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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

União Europeia deve aprovar em breve primeiro tratamento com células-tronco

Agência do bloco responsável pela avaliação de novos medicamentos e terapias recomenda liberação de método para combater danos aos olhos que podem levar à cegueira
 
Rio – A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) anunciou nesta sexta-feira que emitiu uma recomendação para a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (UE), para aprovação do primeiro tratamento com células-tronco no âmbito do bloco. Batizado Holoclar, o tratamento é usado no combate a danos na córnea devido a queimaduras e outros ferimentos nos olhos que podem levar à cegueira e mostrou ser eficaz em cerca de 80% dos casos.
 
- Esta recomendação representa um grande passo à frente para levar novos e inovadores medicamentos para os pacientes – disse Enrica Alteri, chefe da Divisão de Avaliação de Medicamentos para Humanos da EMA no comunicado da decisão. - A EMA usou todas as ferramentas de apoio disponíveis para facilitar o desenvolvimento e avaliar o Holoclar. Ele é um avançado produto médico para terapias que foi designado como “medicamento órfão”, o que permitiu à agência dar este apoio.
 
As células-tronco presentes em embriões são capazes de se diferenciarem em todos os tecidos do corpo, mas mesmo após chegarmos à idade adulta algumas permanecem ativas, executando funções especializadas. No caso dos olhos, um tipo delas, conhecido como células-tronco epiteliais límbicas, localizadas na fronteira entre a córnea e a esclera (a parte branca dos olhos), é responsável por regenerar pequenos danos à superfície dos olhos que acontecem mesmo quando apenas piscamos.
 
Mas, no caso de queimaduras e outros ferimentos graves nos olhos, o número destas células-tronco é insuficiente para manter a saúde deles, dando origem a uma condição conhecida com “Deficiência Severa de Células-Tronco Epiteliais Límbicas” (LSCD, também na sigla em inglês) que pode levar à cegueira. Assim, no tratamento que em breve deverá ser aprovado pela UE, os médicos retiram células-tronco deste tipo que restaram nos olhos do próprio paciente, as cultivam em laboratório e depois as implantam de volta, renovando sua população.
 
- Como as células vêm dos próprios pacientes, não deverá haver preocupações com a rejeição como pode acontecer quando se fazem transplantes com tecidos de outras pessoas – destaca Graham McGeown, professor de fisiologia do Centro de Medicina Experimental na Universidade da Rainha em Belfast.
 
Já Dusko Ilic, professor do King’s College London, espera que a aprovação do Holoclar abra caminho para a adoção de outras terapias do tipo na UE.
 
- A abordagem terapêutica sobre a qual o Holoclar está baseado é relativamente bem estabelecida e era apenas uma questão de tempo sua aprovação pelas agências regulatórias – lembra. - A terapia já foi usada em múltiplas instituições acadêmicas ao redor do mundo, inclusive no Reino Unido. Espero que o Holoclar não seja uma exceção e muitos outros produtos de terapia celular cheguem ao mercado nos próximos anos.
 
O Globo

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