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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Droga secreta contra o ebola é derivada da planta do tabaco

Foto: Youssouf Bah / AP: Segundo o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas,
Anthony Fauxi, há um número escasso de doses
Pacientes que receberam o medicamento estão melhorando, segundo parentes
Sediada em San Diego, uma pequena empresa forneceu um tratamento experiencial de ebola para dois americanos infectados com o vírus na Libéria. A droga, produzida com plantas de tabaco, parece estar funcionando.

A Mapp Biopharmaceutical Inc, que tem apenas nove funcionários, liberou a droga experimental ZMapp para os dois trabalhadores da equipe médica. Até agora, o medicamento havia sido testado somente em animais infectados. A Kentucky BioProcessing LLC, uma subsidiária da gigante do tabaco Reynolds American Inc., fabrica a droga para a Mapp com plantas de tabaco.

O médico Kent Brantly foi transferido da Libéria para Atlanta no dia 2 de agosto, e está sendo tratado no Hospital da Universidade Emory. Ele foi o primeiro a receber o tratamento. Nancy Writebol, uma agente humanitária, deve chegar em Atlanta nesta terça-feira e será tratada no mesmo hospital, de acordo com a instituição de caridade em que ela trabalha. Ambos estão melhorando, segundo parentes.

O diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, Anthony Fauxi, informou que cada paciente recebeu pelo menos uma dose do ZMapp na Libéria antes de vir para os EUA. “Há um número muito escasso de doses”, alertou e complementou que também não há certeza sobre quantas doses cada paciente precisa.

O Globo

Projeto de tela pode corrigir a visão sem a necessidade de o espectador usar óculos

http://potencialgestante.com.br/wp-content/uploads/2010/11/eye-1024x768.jpgTecnologia vem sendo desenvolvida em colaboração com pesquisadores do MIT e da Microsoft 

Um grupo de cientistas da Universidade da Califórnia está desenvolvendo um novo tipo de tecnologia de tela que pode corrigir problemas de visão sem a necessidade de o espectador usar óculos. A tecnologia, ainda nos estágios iniciais, está sendo desenvolvida em colaboração com pesquisadores do MIT e da Microsoft.

Colocada sobre um iPod Touch, a tela de plástico dotada de milhares de pequeninos buracos permite que um software especial ajuste a quantidade de luz emitida por cada pixel. O display entende como os olhos vão tentar distorcer o que está sendo mostrado na tela, e ajusta a imagem para caber. O professor de ciência da computação da Universidade da Califórnia, em Berkeley, Brian A. Barsky, coautor do projeto, explicou que nem só quem usa óculos será beneficiado.

- Há pessoas que têm problemas de visão tão sérios que nem o uso do óculos adianta - afirmou Barsky.

Ele explicou, ainda, que essa foi a principal motivação do projeto: conseguir simular a visão de uma pessoa por meio da medição do que está acontecendo em seus olhos, para poder avançar um passo e até corrigir a visão. 

Se a tela tiver uma resolução altíssima, a tecnologia poderá ser modificada para trabalhar com mais de uma pessoa. 

Apesar de promissor, o projeto está longe do produto final. Do jeito que está hoje, o dispositivo exigiria que o indivíduo ficasse com os olhos parados para funcionar, algo impossível, já que movimentamos a cabeça naturalmente por diversas razões.

O Globo

Tomar paracetamol para curar ressaca pode causar lesão hepática

Reprodução: O paracetamol é considerado seguro em doses terapêuticas
Imagine o cenário: você bebeu demais na noite anterior e acorda com aquela dor de cabeça terrível. Qual a sua primeira reação?

Se você respondeu “tomar um paracetamol”, precisa ter cuidado. Ingerir alguns comprimidos do medicamento para curar ressaca pode causar uma lesão hepática fulminante, segundo a farmacêutica Silvana Maria de Almeida, do Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo. O cuidado vale mesmo se a dosagem for menor do que a diária recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que é de até 4.000 mg. Segundo ela, o álcool associado ao paracetamol também pode provocar sangramentos no estômago.

Esses são apenas alguns dos riscos que o uso indiscriminado do paracetamol, um dos medicamentos mais populares no mundo no combate à dor e à febre, pode acarretar para a saúde.
A substância pode ser encontrada em comprimidos, em gotas ou ainda como princípio ativo de outros medicamentos. O paracetamol é facilmente adquirido nas farmácias, sem prescrição. Apesar de ser considerado um medicamento seguro e eficaz, é preciso que o paciente fique atento e respeite a dosagem recomendada –cometer exageros é mais fácil do que se imagina.

