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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Maioria dos brasileiros apoia Programa Mais Médicos, aponta CNT

Brasília – A maioria da população brasileira é favorável à contratação de médicos estrangeiros por meio do Programa Mais Médicos. Pesquisa divulgada ontem (10) pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) revela que 73,9% dos entrevistados apoiam o programa.  
 
Os dados revelam que 49,6% dos entrevistados acreditam que o programa solucionará problemas graves relacionados à saúde no país. Para 34,7% dos entrevistados, o serviço vai melhorar nos próximos seis meses.
 
A pesquisa da CNT aponta que os índices de aprovação do Programa Mais Médicos contribuíram para a recuperação da popularidade da presidenta Dilma Rousseff e do governo que, em julho, tiveram índices mais baixos.
 
Nesta edição, foram entrevistadas 2.002 pessoas, em 135 municípios de 21 estados, entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro.
 
Agência Brasil

Seita apoia cirurgiões que reconstroem o clitóris de mulheres vítimas de mutilação

Sete mulheres nervosas aguardam em frente a um prédio de tijolinho em San Francisco para passar por uma cirurgia.
 
O lugar não anuncia sua finalidade por muitas razões. Primeiro, a cirurgia em questão diz respeito à sexualidade feminina. Em segundo lugar, ela vai contra tradições de milhões de famílias pelo mundo --tradições brutais.
 
E há o caráter surreal das duas responsáveis pelo procedimento: a cirurgiã alta e loira, que por acaso nasceu homem, e a animada terapeuta francesa que faz parte da bizarra seita raeliana, surgida nos anos 1970, para a qual os humanos foram criados por extraterrestres para vivenciarem a alegria plena.
 
Sala de cirurgia
Em pouco tempo, uma das primeiras pacientes, Zaria (nome fictício), 24, está anestesiada. "O estado desta é péssimo", diz a cirurgiã.
 
Estudante de medicina, tatuada e com fartos cabelos negros, Zaria mais parece uma boneca que uma mulher. Sua genitália é completamente lisa, tirando a abertura. A cirurgiã ergue o bisturi e começa a cortar uma camada espessa de tecido cicatrizado.
 
É a segunda vez na vida de Zaria que alguém corta suas partes mais íntimas. A primeira foi em Serra Leoa, quando ela tinha 11 anos.
 
Parentes a levaram ao campo com o pretexto de fazer um passeio. Ali chegando, ela foi posta numa fila com 20 outras garotas e forçada por mulheres mais velhas a se deitar no chão. Seus lábios vaginais e seu clitóris foram cortados.
 
"Gritei tão alto que uma das mulheres sentou em cima da minha cabeça e quase me sufocou enquanto estavam me cortando."
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 140 milhões de mulheres no mundo sofrem os efeitos da mutilação genital, que é praticada no nordeste e oeste da África e também em países como Iêmen e Indonésia.
 
Uma pequena fração delas vem procurando cirurgiões que propõem um esforço radical de reabilitação.
 
A cirurgia tem o objetivo de facilitar as relações sexuais e o parto, além de dar às mulheres capacidade de sentir prazer sexual com a recuperação do clitóris, o que é controverso no meio médico.
 
Zaria se mudou para os EUA quando era adolescente. As feridas dos cortes que ela sofreu formaram uma camada espessa de tecido cicatrizado que deixou sua genitália insensível ao toque.
 
"Meu noivo terminou comigo dois meses atrás porque eu não queria transar. Ele é de Serra Leoa também, então sabe sobre a mutilação e me deu apoio, mas no fim ele foi embora com outra."
 
Chegando à clínica, Zaria e outras mulheres foram saudadas pela dupla que as tinha incentivado a romper as barreiras dos tabus culturais.
 
A dupla
Uma delas é a cirurgiã Marci Bowers, especializada em cirurgias de troca de sexo --ela própria nasceu homem e se tornou mulher. Duas vezes por ano, ela libera sua agenda para fazer cirurgias gratuitas em vítimas de mutilação. As pacientes pagam US$ 1.700 à clínica onde Bowers aluga uma sala. Até agora, ela operou 50 mulheres.
 
