear é colocado em movimento e estimula as células ciliadas. A partir daí, geram sinais elétricos que são transmitidos pelo nervo auditivo para o cérebro e esse impulso cerebral é interpretado como som.
 
O ouvido humano está dividido em três partes:
1. Ouvido externo formado pelas partes visíveis do ouvido e do canal auditivo.
 
2. Ouvido médio, que consiste principalmente no tímpano e nos três ossículos que formam a cadeia ossicular.
 
3. Ouvido interno é o órgão da audição propriamente dito e chama-se cóclea.
 
 
Tipos de perda auditiva
Perda auditiva condutiva: é muitas vezes causada por malformações do ouvido ou por infecções graves no ouvido médio.
 
Perda auditiva sensorioneural: ocorre quando há falta ou danos das células ciliadas da cóclea ou em outra estrutura coclear.
 
Perda auditiva mista: é a combinação da perda auditiva sensorioneural e condutiva.
 
Perda auditiva unilateral: caracteriza-se pela perda da função auditiva de um lado. Apesar dos pacientes ouvirem com o outro ouvido, continuam tendo dificuldades em ouvir a conversa do lado comprometido, em entender o discurso nos ambientes ruidosos e localizar de onde vem o som.
 
EFE Saúde

Anvisa registra novo medicamento anticonvulsivante

A Anvisa publicou, no Diário Oficial da União desta segunda-feira (10/8), o registro do medicamento Keppra ® (levetiracetam). Este é o 13º medicamento novo registrado na Agência em 2015
 
O Keppra ® é um anticonvulsivante que se apresenta sob a forma de comprimido revestido nas concentrações de 250mg e 750mg e de solução oral na concentração de 100mg/mL.
 
A formulação é indicada para o tratamento da epilepsia.
 
ANVISA