Para ultrapassar os 4.000 mg recomendados pela OMS, basta ingerir cerca de seis comprimidos dos “extra fortes” num período de 24 horas, ou ingerir os comprimidos associados a outros medicamentos que também contenham o princípio ativo.

“O paracetamol é considerado seguro em doses terapêuticas. É preciso ficar atento, pois este princípio ativo também faz parte da composição de uma série de medicamentos, sendo fácil tomar o dobro da dose”, aponta o gastroenterologista Henrique Boruchowski, do Hospital Samaritano de São Paulo.

Segundo Silvana Maria de Almeida, a superdosagem pode ser fatal. “O uso indiscriminado pode levar a dano hepático, anafilaxia [reação alérgica grave] e outras reações adversas como prurido [coceira], problemas gastrintestinais, náusea, vômito, dor de cabeça, insônia, agitação, atelectasia [colapso pulmonar], Síndrome de Steven-Johnson (com erupção nas mucosas, olhos, nariz, vagina etc), necrólise epidérmica tóxica e penumonite”, explica.

Fígado
A maior preocupação ao se usar o medicamento em excesso está ligada aos danos que pode causar ao fígado. Após ser ingerido e processado pelo organismo, uma das sobras desse processo é o composto NAPQI, que é tóxico. Doses altas do medicamento fazem com que o NAPQI fique acumulado no fígado, atacando as moléculas que formam as membranas das células hepáticas e levando-as à morte. Se não for interrompido, o processo pode levar à falência do fígado e à morte do indivíduo.

Se para obter uma superdosagem basta ir à farmácia mais próxima, detectar os sintomas não é tão fácil assim. De acordo com estudo publicado pelos pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, no periódico “British Journal of Clinical Pharmacology” em 2011, a superdosagem da droga é difícil de ser percebida, pois os sintomas podem ser confundidos com a doença a ser combatida pelo medicamento: vômito, náusea e dor abdominal.

Em geral, os sintomas se manifestam quatro horas depois da superdosagem. Após um período de 24 horas, há convulsões e a piora do quadro. Em 72 horas, com a destruição do fígado, o organismo não metaboliza mais a amônia, que se acumula no corpo e pode provocar morte cerebral. Para reverter uma intoxicação, é preciso receber tratamento com N-acetilcisteína nas primeiras 24 horas.

“Nos casos de intoxicação leve a moderada, após o primeiro dia da ingestão, os pacientes podem permanecer assintomáticos ou apenas desenvolver náusea, vômito e dor abdominal. Nos casos graves de intoxicação, pode haver falência hepática, incluindo coagulopatia e encefalopatia hepática. Os pacientes devem procurar um serviço de saúde rapidamente para que possa ter os cuidados necessários”, aponta Silvana Maria de Almeida, do Hospital Israelita Albert Einstein.

O paracetamol é responsável por cerca de 1.500 mortes nos últimos dez anos, de acordo com pesquisa realizada pela ONG de jornalistas Pro Publica. O medicamento é a principal causa de insuficiência hepática e de indicação de transplante de fígado nos Estados Unidos, com quase 800 casos nos últimos 15 anos. Por isso, a FDA (Food and Drug Administration), agência norte-americana que regula alimentos e medicamentos, vem tomando uma série de medidas para controlar o uso do paracetamol.

Em janeiro deste ano, a FDA publicou uma norma recomendando a médicos que não prescrevessem medicamentos com dosagem superior a 325 mg de paracetamol associados a outras substâncias.

Cuidados
Medicamentos como a domperidona ou a ametodopromida podem aumentar a absorção do paracetamol, intensificando seu efeito. O risco de intoxicação com doses acima de 8.000 mg é de quase 100%. Já entre 3.000 mg e 8.000 mg, depende de outros aspectos, como o consumo de álcool ou de outros medicamentos, como anticoagulantes e alguns tipos de anticonvulsivantes.

Mas é a ingestão do medicamento com bebidas alcoólicas que merece atenção redobrada. “Nos casos em que pacientes utilizam mais de três doses de bebida alcoólica por dia, o medicamento pode apresentar interação com o uso concomitante da bebida alcoólica”, diz a farmacêutica Silvana Maria de Almeida. O álcool interfere na disponibilidade de glutationa, causando lesão hepática.