A outra é a francesa Nadine Gary, residente em Las Vegas. O fato de pertencer à seita raeliana a inspirou a ajudar vítimas da mutilação.
 
Fundada por Claude Vorilhon (Rael), que conta histórias absurdas sobre ter sido levado numa nave alienígena para conhecer Moisés, Jesus e Buda, a seita afirma que a vida na Terra foi criada por extraterrestres com a ajuda de engenharia genética.
 
Os seguidores da seita fazem campanha pela paz mundial, mas também pelo prazer sexual sem restrições.
 
A organização beneficente de Gary se chama Clitoraid e faz campanha pelo fim da mutilação, além de promover cirurgias e oferecer terapia emocional e sexual.
 
Clitóris revelado
Depois de retirar o tecido cicatrizado, Bowers faz incisões profundas para cortar ligamentos em volta da área onde ficava o clitóris de Zaria. Uma ponta de tecido cor-de-rosa proeminente aflora.
 
Bowers afirma que, dois meses após a cirurgia, o tecido erétil pode funcionar como clitóris, restaurando o potencial de sexo com prazer.
 
Em outubro, a cirurgiã vai a Burkina Fasso, na África, para celebrar a abertura de um hospital pela Clitoraid para a realização da cirurgia.
 
Há controvérsia em relação à eficácia do método. O pioneiro da técnica é o francês Pierre Foldes, que começou a realizá-la há duas décadas e já operou 3.000 mulheres. Um artigo publicado por ele no "Lancet" em 2012 diz que, das mulheres que se consultaram um ano após a cirurgia, a maioria tinha orgasmos e 98% sentiram prazer.
 
Mas três médicas britânicas escreveram à revista dizendo que a operação é "anatomicamente impossível".
 
Efua Dorkenoo, do grupo feminista Equality Now, pediu à Organização Mundial da Saúde que inicie ensaios clínicos da cirurgia. Segundo ela, não se pode desprezar os argumentos dos dois lados.
 
Depois da cirurgia, Zaria não para de falar. "Não fiz isso para me vingar de meu ex-noivo nem para trazê-lo de volta. Isso não tem a ver com ele. Tem a ver comigo."
 
The New York Times

Mito ou realidade: vinho tinto realmente faz bem à saúde?

Vinhos tintos fabricados sob modo de produção moderno não têm mesmo
benefício, diz cientista
Estudos questionam teses sobre supostos benefícios de compostos presentes na casca e nas sementes de determinados tipos de uva
 
Há alguns anos se divulga que uma dose moderada de vinho tinto todos os dias faz bem à saúde. Não só para combater o câncer, mas também para reduzir o colesterol e evitar coágulos nos vasos sanguíneos.
 
Mas estudos recentes questionam as evidências destes benefícios e apontam que eles podem estar restritos a vinhos caseiros ou fabricados seguindo um modo de produção tradicional.
 
Embora os cientistas concordem que o consumo moderado de vinho tinto possa ajudar a proteger o coração, reduzir o colesterol "ruim" e prevenir o entupimento das veias e artérias, há divergências sobre o que está por trás desses benefícios.
 
Recentemente, um grupo de cientistas tentou descobrir por que o vinho tinto caseiro feito no Uruguai é tão saudável e chegou a sequenciar o código genético da uva Tannat, usado na produção do vinho.
 
Os especialistas identificaram uma alta quantidade de procianidina, uma classe de flavonoide, compostos químicos encontrados em frutas, vegetais, chás, cereais, cacau e soja com benefícios antioxidantes e para prevenção ao câncer que vêm sendo estudados há anos.
           
Roger Corder, professor de terapias experimentais da Universidade Queen Mary, de Londres, é autor do livro The Red Wine Diet (A Dieta do Vinho Tinto, em tradução livre) e esteve por trás do estudo que pesquisou o vinho tinto uruguaio.
 
Ele confirma que a uva Tannat contém um nível três ou quatro vezes maior de procianidinas do que a uva Cabernet Sauvignon.
 
O pesquisador diz que estes compostos, aliados aos taninos (que combatem o envelhecimento das células e também são encontrados no vinho) seriam os grandes responsáveis pelos efeitos positivos do vinho tinto sobre a saúde.
 
Resveratrol
Outros cientistas apontam para o papel do resveratrol, um composto encontrado na casca das uvas vermelhas.
 
