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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Laboratório de Toledo deve ser o primeiro a produzir e vender extrato de canabidiol no país

Resultado de imagem para myalo cannabisMedicamento é usado no tratamento de epilepsia em crianças; atualmente produto precisa ser importado com autorização da Anvisa

Um laboratório de Toledo, no oeste do Paraná, deve ser o primeiro a produzir e vender no país o extrato de canabidiol – substância extraída da maconha. Em fase final de testes clínicos, a previsão dos pesquisadores é que o medicamento esteja disponível no mercado até o fim de 2018. O extrato de canabidiol (CBD) tem efeito anticonvunsionante e é usado principalmente no tratamento de epilepsia em crianças. Atualmente, o produto precisa ser importado com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As pesquisas vêm sendo desenvolvidas em conjunto pelo laboratório farmacêutico Prati Donaduzzi e a Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (SP) – primeiro centro de estudos do canabidiol no Brasil -, há três anos, quando foram importadas as primeiras plantas e iniciados os testes com a Cannabis sativa. O projeto teve investimento inicial de R$ 11 milhões.

De acordo com o professor Jaime Hallak, da Faculdade de Medicina da USP, além de reduzir os custos com importação, a produção em laboratório promete garantir uma substância mais pura e completamente livre do THC, o princípio que causa o efeito psicoativo da maconha. O presidente da Prati Donaduzzi, Eder Fernando Mafissonni, calcula que os estudos clínicos sejam concluídos ainda neste semestre. Cento e vinte e seis crianças estão recebendo o medicamento em São Paulo.

“Somos o laboratório com os estudos mais avançados no mundo e queremos ser o primeiro a conseguir comprovar a eficácia terapêutica do canabidiol. O nosso também será o primeiro no mundo considerado medicamento”, comentou. O produto foi patenteado no Brasil e no exterior. O próximo passo será o registro nos órgãos sanitários e em seguida a comercialização.

Além da epilepsia, a esquizofrenia e o mal de Parkinson são as doenças com estudos mais avançados em relação ao uso do canabidiol feitos pelos pesquisadores da USP. Para baratear o medicamento, a parceria estuda também a produção em laboratório do canabidiol sintético, processo em que não há necessidade de se ter a Cannabis sativa em planta. O extrato é obtido a partir da estrutura molecular, com técnicas de bioquímicas e farmacêuticas, por meio das quais se cria artificialmente moléculas com a mesma eficácia. Neste caso, a expectativa é que o produto esteja no mercado em três anos.

Benefícios
Ângela Schmitz importa o produto do Reino Unido para o filho Lucas, de 11 anos. O menino começou a ter convulsões aos quatro anos. “Nós perdemos o chão e ele teve a mudança de uma vida normal de criança para uma vida sempre com alguém cuidando, atendendo, porque não dava para deixar ele sozinho”, conta. Desde então, com até 30 crises epiléticas por dia, foram muitos tratamentos e medicamentos até chegar ao canabidiol.

“Ele chegou a tomar oito anticolvulsionantes. Depois que nós começamos com o canabidiol, as crises reduziram em mais de 80% e ele teve muito mais qualidade de vida. Agora ele pode fazer coisas de criança normal”, destaca Ângela. Por mês, Lucas usa três vidros do medicamento. Cada um custa US$ 390, fora o custo do transporte. O produto nacional deve tanto reduzir o custo como alguns transtornos ainda comuns no processo de importação, facilitando o acesso para quem precisa.

“Você não sabe se vai chegar no prazo que precisa, por isso tem que ter um estoque muito maior do que imagina que vai usar. Pode haver problema na saída do país que vende ou na entrada do país da pessoa que está comprando, problema de transporte ou de receber um produto danificado e ter dificuldade para reclamar”, aponta. Ângela acredita ainda que o medicamento feito no país pode trazer mais tranquilidade também quanto à certeza da procedência e da qualidade do produto.

G1

Bactéria da gonorreia cria resistência aos antibióticos

Bactéria da gonorreia cria resistência aos antibióticos
(JuSun/iStock)
Ceftriaxona, uma das poucas drogas que combatia a doença, não é mais tão eficiente

A gonorreia é um grande problema de saúde pública: infecta 80 milhões de pessoas por ano no mundo. Mas pode ficar ainda pior. A bactéria N. gonorrhoeae, que causa a doença, desenvolveu resistência à ceftriaxona, um dos poucos antibióticos que ainda eram eficazes contra ela. A mutação foi encontrada por cientistas da Faculdade de Medicina da Carolina do Norte, nos EUA, que analisaram o genoma da bactéria.