Crianças e idosos também devem tomar cuidado com o medicamento. “Idosos são mais propensos a doenças hepáticas e renais, portanto devem ser monitorados durante o uso de paracetamol. Em crianças, doses acima de 200 mg/kg podem potencialmente causar toxicidade. Este limiar é mais alto porque as crianças têm os rins e fígado proporcionalmente maiores ao tamanho do corpo do que os adultos e, por isso, são mais tolerantes à superdosagem de paracetamol que os adultos”, explica o gastroenterologista Henrique Boruchowski.

Os especialistas recomendam que, no caso do uso do paracetamol não apresentar a eficácia necessária –ou seja, se a dor persistir–, não se deve aumentar a dose, mas sim buscar ajuda médica que indique outra alternativa ao medicamento. “Os problemas do uso indiscriminado do paracetamol, e também de outros medicamentos, podem ser evitados através da consciência de não praticar a automedicação. O melhor a se fazer é sempre procurar usar medicamentos prescritos pelo médico, seguindo suas orientações e do farmacêutico”, recomenda Silvana de Almeida.

UOL

Ensaios Clínicos: Anvisa publica duas consultas públicas

Neste mês de Agosto, a Anvisa publicou duas consultas públicas referentes a ensaios clínicos. Participe você dando sua opinião.

1. Consulta Pública n° 64, de 01/08/2014 – DOU 04/08/2014
Proposta de Resolução da diretoria colegiada que dispõe sobre Ensaios Clínicos com Dispositivos médicos Conduzidos no Brasil.
– Prazo para contribuição: 11.08 – 11.09.2014 

Acesse esta consulta pública

2. Consulta Pública n° 65, de 01/08/2014 – DOU 04/08/2014
Proposta de Resolução da Diretoria Colegiada que dispõe sobre ensaios clínicos com medicamentos conduzidos no Brasil.
– Prazo para contribuição: 11.08 – 11.09.2014

Dirceu Barbano revela sua maior missão à frente da Anvisa

http://www.anvisa.gov.br/bancodeimagensanvisa/Dirceu%20Barbano/content/bin/images/large/dirceu20.jpgDirceu Barbano revela sua maior missão à frente da Anvisa 

Há mais de cinco anos como membro da diretoria e ocupando o cargo de diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é possível dizer que Dirceu Barbano foi testemunha de boa parte dos 15 anos de história do órgão. Responsável por “uma tarefa que não é fácil”, como ele mesmo admite, o farmacêutico e professor com longa carreira no setor público defende com ênfase o papel desempenhado pela regulação na história recente da vigilância sanitária no País. r

O diretor não titubeia ao defender a atuação da autarquia e as medidas adotadas para tornar mais célere o processo de inspeção e aprovação de novos produtos para o setor de saúde, mesmo sob fogo cerrado da indústria. A Revista Saúde Business conversou com Barbano por e-mail. Veja abaixo os melhores momentos.

Revista Saúde Business: Quais são os principais desafios da Agência? Que avanços você destaca durante seu mandato e quais ainda espera alcançar?
A Agência elegeu como prioridade a análise de pedidos de registro de produtos e equipamentos médicos e incluiu uma meta específica no seu Plano de Trabalho, firmado com o Ministério da Saúde, que prevê “prazo médio da primeira manifestação de análise das petições de cadastro e registro de produtos para a saúde abaixo dos 90 dias” e “zerar os processos em estoque há mais de 180 dias sem a primeira análise”. No ano de 2013, foram consolidadas diversas ações com o objetivo de modernizar a gestão da Anvisa, proporcionando um ambiente regulatório estável, previsível e eficiente e assegurando o acesso a tecnologias de saúde eficazes, seguras e de qualidade. Um importante marco regulatório sanitário foi atualizado com a publicação, em agosto de 2013, do Decreto nº 8.077. (...) Com o novo decreto, a Anvisa passa a ter competência para definir quesitos mais compatíveis com o ambiente técnico e regulatório atual.

