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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

10 erros na hora de passar o repelente

Todo mundo quer distância do mosquito Aedes aegypti, mas para o repelente ter o efeito desejado é preciso passá-lo adequadamente Mau uso de repelentes pode causar intoxicação em crianças e adultos; aprenda técnicas e veja quantas vezes por dia você pode aplicá-lo, de acordo com a composição do produto

Com a epidemia de doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti - dengue, zika vírus e chikungunya - cada vez mais grave, os repelentes de insetos estão cada vez mais em destaque, chegando a ficar em falta nas farmácias. No entanto, para se proteger adequadamente não basta apenas comprar o primeiro repelente que se vê na farmácia e aplicá-lo indiscriminadamente.

Sob pena de jogar dinheiro fora e acabar desprotegido, é necessário obedecer algumas regras para que a eficácia seja satisfatória e não aconteçam problemas maiores, como uma intoxicação. Repelente não é uma água insossa, mas um produto que, quando usado de maneira incorreta, pode causar efeitos colaterais.

Veja erros comuns na hora de passar o repelente:

1. O primeiro erro que alguém pode cometer é tratar todos os repelentes como iguais, passando-os sem considerar suas diferenças quanto à durabilidade e efeitos.

2. Erro: passar o repelente mais de três vezes por dia. E esse é o máximo de aplicações que os médicos recomendam diariamente.

3. Há basicamente três tipos de repelentes disponíveis no Brasil: o DEET, o IR 3535 e a icaridina.

4. O DEET e o IR 3535 afugentam os mosquitos por até quatro horas. A icaridina é a mais eficiente e consegue os insetos por até 10 horas, reduzindo a quantidade de aplicação ao longo do dia.

5. Erro: Não priorizar as áreas expostas na hora de aplicar o repelente, como o rosto, pernas e braços, também é um erro. Aplicar o produto em todo o corpo aumenta as chances de intoxicação.

6. Erro: aplicar repelente em ambientes fechados também aumenta as chances de intoxicação. Prefira lugares abertos, onde o ar circula mais e o odor do produto se dispersa melhor.

7. Erro: dormir com o repelente no corpo não é uma boa prática. O produto pode passar para os lençóis e acabar contato com áreas sensíveis, como olhos e a boca. Tome um banho antes de deitar.

8. Erro: Não lavar as mãos, especialmente das crianças, depois da aplicação do repelente. As mãos sujas com o produto podem acabar em contato com os olhos e a boca, o que pode causar intoxicação.

9. Erro: aplicar o repelente nas áreas próximas das mucosas (olho, nariz e boca).

10. Erro: passar o repelente em áreas feridas do corpo. Isso aumenta a chance de intoxicação.

11. Erro: tratar os repelentes naturais, como a citronela, como inofensivos é um equivoco. Além de não ter eficácia comprovada, eles ainda podem causar reações alérgicas.

12.Erro: passar repelentes em crianças com menos de dois anos de idade. Mais sensível, a pele delas tem pouca defesa, absorvendo mais o produto, o que pode gerar complicações sistêmicas, neurológicas e pulmonares.

A dermatologista Carolina Marçon, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, conta que há basicamente três tipos de repelentes disponíveis no Brasil. “O que contém DEET, IR 3535 ou icaridina”, diz ela. O primeiro deles, o DEET, é um dos mais comuns e protege a pessoa das picadas de inseto por quatro horas, em média. O IR 3535 também afugenta os mosquitos por até quatro horas. O mais eficiente deles, à base de icaridina, consegue afastar os seres alados por até 10 horas, reduzindo a quantidade de aplicação ao longo do dia.

“Deve-se aplicar o repelente de inseto no máximo três vezes ao dia, por isso o de icaridina é mais interessante, dada sua eficácia prolongada. Além disso, quando se aplica menos vezes, o risco de reação ao repelente diminui”, diz a médica.

Atualmente, no entanto, consumidores têm tido dificuldade para encontrar o produto, já que apenas uma marca no Brasil comercializa o repelente com esse princípio ativo. Segundo o departamento de marketing da empresa, a produção desse tipo de repelente aumentou oito vezes, mas ainda não dá conta de toda a demanda.