Eles também descobriram que a mutação vem com um custo: ela diminui drasticamente a taxa de crescimento das bactérias. Isso porque a mudança altera a enzima bacteriana que é alvo da ceftriaxona, diminuindo a ação do antibiótico. Mas, ao mesmo tempo, a mudança prejudica a construção e reparação da parede celular bacteriana. Se essas bactérias mutantes competissem contra bactérias não resistentes ao antibiótico, elas perderiam.

No entanto, ao infectar ratos com uma mistura igual de bactérias normais e bactérias mutantes, os cientistas observaram que o crescimento dos dois tipos era equivalente, gerando até uma competição acirrada entre eles. “Suspeitamos que as bactérias [mutantes] adquiriram [outras] mutações “compensatórias”, que aumentaram sua taxa de crescimento”, afirmou o líder do estudo, Rob Nicholas. Como é imune aos antibióticos atuais, a superbactéria poderia causar uma epidemia difícil, ou impossível, de conter.

Mas nem tudo está perdido. Agora, os cientistas estão tentando encontrar um jeito de atacar a enzima AcnB, que é responsável pela produção de energia dessas bactérias – e, se inibida, poderá fazer com que elas morram.

Superinteressante

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Ácido úrico elevado no sangue pode levar ao surgimento da gota, principalmente em homens

Inchaço do dedão do pé acompanhado de dor forte é um dos primeiros sintomas dessa doença inflamatória

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A gota é uma doença inflamatória mais comum em homens, que acomete sobretudo as articulações e ocorre quando a taxa de ácido úrico no sangue está em níveis acima do normal. A mais comum em mais de 90% dos casos é o tipo que ocorre com predomínio no sexo masculino. “O hormônio feminino protege a mulher contra o depósito de ácido úrico nas articulações. Após a menopausa, com a queda de estrógenos, o organismo da mulher se comporta de forma semelhante ao do sexo masculino e daí a mulher passa a ter também maior probabilidade de apresentar crises de gota”, explica Ênio Ribeiro Reis, presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia (SMR).

Ele explica que em torno de 20% das pessoas que apresentam ácido úrico elevado no sangue desenvolvem gota no decorrer dos anos. “Existe a tendência hereditária da doença de gota, tanto por dificuldade de excreção dos cristais em nível urinário, como também por uma eficiência exagerada no reaproveitamento dos núcleos purínicos e aumento da formação de cristais e consequente depósitos desses cristais em nível articular. Em 80% dos pacientes com gota, a causa do ácido úrico elevado é por uma eliminação inadequada de ácido úrico pelos rins. Além disso, contribui para essa elevação uma dieta em excesso de proteínas e purinas (carnes vermelhas e bebidas alcoólicas, por exemplo). Em outros casos, pode haver uma produção aumentada de ácido úrico pelo próprio organismo.

Ataques recorrentes
O médico ressalta que a doença tem mais de dois mil anos. “Os gregos já a descreveram com detalhes e a nomearam de ‘gota’, pois imaginavam que era um veneno, vindo da corrente sanguínea, que pingava, gota a gota, na articulação doente, pois as dores ocorriam em fisgadas lancinantes. O primeiro sintoma da gota, na maioria das vezes, é um inchaço do dedão do pé acompanhado de dor forte. A primeira crise de gota pode durar de três a sete dias. Uma nova crise pode surgir em meses ou anos depois e comprometer a mesma ou outras articulações. Sem tratamento adequado, o intervalo entre as crises tende a diminuir, a duração a aumentar e mais de uma articulação pode ser acometida, sendo que com os anos as crises podem passar a ser contínuas e surgir acúmulos de ácido úrico nos tecidos, chamados ‘tofos’”, salienta o especialista.

Com o aumento da concentração de ácido úrico no sangue, ocorre a deposição de cristais nos tecidos, principalmente nas articulações, causando inflamação e, consequentemente dor e inchaço, acometendo, principalmente, as articulações do dedão, tornozelos e joelhos, esclarece o médico. Ele ressalta que a gota é caracterizada, inicialmente, por ataques recorrentes de artrite aguda, provocados pela precipitação, nos espaços articulares, de cristais de ácido úrico. “O quadro clássico consiste em dor que frequentemente começa durante a madrugada e é intensa o suficiente para despertar o paciente. Embora qualquer articulação possa ser afetada, sobretudo as dos membros inferiores, o hálux (dedão) é a articulação mais frequentemente envolvida na primeira crise.”

