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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

“Profissionais saudáveis são determinantes para a concorrência”

Para o presidente do Instituto para Gestão da Saúde e da Produtividade, Sean Sullivan, profissionais saudáveis na empresas são determinantes para a concorrência no mercado global e, poderiam ser 10% mais produtivos, se não trabalhassem doentes

Por trás de uma companhia bem-sucedida no mercado, não há apenas inovação, gestão, empreendedorismo, tecnologia, entre outras características. Há claro, os talentos. E para a empresa ser competitiva na economia atual não basta ter os melhores gênios e profissionais habilitados, eles precisam ser saudáveis. Essa é a visão do presidente do Instituto para Gestão da Saúde e Produtividade e editor-chefe da revista “Health&Productivity Management”, Sean Sullivan.

“A saúde do empregado se tornou uma nova vantagem competitiva”, afirma. Formado em economia em Harvard University e em direito pela Stanford University, Sullivan é um estudioso sobre a relação da saúde do colaborador x produtividade.

Mas, nesse cenário competitivo e de necessidade de um colaborador mais saudável, há outros atores: o alto custo do setor de saúde, os gastos elevados das empresas para arcar com os benefícios e operadoras, gestão com foco na doença e não na prevenção, e  muitas vezes, a falta de preocupação do profissional com o assunto afeta diretamente.

Assim a saúde corporativa no Brasil tem muito a melhorar em sua opinião. “O Brasil tem promoção de saúde, mas ainda não é feita a medição desse impacto na produtividade. Essa é uma oportunidade para converter a saúde em produtividade mensurável”, comenta sobre o momento da economia brasileira.

O estudioso veio ao País no último dia 30 de junho para participar do congresso “Encontros de Saúde Corporativa”, organizados pelo CPH Health, na cidade de São Paulo. Durante o intervalo de sua palestra “O impacto da saúde na produtividade”, ele conversou com a FH.

FH: Quais são as vantagens competitivas de manter um quadro de empregados saudáveis dentro da economia global?

SEAN SULLIVAN: Até as companhias pequenas estão competindo no mercado global, ofertando seus produtos em outros países. Assim, esse processo exige que a empresa tenha sempre que possível, a possibilidade de gerenciar, ser mais produtiva e manter a qualidade em seus produtos, ao mesmo tempo em que é capaz de manter pessoas no trabalho. Então, saúde tornou-se uma daquelas coisas que não eram valorizadas o suficiente em uma seleção como conhecimento, habilidade e ferramentas para trabalhar. Nós não tínhamos valorizado de forma suficiente a saúde, porque não havia a percepção de que quanto mais saudável, melhor o desempenho das pessoas. Mas agora que existe essa consciência, é possível uma avaliação e a saúde do empregado se tornou uma nova vantagem competitiva.

FH: Como a saúde corporativa pode contribuir para tornar o próprio setor de saúde e o País mais competitivos no cenário global?

SULLIVAN: O Brasil está indo muito bem agora, porque tem uma grande força de trabalho e disponibilidade de recursos naturais, mas qualquer país pode ser melhor que é, e saúde ainda não tem sido vista como fonte de produtividade aqui ou na China, apenas para citar as economias mais dinâmicas do mundo, e na China isso é muito real. Então, quando a produtividade está conectada com a saúde, nós temos uma nova forma de nos tornar mais competitivos. O Brasil tem  promoção de saúde na rua, mas ainda não é feita muita medição do impacto para melhoria da saúde e o impacto na produtividade, então, essa é uma nova oportunidade para o Brasil: converter a saúde em produtividade mensurável.

FH: Há uma estimativa de quanto as empresa perdem com a baixa produtividade de seus funcionários?

SULLIVAN: Isso depende dos problemas de saúde, alguns problemas causam perdas de produtividade que outros, os mais importantes são depressão, dores de vários tipos e, provavelmente, problemas respiratórios, alergias, asmas, coisas deste tipo.Esses são três grandes problemas, mas tudo depende também do trabalho desenvolvido pela pessoa. Se você, por exemplo precisa falar com outras pessoas e está depressivo, haverá um grande efeito na abordagem que você fará nesse diálogo. Ou se você está apenas com algum tipo de dor, o que pode fazer? Certamente, ainda desenvolver seu trabalho, mas depressivo, será algo muito mais complexo. Se você desenvolve algum trabalho que exige esforço físico e tem dor, você enfrentará dificuldades. Esses exemplos são apenas para tentar responder essa pergunta. Mas se eu tivesse que estimar quanto de produtividade é perdida por conta de problemas com saúde e no total de força de trabalho, sendo bem conservador, diria algo em torno de 10%. Ou seja, seu time poderia ser 10% mais produtivo.

FH: Há estudo que comprovem isso?