SB: No geral, as agências reguladoras brasileiras são muito questionadas. As críticas incluem aparelhamento, falta de capacidade técnica, lentidão, excesso de influência política... Como você encara essas opiniões, no caso da Anvisa?
As agências reguladoras são inovações de grande importância para administração pública brasileira. Mas a tarefa que executam não é fácil. No caso específico da Anvisa, a agência tem sido protagonista na adoção de iniciativas de gestão que reforçam o trabalho técnico. O processo de seleção pública para ocupação de cargos comissionados de alto escalão foi instituído pela Anvisa em 2012 e passou a seguir critérios técnicos e meritocráticos de escolha por toda a Diretoria Colegiada. Até então, esta decisão era de responsabilidade de um único diretor. A partir daí foram realizadas seis seleções públicas para cargos gerenciais, além das superintendências. A Diretoria Colegiada da Anvisa concluiu, em fevereiro de 2014, a seleção dos nove superintendentes escolhidos para integrar a nova estrutura organizacional da Agência. (...) Hoje o número de profissionais técnicos escolhidos por concurso público chega a 99% do total de seus servidores. (...) A Anvisa investe anualmente cerca de R$ 1,8 milhão de reais na capacitação dos seus profissionais. Em 2013, todos os 800 servidores que tínhamos à época, ocupantes de cargos de nível superior das novas carreiras da Agência (Analistas Administrativos e Especialistas em Regulação), possuíam pelo menos um curso de pós-graduação em nível de especialização, e cerca de 35% deles possuíam mestrado ou doutorado.

SB: Você considera satisfatório o tempo que a Agência leva para aprovar um novo medicamento ou equipamento? O que falta para acelerar o processo?
A avaliação dos registros hoje é bem mais racional que há alguns anos. Evoluímos para um cenário em que priorizamos o que representa um avanço real para o acesso a medicamentos e novas alternativas de tratamento para a população. Um olhar estático sobre os processos que aguardam a avaliação não revela que os medicamentos de interesse do Sistema Único de Saúde ou para genéricos inéditos no mercado estão recebendo atenção especial para que a oferta de alternativas para a população seja feita com qualidade.

SB: As multinacionais alegam que há razões políticas para a demora das inspeções. Já as nacionais exigem mais incentivos e, também, celeridade. Como você avalia este cenário competitivo? Ele afeta o trabalho da Agência?
Não há nenhuma base neste argumento. As exigências para produtos nacionais ou importados são isonômicas. Desde janeiro deste ano começou a funcionar o projeto piloto do Programa de Auditoria Única em Produtos para a Saúde – MDSAP. (...) Na prática, essa iniciativa visa utilizar, de forma colaborativa, os esforços dos países que atualmente trabalham de forma isolada. O programa tem por objetivo permitir que organismos auditores reconhecidos conduzam uma auditoria única de um fabricante de produtos para a saúde que possa contemplar os requisitos relevantes das Autoridades Regulatórias participantes. O projeto tem como parceiros a Anvisa, pelo Brasil; o Therapeutic Goods Administration (TGA), da Austrália; o Health Canada (HC), do Canadá; e o US Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos. O Japão participará desta primeira etapa como observador.

SB: Como funciona a inspeção de técnicos em fábricas de equipamentos e materiais hospitalares fora do Brasil? São quantos técnicos? Há previsão de aumento deste efetivo?
Cada inspeção é composta por uma equipe de dois servidores que aplicam um roteiro de acordo com a natureza da planta fabril. Em 2013 tivemos a inclusão de fiscais das vigilâncias sanitárias locais nas inspeções internacionais, o que aumentou a força de trabalho disponível para estas inspeções. Além disto, realizamos o concurso para mais 314 servidores que já tomaram posse da Anvisa e estão começando a reforçar as atividades de inspeção. Naturalmente, isso exige um treinamento específico tendo em vista a complexidade destas atividades. As inspeções são necessárias para que determinados produtos possam ter acesso ao mercado brasileiro nas mesmas condições que os fabricantes nacionais.

SB: Ainda na indústria farmacêutica: tem sido frequente o anúncio de suspensão de lotes de medicamentos com problemas. Como ocorre o trabalho de identificação de lotes defeituosos? E o recolhimento? Como é fiscalizado?
Este é um trabalho de rotina da vigilância sanitária. Em geral os desvios de qualidade são identificados por notificação dos profissionais médicos e usuários ou pelos programas de monitoramento dos laboratórios. Além disso, há também o trabalho ativo de coleta e testagem, que é conduzido pelas vigilâncias locais. O recolhimento é sempre de responsabilidade do fabricante do produto, sendo fiscalizado pela vigilância sanitária de cada localidade.

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