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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Os perigos da Ritalina

Reprodução
Apesar dos efeitos colaterais, o medicamento passou a ser usado indiscriminadamente e para várias finalidades
 
Joanice de Deus
Da Reportagem
 
Usado para o tratamento de crianças com quadros de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, o metilfenidato, princípio ativo do medicamento mais conhecido comercialmente como “Ritalina” e Concerta, passou a ser popular e é procurado com bastante frequência nas farmácias e drogarias de Cuiabá.
 
Apesar dos efeitos colaterais que pode causar, o medicamento passou a ser usado para outras finalidades, como por exemplo, para uma suposta melhoria da concentração durante os estudos, inclusive para realização de concursos públicos.
 
“A Ritalina é mais vendida por ser mais acessível que o Concerta. Mas, ambas são bastante procuradas, mas só é vendida com receita (amarela)”, disse a responsável por uma farmácia, localizada na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (CPA), que preferiu não ter o nome divulgado.
 
Em outro estabelecimento farmacêutico, que fica na mesma avenida, a responsável também confirma que a droga ganha cada vez mais adeptos. “Nesta loja não é tão comercializado. Mas, já trabalhei em uma farmácia que fica em um shopping e lá a venda era mais frequente. Acho que é por ficar em uma região de classe mais alta. O remédio é bastante usado por estudantes, porque estimula a memória”, disse, reforçando que a venda só ocorre com a prescrição médica. Ela também preferiu não divulgar o nome.
 
Nas farmácias, a caixa da Ritalina de 10mg, com 30 comprimidos, fica em torno de R$ 32. Já o Concerta 18mg, com a mesma quantidade de comprimidos, sai por R$ 313,50. No início deste mês, o Ministério da Saúde (MS) publicou uma recomendação sobre uso abusivo do medicamento, na qual indica que estados e municípios publiquem protocolos de dispensação (entrada e saída) do medicamento.
 
De acordo com informações da Folha UOL, a medida adotada pelo MS visa a coibir um possível uso abusivo do produto e evitar a "medicação excessiva" de crianças. “Segundo o ministério, a medida ocorre diante da ‘tendência de compreensão de dificuldades de aprendizagem como transtornos biológicos a serem medicados’ e de um ‘aumento intenso’ no consumo do psicotrópico”, informa.
 
Conforme a reportagem da Folha, dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam crescimento de 21,5% na venda do metilfenidato em quatro anos – de 2,2 milhões de caixas em 2010 para 2,6 milhões em 2013 (último dado disponível).
 
No entanto, o MS diz que há estimativas "bastante discordantes" sobre a ocorrência de TDAH (Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade) em crianças e adolescentes – de 0,9% a 26,8%. O Brasil é considerado o segundo mercado consumidor da substância no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Diário de Cuiabá

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