Saudado durante muitos anos como uma espécie de substância milagrosa, o resveratrol é um composto que, segundo os cientistas, poderia retardar o envelhecimento e combater o câncer e a obesidade.
 
Até o momento, estudos feitos em laboratório revelaram resultados animadores em testes com camundongos, mas ainda não foram encontradas evidências sobre a eficiência do composto em humanos.
            
Na Universidade de Leicester, na Inglaterra, testes com ratos indicaram que dois copos de vinho por dia podem reduzir a incidência de tumores nos intestinos - e o cientistas estudam maneiras de desenvolver o resveratrol como um composto isolado, para ser ingerido individualmente como uma droga para prevenir o câncer.
 
Entretanto, para Roger Corder, da Universidade Queen Mary, de Londres, há pouca evidência sobre a importância do resveratrol.
 
"É um mito que o resveratrol tenha qualquer coisa a ver com os benefícios do vinho tinto à saúde. A maioria dos vinhos tintos contém quantidades insignificantes de resveratrol e aqueles que possuem um pouco não contêm o suficiente para fazer qualquer efeito", diz.
 
Ele diz que são as sementes, e não a casca da uva, que contêm o segredo do vinho tinto.
           
Quando as uvas são fermentadas por diversas semanas ou mais, as sementes podem liberar flavonoides que evoluem como moléculas mais complexas.
 
Mas a má notícia é que isso não acontece com todos os vinhos, diz o cientista, sugerindo que os grandes benefícios da bebida podem ser restritos a um modo de produção mais tradicional – semelhante ao vinho tinto caseiro uruguaio.
 
"A maior parte dos vinhos modernos não usa esta técnica durante a fabricação", afirma o cientista, reforçando a necessidade do consumo moderado.
 
"É muito difícil dizer que o vinho é uma bebida saudável quando as pessoas consomem muito álcool, na hora errado do dia e sem comer".
           
Câncer
Para Emma Smith, do Cancer Research UK, centro britânico de pesquisas para o câncer, é um erro tomar vinho tinto achando que isto fará bem à saúde.
 
"O vinho tinto contém uma quantidade muito pequena de resveratrol e as pessoas não deveriam beber vinho com a intenção de obter benefícios para a saúde", diz.
 
Ela ressalta que tradicionalmente o álcool tem uma ligação negativa com o câncer.
 
"É importante relembrar que, mesmo em quantias moderadas, o álcool aumenta o risco de vários tipos de câncer e estima-se que seja a causa de cerca de 12.500 casos de câncer na Grã-Bretanha todos os anos".
 
iG

Os sinais do suicídio

R
O músico Champignon, encontrado morto na madrugada de segunda
No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, especialistas alertam para aumento do fenômeno e avisam: “quanto antes se detectar, mais fácil prevenir”
 
No Brasil, estima-se que haja uma média de 25 suicídios por dia. Uma tentativa aumenta em 50% a chance de uma segunda investida. E mais de 90% dos casos estão ligados a problemas de saúde mental. Como se fala muito pouco sobre o assunto -- salvo quando um caso como o do músico Champignon ganha as manchetes --  os indícios do suicídio, considerado um tabu social, são mal conhecidos.
 
"Entre 1980 e 2010, oficialmente 195.607 pessoas se suicidaram no Brasil, o equivalente a três bombas atômicas como a de Hiroshima", contabiliza o o sociólogo Gláucio Soraes, professor e pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da UERJ, em artigo publicado na Revista Inteligência em edição de junho de 2012. “Ainda que condenado por muitas religiões, produto de desvios tenebrosos da nossa alma, o suicídio recebe menos atenção do que os eventos catastróficos”.
 
A única forma de evitá-lo é adotar estratégias de prevenção e, para isso, é preciso conhecer os sinais.
 
Suicídio: prevenção é limitada pelo tabu
“Estão envolvidos em uma tentativa de suicídio os fatores predisponentes, como genética, psiquismo do indivíduo, círculo social, ambiente familiar e até religião. E os precipitantes, aqueles fatores que motivaram o ato”, diz José Manoel Bertolote, autor do livro “Suicídio e sua Prevenção” (Editora Unesp) e especialista em psiquiatria da Unesp em Botucatu.
 
