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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Estudo traça primeiro retrato da insuficiência cardíaca no Brasil

Resultados mostram que 50 mil pessoas morrem a cada ano no Brasil por complicações cardíacas
 
Um estudo publicado na revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mostra que 50 mil pessoas morrem todo ano no Brasil por complicações cardíacas. A estimativa é que 100 mil novos casos são diagnosticados a cada ano no país. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 23 milhões de pessoas sofrem com a doença em todo o mundo. O 1º Registro Brasileiro de Insuficiência Cardíaca (Breathe, do inglês Brazilian Registry of Acute Heart Failure) traça um panorama inédito da síndrome nas diversas regiões do país.
 
O estudo aponta as doenças do coração como um problema de saúde pública importante e faz duas constatações: a elevada taxa de mortalidade intra-hospitalar por insuficiência cardíaca e uma grande taxa de reinternações, disse à Agência Brasil o professor de cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FMC-Uerj), Denilson Albuquerque, coordenador do Breathe.
 
“A insuficiência cardíaca é a via final de uma cardiopatia, qualquer que ela seja: um infarto mal tratado, uma hipertensão que não foi tratada, um problema na válvula do coração que não teve o tratamento adequado. Tudo isso resulta em uma falência do coração e, em consequência, em uma insuficiência cardíaca”.
 
O Breathe, de acordo com o professor, indica a necessidade de se fazer um alerta à população para o problema. A insuficiência cardíaca, segundo o estudo, acomete mais pessoas idosas e tem alta taxa de mortalidade. Em um ano, 40% dos cerca de 1.270 pacientes pesquisados, internados em 51 hospitais públicos e privados em 21 cidades brasileiras, morreram. “É uma alta taxa de mortalidade e necessita um tratamento eficaz e rigoroso para que se consiga melhorar as condições físicas dos pacientes”, disse Albuquerque.
 
O levantamento mostra que a média de idade dos pacientes é em torno de 64 anos. Entretanto, segundo o médico, isso não significa que não haja pessoas de 30 anos ou menos com problemas cardíacos. Para o especialista, a prevenção pode ser uma arma importante a fim de combater as doenças cardiovasculares. “Uma vez instalada, você tem que tratá-la adequadamente, para que ela não resulte em uma insuficiência cardíaca”. A prevenção engloba parar de fumar, fazer atividade física, tratar a hipertensão, destacou.
 
O problema, analisou Albuquerque, é que a síndrome acomete mais a terceira idade. “E se você pensar que o Brasil já é a quinta população de idosos do mundo, a gente está vivendo uma verdadeira pandemia de insuficiência cardíaca. Essa é a nossa preocupação. Não tem cardiologista para tratar todo mundo, precisa treinar os clínicos gerais para que reconheçam a doença também e fazer um alerta para os pacientes entenderem o que é a síndrome para o seu próprio cuidado. Porque eu, sabendo melhor, vou me precaver mais”.
 
Do total de pacientes analisados com a doença, 73,1% estavam acima de 75 anos e 60% eram mulheres. O estudo mostrou ainda que 32% dos pacientes reinternam porque não tomam a medicação adequadamente. “Ou seja, não tomando conhecimento da gravidade da situação, a pessoa acaba negligenciando a doença”.
 
O Estudo Breathe aponta que a insuficiência cardíaca, no Brasil, apresenta características específicas em algumas regiões. No Nordeste, ela prevalece em pessoas que têm pressão alta, cujo tratamento não é tão enfático como na Região Sudeste, citou o especialista. Na Região Sul, a síndrome é mais prevalente em pessoas que têm doenças nas coronárias, como infarto. “Muito sal, churrasco, gordura”.
 
O estudo, segundo Albuquerque, será ampliado este ano abrangendo um universo de 3 mil pacientes, para poder, por meio das informações epidemiológicas, tratar melhor os pacientes e interagir com os cardiologistas de todo o país. O trabalho será iniciado em agosto.
 
Os novos tratamentos, tecnologias e fármacos para a insuficiência cardíaca serão discutidos a partir de amanhã (18), no Rio de Janeiro, durante o 14º Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca, considerado o mais importante encontro da especialidade médica no Brasil.
 
iG

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