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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Interações medicamentosas com alimentos e com medicamentos

Interações medicamentosas sempre representaram um verdadeiro fascínio para mim, desde a época de faculdade de Farmácia & Bioquímica

Entender como as interações se dão quimicamente e o que isso pode provocar em um organismo sempre foi objeto de extrema curiosidade em mim.

Mas além do fascínio, o tema sempre me preocupou pessoalmente, tanto como profissional de saúde quanto como ser humano, que se vê indignada com a falta de orientações fornecidas por alguns médicos (note que eu não generalizei) e até por farmacêuticos que ao invés de "dispensar" o medicamento (fornecendo todas as informações cabíveis), apenas "vendem" os medicamentos.

Vamos ao texto, propriamente dito: As interações medicamentosas ocorrem quando as substâncias encontradas nos medicamentos interagem de alguma forma com outro medicamento, com álcool ou com os alimentos.

Algumas interações prejudicam a absorção do fármaco pelo organismo, outras interferem na ação do mesmo no organismo. 

Conheça algumas dessas interações medicamentosas.

1. interação medicamentosa de Anticoncepcional + antibiótico
Há mais de duas décadas, estudos mostraram que alguns tipos de antibióticos, como rifampicina, cefalosporina, penicilina e metronidazol, podem interferir na ação das pílulas anticoncepcionais no organismo, levando a uma gravidez indesejada.

Pesquisas recentes não validaram o resultado, mas também não conseguiram provar o oposto. "Não se sabe por qual mecanismo, mas os antibióticos alteram a eficácia de anticoncepcionais em um pequeno número de mulheres.

Quem seriam essas pacientes e a dose que pode causar interação ainda não podemos estimar", explica o ginecologista Inácio Teruo, professor da Universidade Estadual de Londrina (PR). Ou seja, melhor prevenir em dose dupla! Quem toma pílula e recebe a prescrição de um antibiótico deve procurar outro método contraceptivo complementar durante o tratamento e ainda por uma semana após o término. Como os ativos de antibióticos estão presentes em vários medicamentos (inclusive alguns usados para tratamentos de pele, como os com tetralysal), o ideal é perguntar ao médico sobre o risco de interações.

Acréscimo Saúde com Ciência: É sabido que alguns laxantes naturais também interferem na absorção de anticoncepcionais como sene e cáscara sagrada.

2. Interação medicamentosa entre álcool + vitamina
O álcool é uma substância hepatotóxica. O problema é que as bebidas fazem com que o órgão fique confuso, o que pode comprometer a absorção de outras substâncias que estejam no organismo ao mesmo tempo, como os complexos vitamínicos.

"Vitaminas em geral são seguras nas doses recomendadas, mas o álcool pode acelerar a velocidade com que são metabolizadas no nosso organismo, reduzindo a sua eficácia", explica o farmacêutico Maurício Pupo, diretor do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Maurício Pupo de Educação e Pesquisa (Ipupo), em São Paulo. Ou seja, se você quer ficar saudável, o primeiro passo é enxugar um copo... de suco!

Acréscimo Saúde com Ciência: O álcool não interage apenas com vitaminas, mas com muitos outros medicamentos também. Ele pode potencializar a ação de um medicamento, sua própria ação também pode ser aumentada e a toxicidade também.

3. Interação medicamentosa entre antiácido + medicamentos
Feito para ajudar na digestão, o antiácido aumenta o pH gástrico (que normalmente é bem ácido = 2), alterando a dissolução da comida e de outros medicamentos. "Quando isso acontece, a absorção de alguns fármacos, como uma simples aspirina, é aumentada bruscamente, causando intoxicações ou reações adversas.

O contrário também pode acontecer e o medicamento perder completamente a sua função, já que ele foi feito para ser absorvido em um pH específico", alerta o clínico-geral Julio César de Oliveira, da Universidade Federal de Mato Grosso. Os antiácidos ainda diminuem o pH da urina, afetando a eliminação de toxinas. Para reduzir o efeito, respeite o intervalo de três horas entre a ingestão do antiácido e outro remédio.

4. Interação medicamentosa entre energético + Café
Quando você precisa trabalhar até tarde, um café ou um energético podem dar um gás extra. Se você resolver tomar os dois em um intervalo menor que três horas, porém, o tiro acaba saindo pela culatra: você não vai conseguir desligar a bateria nem quando terminar as tarefas. Isso porque as duas bebidas contêm cafeína, um estimulante. "Os sintomas mais comuns do excesso dele no organismo são insônia, agitação, tremedeira, taquicardia, náusea e dilatação de pupilas", diz Goldspan.

Muitas vezes os energéticos trazem também açúcar e ervas (como o guaraná), substâncias que agitam o organismo. Em geral, uma xícara de café (que contém em média entre 65 e 120 miligramas de cafeína) e uma latinha de energético (de 50 a 145 miligramas) já podem causar incômodo. Se acontecer, beba muita água e coma uma proteína leve. O efeito deve passar em torno de duas horas.

5. Interação medicamentosa entre antibióticos + leite ou outros alimentos
(tópico acrescido por Saúde com Ciência)

Alguns antibióticos interagem com leite e outros alimentos, o que retarda sua absorção. O exemplo clássico é a tetraciclina, cuja absorção é muito afetada por alimentos. Deve ser administrada longe das refeições e sempre com água.

Contudo, há exemplos de antimicrobianos que têm a absorção aumentada com alimentos. Exemplo: ácido fusídico. 

Comentário Saúde com Ciência: Além dos exemplos citados acima, há muitas outras interações medicamentosas, muitas delas estão explícitas nas bulas. Quando se consultar com um médico, se ele não falar, pergunte se deve tomar ou não próximo às refeições e com água ou leite.

Saúde com Ciência

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