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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Com dívida bilionária, Unimed Paulistana vai à Justiça contra sistema Unimed

"Todos serão chamados a participar", diz o novo presidente da operadora, que deve R$ 1,5 bilhão e deixou de pagar médicos

A Unimed Paulistana pretende dividir seus prejuízos – dentre os quais está uma dívida de R$ 1,5 bilhão – com as outras integrantes do sistema de cooperativas de planos de saúde.

"Esse grupo econômico, que é uma coisa única no País inteiro, está totalmente relacionado tanto com os ativos como com os passivos da Unimed Paulistana. E todos serão chamados a participar daquilo que lhes cabe no momento adequado de acordo com as definições da Justiça", afirma Marcelo Nunes, presidente da cooperativa, em entrevista ao iG.

Uma das maiores operadoras do sistema Unimed – e do País – a Paulistana está em dificuldades financeiras desde a década passada. Neste ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) entendeu que a situação se agravou e, em setembro, decidiu obrigar a cooperativa a se desfazer de seus 740 mil clientes.

Parte 1 - O dinheiro dos cooperados
"Houve oportunidade sim de o sistema Unimed intervir de forma mais ou menos agressiva no sentido de auxiliar na correção dos rumos e resultados da Unimed Paulistana. A opção foi não fazer esse tipo de intervenção", queixa-se Nunes.

Na entrevista, o presidente afirma não saber se e quando será possível retomar os pagamentos aos médicos cooperados, que estão sem receber desde antes da determinação da alienação da carteira. Os pagamentos dependem, em parte, de a Paulistana conseguir recuperar valores que estão com fundos que emprestavam dinheiro à operadora – que estava sem acesso a crédito em bancos convencionais.

"Como nós não temos de previsão de qual será o valor, se será e qual será o valor a ser recuperado pela paulistana, não dá para fazer essa previsão. Mas a ideia é que todo o valor possa ser recuperado."

Parte 2 - O papel do sistema Unimed
Nunes – que assumiu o cargo em 2015 – também afirma que a Paulistana irá investigar a revelação feita pelo iG de que, antes da quebra, a operadora turbinou adiantamentos a fornecedores, numa prática considerada maquiagem por um especialista em contas de Unimeds.

Sobre o futuro, o presidente demonstra pouca esperança. Segundo Nunes, o sistema Unimed não tem demonstrado interesse em contratar a operadora como prestadora de serviço, como é uma das saídas estudadas pela gestão.

"Sem o sistema Unimed Paulistana como prestadora de serviço temos que procurar outro tipo de negocio para isso. Se isso será possível ou não, eu já admito previamente que é muito difícil. Mas impossível não é."

Parte 3 - O futuro da Unimed Paulistana.
Em nota à reportagem do iG, a Unimed do Brasil ressaltou que cada cooperativa médica que compõe a sua rede possui "gestão autônoma".

Confira abaixo a nota na íntegra:
A Unimed do Brasil esclarece que cada Unimed possui gestão autônoma e independente garantida pela Lei nº 5.764/1971, que rege a atuação das cooperativas no País. Por meio do papel institucional que exerce, a Unimed do Brasil participa intensamente de debates em diversas esferas, incluindo-se agendas na Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O objetivo de tais encontros é preconizar as reivindicações das cooperativas médicas, considerando-se que a Unimed tem perfil mercadológico diferente da concorrência e necessita de representação nestas frentes comuns (Cooperativismo e Saúde Suplementar). Neste sentido, a Unimed do Brasil acompanha a gestão assistencial, econômica, financeira e operacional das 351 cooperativas médicas que integram o Sistema Unimed, realizando alertas, recomendações, planos de recuperação e, até mesmo, incentivo à reformulação para que operadoras se tornem prestadoras de serviço, quando a configuração mercadológica da cooperativa viabiliza este caminho. Ressalta-se que tais medidas podem ou não ser colocadas em prática pela gestão das cooperativas, dada à autonomia que lhes é conferida por lei.

iG

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