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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Pesquisa avalia suplementos “naturais” contra disfunção erétil

Assim como no Brasil, nos Estados Unidos há diversos suplementos disponíveis no mercado que prometem melhorar a vida sexual de homens e mulheres

Se você pensa ou já pensou em experimentar um deles vale a pena dar uma olhada em uma revisão científica que acaba de ser publicada no Journal of Sexual Medicine.

Os pesquisadores, liderados pelo professor de urologia Ryan Terlecki, do Wake Forest Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, avaliaram testes feitos com diversas substâncias e concluíram que faltam evidências de eficácia para boa parte delas.

O dado mais preocupante da revisão é o fato de que muitos produtos comercializados como “naturais” possuem traços de inibidores de fosfodiesterases, mesma classe de medicamento da qual faz parte o Viagra.

Um dos estudos levantados pela equipe revela a presença da droga em 81% das amostras de suplementos vendidos sem receita nos Estados Unidos e na Ásia. Vale lembrar que homens com doença cardíaca, que tomam nitratos, podem ter efeitos colaterais graves com o uso de Viagra, bem como aqueles que usam remédios para tratar o aumento da próstata.

De 40 a 70% dos homens apresentam algum grau de disfunção sexual durante a vida. Como o tema envolve certa vergonha, é comum recorrer a produtos de venda livre. Os autores comentam que muitos norte-americanos gastam mais de cinco dólares por dia com suplementos que não têm eficácia comprovada.

Além de alertar contra a falta de evidências, a equipe também chama a atenção para o fato de os suplementos não serem classificados como remédios (no Brasil também é assim), por isso não há como garantir a qualidade e pureza dos produtos “naturais”, ou seja, sua segurança.

Veja o resumo do que os pesquisadores concluíram sobre alguns suplementos bastante vendidos para melhorar o desempenho sexual:

O suplemento de DHEA foi considerado relativamente seguro, já que os dados não demonstraram efeito significativo nos níveis hormonais. Mas as informações que sugerem benefício são fracas.

O feno grego, encontrado em um terço dos suplementos mais vendidos para homens nos EUA, também não apresentou efeitos adversos nos estudos. Em um deles foi registrada melhora na excitação e no orgasmo, bem como na força muscular e no bem-estar.

O Ginkgo biloba, também vendido para várias outras doenças, não tem resultados convincentes no que se refere à disfunção erétil. Além disso, pode provocar dores de cabeça, tontura e sangramentos graves, especialmente em pacientes que tomam anticoagulantes.

O ginseng, o ingrediente mais comum nos suplementos para homens, pode causar dores de cabeça, queimação, prisão de ventre, insônia, feridas na pele e reduzir a glicose (o que pode ser perigoso para diabéticos).

O Epimedium, conhecido nos EUA como Horny Goat Weed, foi considerado seguro, no geral, apesar de alguns relatos de euforia e taquicardia. Mas também não há evidência em humanos de que a erva medicinal melhore o sexo.

A L-arginina, um aminoácido comum em suplementos, foi associada a queda na pressão arterial, apesar de considerada segura. Ela teria o potencial (em teoria) de melhorar a função erétil.

A maca, que também está em diversos produtos, teve resultados positivos em estudos com animais no que se refere à melhora no interesse sexual, com relatos raros de efeitos tóxicos, como aumento de enzimas hepáticas e da pressão sanguínea.

Não foram encontradas evidências de benefícios em humanos para a Tribulus, outra erva comum nos suplementos. Houve dois relatos de efeito tóxico para o fígado e os rins em altas doses.

A ioimbina, uma substância vasodilatadora utilizada há bastante tempo, apresentou resultados positivos em alguns estudos, mas também pode causar efeitos colaterais como hipertensão, dor de cabeça, agitação, sudorese e insônia.

Por fim, o zinco também foi considerado seguro, mas não há evidência de que indivíduos saudáveis, ou seja, que não tenham deficiência comprovada, possam ter algum benefício ao consumir o suplemento.

Assim, o poder atribuído às ostras, assim como a muitos suplementos, talvez não passe de efeito placebo.

Uol

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