Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Pesquisadores brasileiros descobrem 18 genes ligados ao câncer de pênis

O trabalho inédito poderá ser usado no desenvolvimento de novas estratégias de prevenção, como a criação de um exame que identifique os homens mais suscetíveis ao tumor
 
Um grupo de pesquisadores brasileiros investiga a genética por trás do câncer de pênis, um tumor sobre o qual há poucos estudos científicos e que afeta principalmente comunidades pobres, com baixo nível de educação sobre higiene e dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Responsável por 2% dos casos oncológicos que atingem o homem, a doença, quando localizada, pode ser curada. Contudo, alguns pacientes evoluirão e, mesmo depois de tratados, sofrerão recidiva e metástases. Quem são essas pessoas é o que os cientistas querem descobrir.

Resultados preliminares do estudo, iniciado há seis meses com 53 pacientes, foram apresentados ontem durante o 35º Congresso Brasileiro de Urologia, no Rio de Janeiro. O urologista José de Ribamar Calixto, pesquisador da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e um dos autores do trabalho, explica que a expectativa é aumentar o número de participantes para cerca de 150 e acompanhá-los por pelo menos uma década.

Apesar de recente, a pesquisa rendeu alguns achados importantes. Foram retiradas amostras de tecido doente e saudável dos pacientes e enviadas aos Estados Unidos, onde se identificou 18 genes suspeitos de estarem implicados com a doença. De acordo com Calixto, uma compreensão melhor sobre a genética do câncer de pênis vai levar a tratamentos mais precisos, evitando cirurgias desnecessárias e identificando, precocemente, os homens que deverão sofrer metástases.

“Hoje, o que se sabe sobre o câncer de pênis é que ele está associado à fimose e, provavelmente, ao vírus do HPV, que começa com uma ferida e, depois, surge o tumor, podendo progredir para pulmão e fígado. O diagnóstico é pela biópsia e o tratamento é com a amputação de uma parte ou do pênis todo. Acaba por aí o conhecimento da doença”, afirma. “Para tratar, não existe esquema efetivo de químio e rádio. Não se desenvolvem drogas específicas para esse câncer porque não temos financiamento, e os grandes laboratórios que fazem pesquisa de ponta, molecular e genética, não se interessam por ser uma doença de pobre, de países pobres”, critica.

Higiene

O câncer de pênis está associado à falta de higiene correta do órgão. Para preveni-lo, a indicação é lavar o pênis diariamente com água e sabão, principalmente após relações sexuais ou masturbação, puxando corretamente a pele para fazer a limpeza. Também é importante realizar o autoexame mensalmente, para verificar se há lesão na região, e realizar o exame médico uma vez por ano.

O problema, observa Calixto, é que nos locais em que há maior incidência e prevalência — no Brasil, as regiões Norte e Nordeste, principalmente no interior —, o acesso aos serviços de saúde é baixo. “O paciente leva até um ano para conseguir uma consulta e saber se o ferimento que encontrou é uma doença venérea ou um câncer”, exemplifica. “Não tem como. Acaba colocando o remédio que o vizinho orientou”, lamenta.

Correio Braziliense

Nenhum comentário:

Postar um comentário