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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Vencendo o terror à ressonância

Vencendo o terror à ressonância Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS
Sintomas típicos de uma crise de pânico são desencadeados em cerca de 5 a 10% dos pacientes
 
A sala é levemente fria, silenciosa e pouco iluminada. Nela, apenas uma cama, alguns equipamentos e um estreito túnel. Em poucos minutos, você estará dentro dele, imóvel, por cerca de meia hora. A simpatia dos médicos e profissionais que o acompanham pode aliviar um pouco a tensão do momento. Abordam assuntos aleatórios enquanto lhe deitam na cama, imobilizam sua cabeça e inserem tampões em seus ouvidos. Os barulhos serão altos, alerta a enfermeira. Assim que deixam a sala, as luzes se apagam e você se vê sozinho, parado, com os olhos voltados para o teto.
 
Para a maioria, a cena acima descrita não passa de um simples e indolor exame de ressonância magnética. Para a professora Ana Claudia Lutz, 45 anos, poderia fazer parte de um filme de terror.
 
Conforme a cama se movimenta para dentro do túnel, suas mãos começam a suar, o coração dispara e a respiração fica ofegante. O desespero é tamanho que ela não consegue permanecer imóvel.
 
Levanta-se e sai correndo da sala, com a sensação de que está prestes a desmaiar. Os sintomas, típicos de uma crise de pânico, são desencadeados em cerca de 5 a 10% das pessoas que realizam este e outros tipos de exames de imagem. São os claustrofóbicos - aqueles que têm fobia a lugares fechados. Para eles, as crises têm data, hora e local para ocorrer. Conforme o médico Bruno Hochhegger, radiologista do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, as reações ocorrem pelo tempo em que o paciente necessita permanecer dentro do equipamento, estreito e escuro:
 
- Esta fobia pode desencadear uma série de alterações clínicas de ordem psíquica, como intensa ansiedade e senso de opressão, e de ordem somática, que ocorre devido a uma descarga de adrenalina.
 
Ela provoca a aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração, sudorese, secura na boca, tensão muscular, vertigens, distúrbios gastrointestinais e até movimentos involuntários.
 
Em situações extremas, as reações são tão intensas que podem até causar desmaios, comenta o especialista. E o curioso é que, na maior parte dos casos, os pacientes não sabem que possuem a fobia. Chegam tranquilos para realizar o exame, e na hora em que a cama começa a se direcionar para dentro do túnel, são surpreendidos pela crise de ansiedade.
 
- Cerca de 90% dos pacientes não sabem que têm essa fobia. Por isso, nossa rotina é sempre fazer uma entrevista e um teste. Eles respondem a um questionário sobre suas vidas e entram no equipamento com um marcador na mão. Assim que começam a se sentir mal, apertam o botão e a máquina para.
 
Sedação é indicada para  exames imprescindíveis
Ainda que a melhor forma de tratar a fobia seja por meio de uma abordagem psicológica, nos casos em que o exame é imprescindível e precisa ser realizado sem demora, a indicação é sedar os pacientes, explica Bruno.
 
Foi esta a solução encontrada pela professora Ana Claudia para seguir monitorando o coágulo que tem no cérebro:
 
- Tenho de fazer o exame de seis em seis meses. Como tive essa crise na primeira vez e não consegui de jeito nenhum ficar dentro da máquina, cada vez que vou realizá-lo, sou sedada antes. Dessa forma fico mais tranquila, e os médicos podem me avaliar da melhor forma.
 
Assim como ela, uma média de seis pacientes dos cem que realizam o exame diariamente no Hospital Santa Casa são sedados. Enquanto alguns conseguem se tranquilizar com um calmante, outros precisam de anestesia geral para permanecer os 30 minutos imóvel dentro do temido túnel.
 
Equipamentos menos assustadores
A fobia ao aparelho de ressonância magnética, que está no topo da lista da síndrome do pânico em exames, motivou empresas, hospitais e cientistas a desenvolverem equipamentos cada vez menos assustadores aos pacientes. Além de reduzir o barulho e deixar o túnel mais curto e amplo, alguns locais também passaram a investir em ambientes mais claros, quentes e aconchegantes. Em determinados hospitais, é possível inclusive escutar música e observar um céu estrelado enquanto o exame é realizado. 
 
Fazem sucesso entre os pacientes fóbicos aqueles que são denominados "Ressonância Magnética de Campo Aberto". Neles, o paciente pode realizar o exame em um local menos estreito, o que reduz a sensação de sufocamento. É preciso discutir com o médico a possibilidade de substituir o procedimento tradicional por este tipo de equipamento, já que a definição da imagem é menor, alerta o radiologista Bruno Hochhegger.
 
- Também foram desenvolvidos aparelhos com maior espaço para o paciente, que têm uma definição de imagem muito boa, mas ainda não são tão difundidos devido aos seus custos - explica.
 
Até que as novidades satisfaçam por completo os mais temerosos, a solução é dialogar com o médico e buscar a melhor solução para o bem-estar do paciente e a eficácia dos exames.
 
Dicas para espantar o medo
Assim como o medo do exame de ressonância magnética, outros muito comuns como de animais, de altura, de elevador são chamados fobias, e costumam paralisar. Outro tipo de medo bastante comum é o do julgamento do outro, que é o centro da fobia social. A dica para espantar anseios como estes, segundo a psicóloga Martha Ludwig, é, primeiramente, o enfrentamento:
 
- Quanto mais a gente evita o medo, mais a gente reforça ele, maior ele fica.
 
Outra estratégia para fazer uma ressonância sem ficar suando frio é usar técnicas de respiração diafragmática e relaxamento. A dica é não fazer a respiração somente quando está no local, mas sempre que pensa no exame.
 
Zero Hora

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