Foto: Genaro Joner / Agencia RBS Reflexos mais ágeis são alguns dos benefícios proporcionados pelos games |
Aos 14 anos, o universitário Jefferson Prado, hoje com 19 anos, ficou surpreso ao perceber que sabia com detalhes a resposta correta de uma das perguntas da prova de história do 9º ano do Ensino Fundamental. A questão tratava de uma passagem importante na vida do romano Júlio César. A resposta só veio fácil porque o estudante estava, à época, entusiasmado com um jogo virtual de estratégia sobre o Império Romano. A escola cobrava a volta de César de Gália, uma das fases mais importantes do game.
— Foi fácil porque no jogo eu era Júlio César, eu vivia como César — conta.
As mesmas partidas provocaram no adolescente reflexões complexas para a idade dele. Uma das fases questionava como seria o mundo atual se Roma tivesse sido vencida por Cartago durante as Guerras Púnicas.
— Na época, eu me questionei se a nossa sociedade, tão influenciada por Roma, teria algumas características de Cartago. Jogar me levou a essa reflexão — diz Jefferson.
Cada vez mais comuns entre os jovens, os jogos virtuais podem abrir espaço para o aprendizado e auxiliar no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Reflexos mais ágeis, maior capacidade de tomar decisões rápidas, novos conhecimentos e até o aprendizado de novas línguas são alguns dos benefícios proporcionados pelos games, dizem especialistas. Os benefícios não vêm apenas dos jogos desenvolvidos especialmente para a educação, explica a professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e especialista em educação e tecnologia Lynn Alves.
— Os jogos comerciais também podem ser um estímulo para a aprendizagem — afirma.
A professora coordena o site Comunidades Virtuais. Ligada à Uneb, a iniciativa disponibiliza jogos gratuitos e educativos.
Incentivo da mãe
Psicólogo, Luiz Mello Gallina confirma a ideia de que mesmo os jogos não pensados com a proposta educativa podem promover benefícios. Gallina pondera, entretanto, que a influência dos jogos depende das especificidades do usuário.
— Um mesmo jogo pode ser benéfico para alguns jogadores e não para outros. Os benefícios podem vir se a pessoa usar a experiência para refletir sobre a vida — explica.
No caso de Jefferson, o estímulo para começar a jogar veio da mãe. Quando ele tinha seis anos, ela colocava o garoto para brincar com um jogo cujo objetivo era construir e administrar cidades. A intenção era instigar e desenvolver melhor o raciocínio lógico. Jefferson acredita que a criatividade também foi aguçada durante essas partidas.
— Tinha de criar novas cidades, organizá-las, atividades difíceis para uma criança daquela idade e que me estimularam muito a pensar diferente — afirma.
O estudante de engenharia conta que os games também lhe renderam benefícios que, raramente, são relacionados aos jogos virtuais, como a possibilidade de fazer novos amigos.
— Eu era muito tímido quando mais novo. Foi com o contato que eu precisava ter com outras pessoas nos jogos online que me soltei mais — explica.
Jefferson diz também que a competitividade dos games o ensinou a liderar e trabalhar bem em equipe.
— Em alguns jogos, você não faz nada sozinho. A vontade de ganhar me fez aprender a trabalhar melhor em conjunto, o que ajuda na universidade, na vida fora do jogo — avalia.
Em família
Doutora em psicologia e especialista em tecnologia educacional, Lairtes Júlia Vidal acredita que os jogos, além de uma maneira eficaz de se obter novos conhecimentos, pode aproximar pessoas.
— Pode ser divertimento que ensina novos conteúdos, curiosidades e que auxilia a socialização — afirma.
Mesmo dentro de casa, as relações podem ser melhoradas. Apesar das dificuldades que os pais geralmente encontram para dominar a linguagem e o ambiente dos jogos, a atividade pode ser um meio de aproximá-los dos filhos. Segundo o psicólogo Luiz Mello Gallina, conversar com filhos sobre jogos e mostrar interesse na atividade podem representar um reconhecimento de que os gostos e as escolhas dos mais jovens são valorizados.
— Isso facilita uma aproximação, permitindo que os pais possam tratar dos receios que têm em relação aos jogos e tomar decisões mais adequadas — complementa.
O universitário Lucas Sanches, 18 anos, começou a jogar por volta dos cinco anos. Para o estudante de Engenharia, os games foram uma maneira divertida de estar próximo da família. Tios, primos e o pai do jovem sempre foram parceiros dele na atividade.
