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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

População pode ser vítima do próprio descaso, alertam médicos sobre a dengue

Tendência para este ano, alertam médicos especialistas, é que ocorrências das duas doenças, além da febre chikungunya, aumentem devido a proliferação do mosquito Aedes aegypti

Aedes aegypti é o responsável pela transmissão da dengue, febre chikungunya e zika vírus
Betina Carcuchinski/PMPA 
Aedes aegypti é o responsável pela transmissão da dengue, febre chikungunya e zika vírus

Dados do Ministério da Saúde atestam que a dengue matou 839 pessoas em 2015, 80% mais do que os óbitos registrados no ano anterior. Um cenário que tende a piorar ainda mais em 2016. Neste ano, segundo os especialistas, os casos de dengue, chikungunya e zika vírus, doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, devem continuar a subir. "Isso acontece porque o número de criadouros é infinito. Uma tampinha de plástico no chão pode se tornar um criadouro”, explica Paulo Olzon, infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Por isso, a principal arma contra o mosquito é mesmo a prevenção. E isso depende do engajamento de cada um. "Se as pessoas continuarem a ter descaso como estão tendo, se não entenderem que são responsáveis por isso, é claro que vamos ter alta no número de ocorrências", afirma Jean Gorinchteyn, infectologista do Instituto Emílio Ribas. "80% dos focos de reprodução estão nas casas, já foi constatado isso, então as pessoas têm de olhar seu quintal e também o do vizinho. É um problema de comunidade e não só de saúde publica”, alerta o médico. "Os episódios só irão diminuir caso a população mude de atitude", completa.

Uma mudança que envolve metas fáceis de serem cumpridas e conhecidas por quase todos: é preciso cuidar para que não haja água água parada em pneus velhos e vasos de plantas e caixa d’água destampada. Até ralos não utilizados com frequência são alguns dos locais que o mosquito adora depositar seus ovos.

Vasos de plantas com água acumulada são um dos muitos criadouros do mosquito Aedes aegypti
Josi Pettengill/ Secom /MT
Vasos de plantas com água acumulada são um dos muitos criadouros do mosquito aedes aegypti

O Aedes aegypti já era bastante conhecido por transmitir, principalmente, a dengue e a febre chikungunya. Os casos das duas doenças costumam aumentar principalmente no verão, por causa das altas temperaturas e do período de chuvas. No entanto, em abril do ano passado, um novo tipo de vírus transmitido pelo mosquito foi identificado no País, o zika. A infecção seria responsável, segundo confirmação do Ministério da Saúde, pelo aumento dos casos de microcefalia (condição neurológica em que o cérebro do bebê é menor que o normal) no País. Mas alguns médicos acreditam que ainda é muito cedo para confirmar essa associação.

"Acredito que essa relação não está muito esclarecida. Tem outras coisas que podem causar microcefalia, como a rubéola e a toxoplasmose. Na minha opinião é necessário um estudo completo para se afirmar isso, porque está causando pânico total”, diz Olzon.

Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor da Faculdade de Medicina do ABC, Juvêncio Furtado tem a mesma opinião sobre a relação entre o zika vírus e a microcefalia. “É muito recente para se afirmar com segurança. Tudo leva a crer que esteja ligado, mas não podemos afirmar definitivamente, pois ainda está numa fase inicial de estudo”, declara.

No entanto, segundo o especialista, as grávidas devem se prevenir. “Não ir para regiões endêmicas, evitar grandes áreas principalmente no fim da tarde, que é quando o mosquito mais pica, e usar repelente são algumas das ações indicadas."

O zika vírus gera sintomas como febre, dores no corpo, manchas na pele e conjuntivite em alguns casos. A doença, que em adultos também pode causar a Síndrome de Guillain-Barré – doença autoimune que causa uma espécie de fraqueza nos músculos, podendo afetar até mesmo os músculos vegetativos, que são aqueles que controlam a respiração e deglutição –, ainda não tem um tratamento específico. Os médicos apenas receitam medidas sintomáticas, ou seja, medicações para aliviar os sintomas do paciente.

iG

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