Mas 90% dos casos de suicídio estão atrelados a algum problema de saúde mental, como depressão, transtornos de personalidade, alcoolismo, abuso de drogas, bipolaridade ou esquizofrenia, entre outros.
 
“Quem fala não faz” é um mito comum sobre o suicídio
A maioria dos suicidas dá sinais claros de que vai se matar. “São praticamente anúncios. Normalmente os mais jovens são mais diretos. Eles verbalizam claramente, ou avisam pelas redes sociais, por email. Já os mais idosos são mais sutis. Eles se despedem distribuindo posses”, diz Bertolote.
 
Há também os sinais indiretos, que precisam ser decodificados. Um tipo de sinal, neste caso, é começar a colocar a vida em risco, como abusar de álcool e drogas, dirigir de forma irresponsável, brincar com armas de fogos perigosas. São os chamados suicidas passivos.
 
Para Karen Scavacini, gestalt terapeuta e mestre em saúde pública de promoção de saúde mental e prevenção ao suicídio, outro mito é relacionado ao tabu que cerca o tema: perguntar se a pessoa pensa em se suicidar não a induzirá ao ato. Ao contrário, falar sobre o assunto pode salvar muitas vidas. “Se você ficou desconfiado diante dos sinais, pergunte a ela: 'você está pensando em se matar?' Faça então um encaminhamento desta pessoa. Não precisa ser só para o psicólogo ou para o psiquiatra. Pode ser para o padre, o diretor da escola, o agente comunitário, o bombeiro”, aconselha Karen.
 
Detectar os sinais precocemente aumenta as chances de salvar uma vida
Um estudo realizado pela Unicamp detectou que, no Brasil, 17 de 100 pessoas pensam seriamente em se matar. Com o silêncio que cerca o tema, a abordagem do suicídio como problema de saúde pública ainda engatinha. “Não existe no País saúde pública que dê conta deste fenômeno. A Estratégia Nacional de Prevenção continua até hoje no papel. O médico da unidade básica deveria ser o primeiro a detectar indícios”, diz.
 
Na Europa, as taxas de suicídio estão diminuindo porque a prevenção funciona. Já nos Estados Unidos foi lançada a campanha “Amigo bravo é melhor que amigo morto”, para incentivar os jovens a não manterem segredo e contarem o que sabem sobre as intenções dos colegas. “No Brasil, simplesmente não se fala no assunto”, completa Karen.
 
Mudança brusca
A voluntária do CVV Adriana Rizzo, que dedica quarto horas por semana para ouvir e aconselhar pessoas que pensam em se matar, diz que mudanças bruscas de comportamento são as principais pistas que o suicida dá. “Eram pessoas muito tímidas e, do nada, ficam muito agitadas. Também acontece uma retirada da vida social, um isolamento, ou abuso de álcool e drogas“, alerta.
 
Além da mudança de personalidade, ligue o alerta quando notar grande alteração alimentar ou de sono, sentimento de desvalor e desesperança. Pessoas que tiveram perdas recentes, como mortes, divórcio, histórico familiar de suicídio ou que tiveram diagnóstico de doença grave, fazem parte do grupo de risco.
 
O quanto antes se detectar, mais fácil prevenir. “Bem como intervir em crises”, conta a voluntária Adriana. “O nosso trabalho é oferecer atenção e conversar com a pessoa sobre um assunto que ela quer dividir e não consegue, pois se sente julgada, criticada. Ao desabafar e compartilhar o que está lhe afligindo, ela se sente valorizada. A gente procura a entender por que ela quer desistir de viver. Para o copo não transbordar, ela precisa esvaziar o que está sentindo antes”.
 
Ambivalência
Nem todo suicida quer morrer, apenas quer mudar a situação. Todo suicida é ambivalente: uma hora ele quer, na outra não. De acordo com Bertolote, isso explica porque muitas vezes, quando o suicida fez uso de um método letal e está à beira da morte, bate o desespero e ele se arrepende.
 