O médico explica que, além da dor, a articulação comumente apresenta-se inflamada com presença de calor, rubor (vermelhidão) e inchaço. “Também pode haver formação de cálculos, produzindo cólicas renais e depósitos de cristais de ácido úrico debaixo da pele, formando protuberâncias localizadas nos dedos, cotovelos, joelhos, pés e orelhas (tofos). Nas crises, sempre são acometidas grandes articulações, com os joanetes, tornozelos, joelhos e cotovelos”, salienta Ênio.

O especialista conta que a consequência é uma dor aguda, em que um toque de um simples lençol sobre uma articulação em crise é suficiente para piorar a dor. “Nessa crise temos sinais de calor intenso, vermelhidão e dor ao simples toque. Assemelha-se a um ponto inflamado que viria a furo, como se fosse um abcesso. Mas na gota existem somente cristais de microagulhas de ácido úrico na membrana interna da junta acometida com glóbulos brancos, liberando uma resposta inflamatória intensa na tentativa de reabsorver esses cristais. Outras consequências, além da crise de dor, são a tendência à elevação da pressão arterial, insuficiência renal crônica, aumento do risco de doenças cardiovasculares e como infarto do coração. Os tofos podem se depositar na orelha, cartilagem do nariz, cotovelos e raramente em outras articulações. Crescem se a doença for mal tratada, formando caroços gigantes nos cotovelos e em superfícies extensoras principalmente.”

Ênio ressalta que a doença surge devido à tendência genética por aumento da formação ou dificuldade de eliminação dos cristais de ácido úrico. Daí a importância da dieta em pacientes predispostos. “Se existe essa predisposição genética, história familiar de gota nos parentes próximos, não evitamos essa doença, mas amenizamos a gravidade das crises.”

O que fazer para evitar crises
1) O tratamento deve ser contínuo, visto que a gota não tem cura.
2) Com o tratamento adequado, os níveis de ácido úrico normalizam e as crises de gota vão desaparecendo.
3) Consultar o reumatologista regularmente. A medicação pode ter que aumentar ou diminuir, de acordo com a dieta e/ou o estresse físico ou emocional.
4) Não comer em excesso carnes vermelhas, sardinhas, frutos do mar, miúdos, carnes de caça e filhotes de animais, como vitelo. Também evite algumas oleaginosas, como castanhas e amendoins.
5) Quando em tratamento e com os níveis de ácido úrico normais, o consumo de bebidas alcoólicas pode ser feito sem exagero. A pior bebida sempre é a cerveja, devido à grande quantidade de ingestão. Em segundo lugar vem o vinho tinto.

EAD do INCA oferece 15 oportunidades de qualificação

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) têm o potencial de superar barreiras geográficas, contribuindo para a formação de profissionais em qualquer região, em âmbito nacional e internacional

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Assim, é possível aprimorar os processos de trabalho, em inúmeras áreas do conhecimento, não importando a distância física entre professores e alunos. E tudo isso está ao alcance dos profissionais do INCA, por meio dos cursos oferecidos pelo Núcleo de Educação a Distância (NEAD), da Coordenação de Ensino.

Voltados para profissionais de nível médio e superior, os cursos livres visam à atualização de conteúdos ou técnicas relacionadas a uma área de conhecimento específica, com carga horária variável em função dos objetivos de aprendizagem. Todos os cursos possuem certificação e acompanhamento do aluno pelo professor-tutor, no ambiente virtual.

Como exemplos, há os cursos ABC do Câncer - Abordagens Básicas para Controle do Câncer; Higienização das Mãos; Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde; Emergências Oncológicas e Fundamentos em Oncologia para Enfermeiros; Mamografia para Técnicos em Radiologia; e Braquiterapia de Alta Taxa de Dose para Físicos-Médicos. Há também cursos exclusivos para capacitar os profissionais para produção e tutoria dos cursos a distância do Instituto.

Criado há cinco anos, o NEAD já produziu, junto às áreas, diversos cursos e, também, módulos EAD de apoio aos programas de residência. No momento, estão ativos 15 cursos, e o núcleo pretende lançar cinco novas opções até o final de 2019. Achou interessante? Então, acesse a área de cursos a distância no portal do INCA (http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/ensino-pesquisa/site/home/ensino/educacao-a-distancia).