A presidente do departamento de dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Kerstin Taniguchi Abagge, explica que a maioria dos repelentes usa o DEET, substância sintética que pode causar reações alérgicas na pele, dependendo da sensibilidade de cada um, da concentração, do veículo (se creme, loção alcoólica ou spray) e se a pele está machucada ou não, já que lesões facilitam a penetração das substâncias.

“Existem atualmente repelentes sem DEET, que são mais seguros para crianças”, explica a médica. “Alguns repelentes causam reações sérias quando ingeridos, por isso há uma grande fiscalização da Anvisa quanto à concentração que pode ser comercializada no Brasil”, ressalta Kerstin.

Crianças menores de dois anos devem passar longe dos repelentes de inseto, salvo recomendação expressa e orientação do pediatra. “A criança tem pouca defesa corpórea e uma pele que absorve mais.

O uso de repelente abaixo de dois anos de idade pode causar complicações sistêmicas, neurológicas e pulmonares”, alerta a dermatologista. Mosquiteiros podem ajudar a evitar as picadas, nesse caso.

Acima dessa idade, o repelente é relativamente seguro. No uso habitual, não costuma apresentar problema, nem mesmo para quem tem doenças respiratórias que normalmente sofrem com químicos inalados. Essa segurança existe pois o meio de administração do princípio ativo geralmente é alcoólico, explica o pneumologista do Hospital das Clínicas de São Paulo Francisco Mazon, que também é professor da Universidade de São Paulo (USP).

O jeito certo de aplicar
O repelente de inseto deve ser aplicado nas áreas expostas - incluindo o rosto - no máximo três vezes ao dia, recomenda a Carolina. O pneumologista do HC Francisco Mazon explica ainda que a aplicação excessiva do repelente aumenta o risco de intoxicação.

“Isso varia de acordo com o tipo de repelente e a quantidade usada”, detalha. Segundo Francisco, parte do repelente pode ser absorvida pela pele, especialmente pelas mucosas, daí a recomendação para evitar o contato.“É necessário cuidado ao aplicar no rosto, evitando contato com as mucosas – boca, nariz e olhos – e aplicar sempre em local com boa ventilação”, recomenda.

Além disso, Kerstin recomenda que os pais ou cuidadores lavem as mãos das crianças depois da aplicação, já que elas podem colocar a mãos nos olhos ou na boca. “A criança não deve dormir com o repelente, e sim tomar banho com água e sabonete para removê-lo”, alerta. A mesma recomendação vale para os adultos. Não se dorme com repelente de insetos, afirma Carolina.

No caso de idosos, o repelente deve ser aplicado com cuidado, já que eles têm a pele mais frágil, segundo o geriatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, Paulo Camiz.

“Se existirem feridas, pode ter a absorção pelo corpo e o repelente ser tóxico. Isso pode também acontecer em jovens, mas a chance de um idoso lesar a pele, por ser mais frágil, é maior”, alerta Camiz.

Citronela
Para a presidente da divisão de dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, os repelentes à base de citronela, assim como outras plantas, não são inofensivos e não demonstram uma efetividade superior aos demais.

“Podem causar reações alérgicas e mesmo reações do tipo ‘fitofotodermatite’, como aquelas causadas por frutas como o limão e plantas leitosas”, diz ela. “Nem sempre os produtos ditos ‘naturais’ são melhores que os sintéticos”, alerta Kerstin.

Carolina explica que ainda não há estudos que provem que a citronela é uma melhor opção. “Portanto, repelentes com óleo de citronela, eucalipto e andiroba não têm segurança comprovada para se usar em crianças. Além disso, eles são muito voláteis e têm tempo de ação muito curto”, diz. “Mas também não podem ser aplicados mais do que três vezes ao dia”, recomenda.

Além disso, Carolina explica que a pulseira com citronela não é eficiente. “Ela protege num raio de quatro centímetros ao redor, ou seja, só aquela parte do braço”, alerta.

iG

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