— Era uma momento de diversão entre nós — diz.
Devido à rotina de trabalho do pai, Lucas conta que eles tinham pouco tempo para estar juntos:
— Meu pai sempre trabalhou muito. Quando jogávamos, era uma oportunidade de ficarmos mais próximos.
Além de colaborar para aproximar a família, os games auxiliaram Lucas no aprendizado do inglês, já que a maioria dos jogos é desenvolvida nessa língua. O contato com jogadores de outros países também é um fator importante para a aprendizagem de idiomas.
— Você se acostuma com as palavras, com o jeito que o idioma é, aprende mais vocabulário. Grande parte do que sei de inglês aprendi jogando — explica o universitário.
Interações facilitadas
No imaginário de muitas pessoas, quem gosta de jogos virtuais é visto como alguém que se isola em um quarto e, com um computador ou uma televisão à frente, esquece-se do mundo ao redor. Especialistas e jogadores, entretanto, afirmam que os games podem ser, na verdade, um meio de se obter novos relacionamentos e aumentar a interação social dentro e fora do espaço virtual. Para o psicólogo Luiz Mello Gallina, grupos de amizade se formam por conta do interesse comum nos jogos, fazendo com que a importância deles extrapole o ambiente digital:
Um jogo que envolve a presença de outros jogadores abre a possibilidade de interações sociais mais frequentes, o que pode ser benéfico para pessoas com dificuldades de relacionamento.
Os universitários Jefferson Prado,19, e Lucas Sanches, 18, contam que conheceram diversas pessoas dentro do ambiente de jogo. Os dois acreditam que os jogos facilitam a interação com pessoas de outras cidades e até países em relações que, muitas vezes, migram para fora das telas.
— Muitos dos meus melhores amigos eu conheci jogando, pessoas de outros países e mesmo alguns da minha cidade — diz Jefferson.
Gallina adverte que é preciso ficar atento ao risco de que os jogos se transformem, de fato, em uma forma de isolamento. Outros afazeres, segundo o especialista, não podem ser deixados de lado pelo envolvimento com os games.
— Deve-se ponderar que existem outras atividades e acontecimentos igualmente importantes. Os jogos não podem tomar todo o tempo de convívio com a família, amigos ou colegas —alerta.
Alguns benefícios
— Auxiliar no desenvolvimento de crianças e adolescentes
— Reflexos mais ágeis
— Maior capacidade de tomar decisões rápidas
— Novos conhecimentos
— Aprendizado de novas línguas
— Instigar e desenvolver o raciocínio lógico
— Foi fácil porque no jogo eu era Júlio César, eu vivia como César — conta.
As mesmas partidas provocaram no adolescente reflexões complexas para a idade dele. Uma das fases questionava como seria o mundo atual se Roma tivesse sido vencida por Cartago durante as Guerras Púnicas.
— Na época, eu me questionei se a nossa sociedade, tão influenciada por Roma, teria algumas características de Cartago. Jogar me levou a essa reflexão — diz Jefferson.
Cada vez mais comuns entre os jovens, os jogos virtuais podem abrir espaço para o aprendizado e auxiliar no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Reflexos mais ágeis, maior capacidade de tomar decisões rápidas, novos conhecimentos e até o aprendizado de novas línguas são alguns dos benefícios proporcionados pelos games, dizem especialistas. Os benefícios não vêm apenas dos jogos desenvolvidos especialmente para a educação, explica a professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e especialista em educação e tecnologia Lynn Alves.
— Os jogos comerciais também podem ser um estímulo para a aprendizagem — afirma.
A professora coordena o site Comunidades Virtuais. Ligada à Uneb, a iniciativa disponibiliza jogos gratuitos e educativos.
Incentivo da mãe
Psicólogo, Luiz Mello Gallina confirma a ideia de que mesmo os jogos não pensados com a proposta educativa podem promover benefícios. Gallina pondera, entretanto, que a influência dos jogos depende das especificidades do usuário.
— Um mesmo jogo pode ser benéfico para alguns jogadores e não para outros. Os benefícios podem vir se a pessoa usar a experiência para refletir sobre a vida — explica.
No caso de Jefferson, o estímulo para começar a jogar veio da mãe. Quando ele tinha seis anos, ela colocava o garoto para brincar com um jogo cujo objetivo era construir e administrar cidades. A intenção era instigar e desenvolver melhor o raciocínio lógico. Jefferson acredita que a criatividade também foi aguçada durante essas partidas.