Confira mais informações e inscreva-se na seção Cursos e Eventos: http://www1.inca.gov.br/ie_eventos/

Fonte: Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva - INCA


Tel: (21) 3207-6032

USP testa ‘pomada’ quimioterápica aliada a choque de baixa intensidade para tratar câncer de pele

Tratamento tópico contra o câncer de pele desenvolvido pela USP em Ribeirão Pretoalia quimioterápicos nanoencapsulados a choques elétricos de baixa intensidade (Foto: Adriano Oliveira/G1)
Foto: Adriano Oliveira/G1
Tratamento tópico promete ser menos agressivo e mais eficaz que a quimioterapia convencional. Testes in vitro são realizados na faculdade de ciências farmacêuticas de Ribeirão Preto (SP)

Pesquisadores da USP em Ribeirão Preto (SP) desenvolveram um tratamento tópico de combate ao câncer de pele que utiliza nanopartículas de quimioterápicos associadas a choques elétricos de baixíssima intensidade. Além de proporcionar uma absorção maior do medicamento na pele, a nova técnica permite que a substância se concentre na região que precisa ser tratada e não se espalhe pela corrente sanguínea, como ocorre com a quimioterapia convencional.

Atualmente, a medicina já utiliza a chamada quimioterapia tópica, em que o remédio é aplicado na forma de creme ou pomada. Entretanto, a pesquisadora Renata Vianna Lopez afirma que o novo tratamento promete ser menos agressivo e mais eficaz. “É um tratamento não invasivo, porque não estou injetando nada no paciente. A aplicação subcutânea deveria ser muito melhor, mas não foi nesse caso, porque melhoramos a formulação e o método de aplicação”, explica Renata, que é professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas.

Renata diz que o maior desafio da pesquisa foi encontrar uma alternativa para o fármaco atravessar o estrato córneo – camada superficial da pele composta basicamente de células mortas e que impede a entrada de qualquer substância – para chegar às células tumorais. Na primeira etapa, os pesquisadores da faculdade de ciências farmacêuticas colocaram o quimioterápico “5-Fluorouracil”, que causa irritação em contato com a pele, em nanocápsulas, estruturas microscópicas capazes de ultrapassar o estrato córneo.

As nanopartículas ainda receberam um anticorpo direcionado ao tumor: o cetuximab. Isso faz com que as células doentes não entendam que se trata de um remédio e passem a capturar essa substância, o que torna o tratamento mais direcionado. Para facilitar ainda mais a penetração do fármaco desenvolvido em laboratório, os pesquisadores utilizaram choques elétricos de baixa intensidade: a iontoforese, que não causa dor e provoca apenas um formigamento sobre a pele.

“Se eu associo tudo isso com um sistema de liberação, no caso a iontoforese, consigo colocar alguns desses sistemas de liberação dentro da pele, porque a nanopartícula é pequenininha, mas não entra na pele sozinha”, diz Renata. O novo tratamento ainda não foi testado em humanos, apenas em camundongos. Parte dos roedores recebeu o remédio por meio de injeção subcutânea – como na quimioterapia convencional – e os demais por aplicação tópica associada à iontoforese.

“O tratamento diminuiu muito mais o tamanho do tumor, do que a injeção subcutânea. Se você pensar que, na aplicação subcutânea está injetando no local, é uma surpresa essa técnica ter sido melhor, porque não é invasiva”, completa. Renata diz que uma das hipóteses para o resultado é que o medicamento nanocapsulado associado à corrente elétrica chega em maior quantidade na área do tumor, enquanto na quimioterapia convencional a substância se espalha na corrente sanguínea.

“A proposta, de maneira geral, não é substituir a quimioterapia tradicional, mas auxiliar no tratamento de um tumor para diminuir o tempo que o paciente vai ter que ficar no hospital e diminuir os efeitos colaterais, principalmente”. A partir dos resultados promissores da iontoforese, os pesquisadores passaram a testar a técnica no tratamento de feridas de difícil cicatrização, como as que pacientes com diabetes desenvolvem, ou as escaras em pessoas acamadas, por exemplo.

Nesse caso, o objetivo da corrente elétrica não é extrapolar a barreira da pele, mas aumentar a absorção do medicamento e fazer com que ele fique no local da ferida por mais tempo. Em vez do quimioterápico, o estudo utiliza substâncias cicatrizantes. “A gente desenvolveu um [papel] filme com a fibroína retirada de casulos do bicho da seda. O filme é como se fosse uma membrana, que protege a ferida, e nós encapsulamos nesse filme um peptídeo que pode ajudar a ferida a fechar”, explica Renata. A professora afirma ainda que a fibroína auxilia na cicatrização porque promove a regeneração celular. Ao mesmo tempo, a iontoforese tem demonstrado uma ação antimicrobiana, que está sendo estudada.

G1