Relatos de sangramento ocorridos em pacientes que tomam o remédio dabigatrana (Pradaxa) estão sendo monitorados pela FDA (agência americana que regula remédios e alimentos).
O objetivo é determinar se o remédio causa mais hemorragias do que a varfarina, droga usada há cerca de 50 anos para evitar a formação de coágulos que podem interromper a circulação de sangue no cérebro e levar a um acidente vascular cerebral (AVC).
O Pradaxa, fabricado pela Boehringer Ingelheim, foi aprovado em agosto pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Outra droga do mesmo grupo, a rivaroxabana (Xarelto, da Bayer), foi liberada nesta semana pela vigilância no Brasil.
ESPERANÇA
A aprovação dessas novas drogas era muito aguardada por causa das dificuldades do tratamento com o anticoagulante tradicional, a varfarina.
Quem toma esse remédio precisa fazer exames periódicos do nível de coagulação, para saber se o remédio está funcionando e se a dose deve ser ajustada.
Além disso, o efeito da varfarina pode ser modificado se a pessoa tomar outros remédios e até de acordo com sua alimentação. Os novos remédios dispensam esses cuidados. Em estudos patrocinados por seus fabricantes, eles conseguiram demonstrar que são ao menos tão eficazes quanto a varfarina para evitar derrames e causam um número similar de problemas de hemorragia.
O problema é que, agora que os remédios estão no mercado, é preciso determinar se o risco de sangramentos é maior do que o detectado pelos estudos.
"Os medicamentos são testados em pessoas com poucos problemas clínicos e jovens. Quando isso é aplicado à população, aumentam as chances de complicação. Mas, por enquanto, não há nada preocupante", afirma o cardiologista Evandro Tinoco, diretor clínico do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio.
Em carta ao "New England Journal of Medicine", médicos americanos do Centro de Pesquisa Translacional em Lesões em Houston relatam complicações em pacientes que tomam dabigatrana, sofrem hemorragia e precisam de atendimento emergencial.
Se a pessoa é tratada com os remédios antigos, é possível usar um "antídoto" que restaura rapidamente a coagulação, estancando o sangramento. Para os novos, não há uma medida rápida. A solução é tirar o remédio de circulação com diálise.
A neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, diz que já há antídotos em estudo para os novos anticoagulantes. "Fizemos uma pesquisa em nove hospitais no país e só 8% dos pacientes que precisam tomar anticoagulantes estavam em tratamento. Os remédios evitam derrames e só 1% dos pacientes sangram. O pior é não tomar e arriscar um AVC."
Fonte Folhaonline
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