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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Veneno de abelha é usado para atravessar barreira cerebral com remédios

O Instituto de Pesquisa Biomédica de Barcelona (IRB) desenvolveu um "veículo de lançamento" baseado em veneno de abelha capaz de atravessar a densa proteção do cérebro para transportar até seu interior remédios para tratar doenças neurológicas.
 
Trata-se de um novo "cavalo de Tróia para conquistar o cérebro", disse o pesquisador do IRB, Ernest Giralt, que lembrou que o órgão é protegido por milhares de vasos capilares que formam uma barreira: "uma defesa e ao mesmo tempo uma contenção para a entrada de remédios para doenças do sistema nervoso central", segundo o especialista.
 
"Este muro é responsável pela baixa taxa de sucesso de novos remédios para o cérebro, mas hoje já temos estratégias para superá-lo", garantiu Giralt.
 
O pesquisador, que também é professor da Universidade de Barcelona, organizou a conferência Blood Brain Barrier, que a partir desta segunda-feira reúne 20 de cientistas em Barcelona para expor seus últimos conhecimentos sobre a barreira e os avanços em veículos terapêuticos para o cérebro.
 
Alzheimer, tumores cerebrais, esquizofrenia, infartos cerebrais, epilepsia, demência e diversos tipos de falta de coordenação de movimentos musculares são algumas das doenças que afetam o sistema nervoso central e que precisam de remédios aplicados diretamente no cérebro para serem tratados.
 
Conhecer biologicamente a compacta barreira hematoencefálica que protege o cérebro - "constituída por tantos capilares que mediriam 600 quilômetros se colocados lado a lado" - e buscar maneiras de superá-la é uma das estratégias para novos tratamentos com remédios potencialmente funcionais, mas incapazes de atravessar a barreira sozinhos.
 
"Hoje já avançamos o suficiente para que sejam feitos os primeiros testes clínicos com veículos de lançamento que superam a barreira, a responsável pela baixa taxa de sucesso em novos tratamentos", segundo Giralt.
 
O primeiro cientista a elaborar o conceito de veículos de lançamento para atravessar a barreira do cérebro foi o americano da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), William M. Pardridge, em 1986.
 
Cinco anos depois foi provada a viabilidade dos anticorpos, como os utilizados pelo sistema imunológico, como veículos capazes de atravessar a barreira.
 
A outra grande linha estratégica em veículos de lançamento foi proposta no início do século XXI: o uso dos peptídeos, que são proteínas menores e menos custosas que os anticorpos.
 
Giralt, que é especialista na química de péptideos, incorporou essa linha de trabalho ao IRB em 2005, e agora começam ser alcançados os primeiros veículos de lançamento peptídicos capazes de atravessar a barreira.
 
O último exemplo é um peptídeo baseado na apamina, uma proteína extraída do veneno de abelha que, com a toxicidade eliminada, supera a barreira e é duradoura em sangue, uma descoberta que foi publicada em outubro na revista alemã "Angewandte Chemie".

Terra

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