Tanto para quem convive com um suicida em potencial ativo, que toma objetivamente a decisão, quanto para quem vive com um passivo, que adota comportamento abusivo em busca de um "acidente", o conselho mais importante é não ignorar qualquer sinal. Leve a sério as ameaças e tome providências para ajudar a pessoa em risco. “O tratamento dos transtornos mentais é a primeira intervenção. Isso porque a maioria dos suicidas têm um transtorno como depressão, alcoolismo ou esses dois males associados”, diz Bertolote.
 
iG

Suspensão de planos de saúde: Justiça libera mais 3 operadoras, mas ajuda ANS

Reprodução
Anúncio da liberação da comercialização dos planos de saúde
no site da ANS, em 3 de setembro
Juíza diz que programa de punição da agência é regular, diferentemente de outras ações
 
A punição de planos de saúde que foram alvo de excesso de reclamações continua a ser bombardeada pela Justiça. Mais três operadoras conseguiram uma liminar (decisão provisória) que as autoriza a continuar a captar clientes por meio desses planos considerados de má qualidade pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 
 
Com isso, já são três as liminares impedindo a ANS de aplicar a punição, que deveria entrado em vigor para 246 planos de 34 operadoras em 23 de agosto, mas está suspensa em razão dos questionamentos judiciais.
 
A nova decisão livra parcialmente de punição cinco planos da Geap, oito da Fundação Saúde Itaú e sete da Fundação Assistencial dos Servidores do Ministério da Fazenda (Assefaz), que são operadoras de autogestão. Esse tipo de operadora é fechada para grupos específicos – funcionários de um órgão público ou empresa, por exemplo.
 
Dos 858,2 mil beneficiários atuais de Geap, Fundação Saúde Itaú e Assefaz, 774,5 mil – ou 90% – têm um desses 20 planos que, por terem sido alvo de muitas queixas à ANS, podem ter a inclusão de novos clientes bloqueada pela agência.
           
A liminiar que beneficia as três operadoras foi pedida pela União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), e deferida parcialmente na última sexta-feira (6) pela juíza Andréa Cunha Esmeraldo, titular da 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro. 
 
A decisão coloca mais um obstáculo à ANS, que já precisava derrubar outras duas liminares para conseguir reativar o bloqueio de vendas aos 246 planos de saúde de 34 operadoras. A punição aplicada pela agência está suspensa em razão de decisões judiciais obtidas pela Associação Brasileira da Medicina de Grupo (Abramge) e Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde).
 
Alento                             
A nova derrota, porém, traz alento à ANS. Isso porque a juíza Andréa considerou totalmente regular o legal o cálculo que a ANS faz para suspender os planos, diferentemente do que ocorreu nos casos da Abramge e da Fenasaúde.
 
O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) Aluísio Mendes, que analisou o pedido da Fenasaúde, questionou o cálculo. Marli Ferreira, desembargadora do Tribunal Regional da 3ª Região (TRF-3) responsável pela ação da Abramge, seguiu  essa decisão.
 
Além disso, a juíza Andréa escreveu que o Judiciário deveria ser cuidadoso ao suspender uma decisão de uma agência reguladora. Os dois posicionamentos podem ser usados pela ANS para tentar convencer os magistrados nas outras liminares.
 
O advogado José Luiz Toro da Silva, que defende a Unidas, reconheceu que a decisão obtida pela entidade não é muito positiva para as outras associações, já que chancela a metodologia de cálculo da ANS. 
 
"Nós vamos recorrer. A decisão é muito boa para as autogestões, porém nós continuamos insistindo que a metodologia não está correta", diz Toro da Silva. "A liminar da Unidas é muito diferente das liminares dadas a Abramge e Fenasaúde."
 
Em nota, a ANS afirmou que a decisão "reforça aspectos primordiais da atuação da ANS", como a possibilidade de aplicar a suspensão de vendas de planos com base no número de reclamações recebidas.
 
A agência diz que vai recorrer da decisão, como fará nos outros casos.

Planos fechados
A decisão da juíza Andréa impediu Geap, Fundação Saúde Itaú e Assefaz de fazerem novos contratos com outros grupos, mas autorizou a inclusão de novos beneficiários nos contratos já existentes.
 
"Se fosse mantida a decisão [ da ANS de bloquear os planos ] os novos funcionários ficariam sem planos de saúde", explica Toro da Silva.
 
iG