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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Tuberculose supera Aids como doença infecciosa mais mortal

Custódio Coimbra - Foram registrados 9,6 milhões de novos
 casos de tuberculose no ano passado 
Relatório da OMS estima 1,5 milhão de vítimas fatais em 2014
 
Rio - Relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a tuberculose como a doença infecciosa mais mortal do planeta, superando a Aids. Estimativas apontam que a doença matou 1,5 milhão de pessoas no ano passado, contra 1,2 milhão de vítimas do HIV.
 
— A mortalidade da tuberculose está diminuindo, mas nós precisamos estimar novamente a situação global baseados em novas informações recebidas de países cruciais, incluindo a Indonésia — disse Mario Raviglione, diretor do programa mundial sobre a tuberculose na OMS. Enquanto isso, houve uma redução no número de mortes relacionadas à Aids, graças ao aumento da disponibilidade de drogas antirretrovirais. — Enquanto a incidência de tuberculose está caindo, a de HIV diminui de forma mais acelerada.
 
As duas doenças são consideradas “parceiras do crime” e, por vezes, afetam os mesmos grupos. Entre as vítimas fatais do ano passado, 400 mil possuíam os dois males. No mundo, foram relatados 9,6 milhões de novos casos em 2014, sendo que 12% dos pacientes também eram portadores do HIV. Apesar disso, diz Raviglione, as atenções dadas por programas de saúde são diferentes.
 
— Elas estão matando no mesmo ritmo — disse Raviglione, ressaltando uma “desproporção real no nível de financiamento”. — No fim, a tuberculose merece a mesma atenção que o HIV/Aids.
 
De acordo com o relatório, seriam necessários US$ 1,4 bilhão em investimentos adicionais em tratamento para combater a epidemia global da doença, além de outros US$ 1,3 bilhão em fundos de pesquisas para o desenvolvimento de novas drogas e vacinas. Apesar disso, as metas definidas em 2000 nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram alcançadas em 16 dos 22 países que respondem coletivamente por 80% dos casos.
 
Brasil está na lista dos 22 citados
O Brasil está neste grupo, apesar de apresentar os melhores índices de mortalidade (2,6 para cada cem mil habitantes), prevalência (52 para cem mil habitantes) e incidência (44 para cem mil habitantes).
 
A OMS destaca ainda que, em relação a 1990, a taxa global de mortalidade caiu praticamente pela metade. Desde 2000, os avanços em diagnóstico e tratamento salvaram 43 milhões de vidas, e a incidência de novos casos caiu a taxa de 1,5% por ano, numa redução total de 18%.
 
— O relatório mostra que o controle da tuberculose teve um tremendo impacto em termos de vidas salvas e pacientes curados — disse Margaret Chan, diretora-geral da OMS. — Esses avanços são animadores, mas se o mundo quer acabar com essa epidemia, é preciso aumentar a escala dos serviços e, criticamente, investir em pesquisas.
 
Entre os pontos que precisam ser melhorados, o relatório destaca as falhas no diagnóstico. Dos 9,6 milhões de novos casos no ano passado, apenas 6 milhões (62,5%) foram relatados às autoridades nacionais. Isso significa que, globalmente, mais de um terço dos pacientes não são notificados, e a qualidade do tratamento dado a eles é desconhecida.
 
Outra preocupação está na incidência de tuberculose resistente à medicamentos. 43 países reportaram taxas de cura superiores a 75% para pacientes nessa situação, mas, globalmente, dados mostram a taxa de cura média de apenas 50%.
 
A partir do ano que vem, os objetivos globais vão mudar do controle para a eliminação da epidemia de tuberculose. A estratégia adotada por todos os países membro da OMS visa reduzir a incidência em 80% e o número de mortes em 90% até 2030.

O Globo

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