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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Médica sobre zika causar cegueira em bebês: "Problema pode ser muito maior"

Mães que tiveram suspeita de ter contraído zika vírus na gravidez devem levar o bebê para examinar mesmo se a criança nascer sem microcefalia

A microcefalia associada ao zika vírus pode ser a causa de uma lesão irreversível nos olhos de um bebê, como apontam médicos da USP e da Fundação Altino Ventura
iStock - A microcefalia associada ao zika vírus pode ser a causa de uma lesão irreversível nos olhos de um bebê, como apontam médicos da USP e da Fundação Altino Ventura

Médicos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Fundação Altino Ventura de Pernambuco descobriram que a microcefalia associada ao zika vírus pode ser a causa de uma lesão na mácula ocular diferente daquelas causadas por outros tipos de microcefalia.

“É uma lesão irreversível na visão. Dependendo do lugar da retina e da intensidade, pode ser causa de cegueira permanente em ambos os olhos”, afirma Rubens Belfort Junior, professor-titular de oftalmologia da Unifesp. “Em todas as crianças que examinamos as alterações visuais eram praticamente iguais”, completa.

Presidente da Fundação Altino Ventura de Pernambuco, a médica Liana Ventura conta que já aconteceram três mutirões para avaliar a saúde das crianças nascidas com microcefalia associada ao zika vírus. “Essa lesão é bem específica, por isso foi muito importante que achássemos nos olhos dessas crianças”, ressalta a médica.

Liana prossegue dizendo que esse tipo de lesão na mácula não é encontrada em outros casos de microcefalia, como toxoplasmose, rubéola e sífilis.

“Mesmo os casos que não tenham microcefalia podem ter alteração de retina e nervo óptico. O problema pode ser muito maior do que se pensa”, aponta Liana.

Para a médica, é importante procurar o médico depois do nascimento da criança, mesmo que a enfermidade não tenha sido constatada, a fim de que o problema na visão seja descartado.

“As lesões vão desde deficiências visuais leves até casos de cegueira”, acrescenta a especialista. Ela cita como exemplo o comprometimento anatômico das áreas mais nobres do olho, como retina e nervo ótico.

No entanto, os dados desses mutirões de exames ainda não foram computados. Então não é possível saber ainda a porcentagem de bebês com comprometimento severo de visão.


Estimulação visual precoce

Liana explica que a visão do bebê se desenvolve rapidamente entre o terceiro e sexto mês de vida. “Estamos ensinando aos pais como eles podem fazer uma estimulação visual em casa, e semanalmente, uma equipe nossa reavaliará os casos.”

Essa estimulação visual evita que o olho já com algum problema se torne ainda mais ‘preguiçoso’. “O que nós queremos é que as crianças tenham o menor comprometimento visual possível”, pontua a oftalmologista.

Na estimulação caseira, os pais podem pegar objetos de cores contrastantes e explorar o campo visual da criança, sempre sob a orientação de oftalmologistas.

“Há toda uma logística de ambiente também, a criança tem de estar calma e não em ambiente agitado. O bebê absorve todo o estresse do meio ambiente, então é muito importante fazer a estimulação correta. Criamos um grupo de apoio, uma equipe multidisciplinar para ajudar.”

Mas antes de começar a estimulação visual, os bebês devem passar por uma avaliação completa. Função visual, auditiva, intelectual e física são examinadas.

“Em casos graves de comprometimento visual, a estimulação acontece no consultório de duas a três vezes por semana”, revela a oftalmologista. Em casa os pais devem continuar as atividades com a criança, usando objetos contrastantes, como coisas amarelas e vermelhas, além de estimulação com luz. “São materiais terapêuticos de baixo custo”, concluí Liana.

iG

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