— Tinha de criar novas cidades, organizá-las, atividades difíceis para uma criança daquela idade e que me estimularam muito a pensar diferente — afirma.
O estudante de engenharia conta que os games também lhe renderam benefícios que, raramente, são relacionados aos jogos virtuais, como a possibilidade de fazer novos amigos.
— Eu era muito tímido quando mais novo. Foi com o contato que eu precisava ter com outras pessoas nos jogos online que me soltei mais — explica.
Jefferson diz também que a competitividade dos games o ensinou a liderar e trabalhar bem em equipe.
— Em alguns jogos, você não faz nada sozinho. A vontade de ganhar me fez aprender a trabalhar melhor em conjunto, o que ajuda na universidade, na vida fora do jogo — avalia.
Em família
Doutora em psicologia e especialista em tecnologia educacional, Lairtes Júlia Vidal acredita que os jogos, além de uma maneira eficaz de se obter novos conhecimentos, pode aproximar pessoas.
— Pode ser divertimento que ensina novos conteúdos, curiosidades e que auxilia a socialização — afirma.
Mesmo dentro de casa, as relações podem ser melhoradas. Apesar das dificuldades que os pais geralmente encontram para dominar a linguagem e o ambiente dos jogos, a atividade pode ser um meio de aproximá-los dos filhos. Segundo o psicólogo Luiz Mello Gallina, conversar com filhos sobre jogos e mostrar interesse na atividade podem representar um reconhecimento de que os gostos e as escolhas dos mais jovens são valorizados.
— Isso facilita uma aproximação, permitindo que os pais possam tratar dos receios que têm em relação aos jogos e tomar decisões mais adequadas — complementa.
O universitário Lucas Sanches, 18 anos, começou a jogar por volta dos cinco anos. Para o estudante de Engenharia, os games foram uma maneira divertida de estar próximo da família. Tios, primos e o pai do jovem sempre foram parceiros dele na atividade.
— Era uma momento de diversão entre nós — diz.
Devido à rotina de trabalho do pai, Lucas conta que eles tinham pouco tempo para estar juntos:
— Meu pai sempre trabalhou muito. Quando jogávamos, era uma oportunidade de ficarmos mais próximos.
Além de colaborar para aproximar a família, os games auxiliaram Lucas no aprendizado do inglês, já que a maioria dos jogos é desenvolvida nessa língua. O contato com jogadores de outros países também é um fator importante para a aprendizagem de idiomas.
— Você se acostuma com as palavras, com o jeito que o idioma é, aprende mais vocabulário. Grande parte do que sei de inglês aprendi jogando — explica o universitário.
Interações facilitadas
No imaginário de muitas pessoas, quem gosta de jogos virtuais é visto como alguém que se isola em um quarto e, com um computador ou uma televisão à frente, esquece-se do mundo ao redor. Especialistas e jogadores, entretanto, afirmam que os games podem ser, na verdade, um meio de se obter novos relacionamentos e aumentar a interação social dentro e fora do espaço virtual. Para o psicólogo Luiz Mello Gallina, grupos de amizade se formam por conta do interesse comum nos jogos, fazendo com que a importância deles extrapole o ambiente digital:
Um jogo que envolve a presença de outros jogadores abre a possibilidade de interações sociais mais frequentes, o que pode ser benéfico para pessoas com dificuldades de relacionamento.
Os universitários Jefferson Prado,19, e Lucas Sanches, 18, contam que conheceram diversas pessoas dentro do ambiente de jogo. Os dois acreditam que os jogos facilitam a interação com pessoas de outras cidades e até países em relações que, muitas vezes, migram para fora das telas.
— Muitos dos meus melhores amigos eu conheci jogando, pessoas de outros países e mesmo alguns da minha cidade — diz Jefferson.
Gallina adverte que é preciso ficar atento ao risco de que os jogos se transformem, de fato, em uma forma de isolamento. Outros afazeres, segundo o especialista, não podem ser deixados de lado pelo envolvimento com os games.
— Deve-se ponderar que existem outras atividades e acontecimentos igualmente importantes. Os jogos não podem tomar todo o tempo de convívio com a família, amigos ou colegas —alerta.
Alguns benefícios
— Auxiliar no desenvolvimento de crianças e adolescentes
— Reflexos mais ágeis
— Maior capacidade de tomar decisões rápidas
— Novos conhecimentos
— Aprendizado de novas línguas
— Instigar e desenvolver o raciocínio lógico
Correio Braziliense/Da Press
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