SULLIVAN: Nós temos mostrados alguns projetos, alguns em nosso local de trabalho que chamamos de projeto de suporte, projetos e pesquisas com empregados. Temos mensurado a perda de produtividade. No programa para melhorar a saúde, medimos ganhos de produtividade.  Temos visto algo entre 5 e 10%, mas acho que estamos medindo apenas parte da produtividade perdida, quanto o problema de saúde afeta a pessoa. Mas a maior parte do trabalho é feito em equipes e nós não somos tão produtivos porque temos problemas de saúde como depressão e em um time isso também significa que a equipe não está no alto da performance e isso afetará inteiramente o que ela faz. Portanto, é por isso que digo, nós podemos mostrar, podemos melhorar a produtividade facilmente entre 5 e 10%, mas suspeito que isso poderia ser maior. Somos capazes de medir o quanto isso afeta todos os membros do time.

FH: E quanto elas produziriam combatendo o absenteísmo e o presenteísmo na empresa?

SULLIVAN: Bem, obviamente, o absenteísmo não é tão grande como o problema da perda de produtividade. A razão disto está no fato de que, há 50 anos, muitas pessoas trabalhavam em horário regular em um único lugar, no escritório, na fábrica, ou na linha de produção. Existia absenteísmo, e quando baixava a produtividade eles eram substituídos, havia um custo lá. Hoje, muitos de nós não trabalhamos reunidos numa sala. O trabalho agora, é viajar com pessoas chamamos de trabalho de conhecimento, não como uma máquina e não estamos sentados em frente à mesa o tempo todo. O absenteísmo não é relevante para nós. Mas o presenteísmo sim, ou seja, não produzir em todo o seu potencial, por conta de problemas de saúde. Suponha que você tem uma gripe, supondo algum problema se você trabalhasse na produção, como um professor ou um motorista de ônibus, mas, para muitos de nós, o absenteísmo não importa, porque o importante é o presenteísmo. Na verdade, provavelmente mais da metade da força de trabalho ausente hoje não desenvolve um onde a presença física seja relevante. Você pode fazê-lo de onde estiver.

FH: Grandes empresas têm programas com informações sobre o perfil da saúde dos funcionários e iniciativas que promovem a qualidade de vida, mas para isso é necessário investimento. O que as pequenas empresas podem fazer?

SULLIVAN: Temos um exemplo muito bom de uma pequena companhia nos Estados Unidos, com 100 empregados na fábrica, onde existe um programa  para melhorar a saúde dos empregados e todos os trabalhadores participam. O presidente da empresa lidera a iniciativa com todos. Ele diz aos empregados: “se nós podemos melhorar a saúde e reduzir o custo dos seguros, não temos negócio, não temos emprego e queremos continuar com nosso negócio”. Em dois anos, não só eles melhoraram a saúde e a produtividade como reduziram o custo, isso só em dois anos. Portanto, o pequeno trabalhador pode obter o máximo dos empregados. E esses empregadores podem ganhar mais do que grandes companhias, porque os empregados empenham-se em ajudar, o que não acontece nas companhias de maior porte.

FH: Hoje, no Brasil, as pessoas não sabem medir o valor da saúde, pois recebem seguros pagos pelas empresas ou são atendidas pelo sistema público . Qual é a solução para um usuário mais participativo?

SULLIVAN: Nos Estados Unidos, há mais e mais pessoas chamadas de clientes diretos de planos de saúde, este é um tipo diferente de seguro, pois não cobre qualquer procedimento e requer que você pague certa quantidade por um seguro, Portanto, as seguradoras oferecem às pessoas, incentivos e contrapartidas para tentarem ficar saudáveis, pois é menos oneroso do que tratá-las. Isso é chamado de custo compartilhado, portanto, as companhias  americanas não estão tendo custos corporativos, o mais alto do mundo e mais e mais companhias definiram isso com os empregados. Você precisa levar mais responsabilidade para o usuário. Sendo mais saudável não terá despesas, porque está cuidando da própria saúde.

FH: No caso da cobertura oferecida pelas empresas, um modelo com o custo dividido entre empresas e funcionários ou com algum tipo de co-pagamento por parte do segurado seria o ideal?

SULLIVAN: Acredito que talvez seja o melhor modelo porque, assim, as pessoas têm alguma responsabilidade financeira na tentativa de serem mais saudáveis e, também, tornarem-se mais conservadoras. Mas é algo difícil de dizer se é correto ou não. Eu não sei o modelo ideal e acho que seguros de saúde são sempre difíceis e acredito que nunca haverá cuidados de saúde para todos que o desejarem. Portanto, nós tentamos fazer o modelo melhor, eu não acho que há um perfeito.

FH: No Brasil estamos vivendo o bônus demográfico (situação em que a população economicamente ativa supera a de dependentes composta por idosos e crianças). Mas daqui a algumas décadas a população enfrentará o envelhecimento e terá que ser produtiva por mais tempo. Como as empresas devem lidar com a população mais velha?

SULLIVAN: Isso é importante. O Brasil tem uma ótima oportunidade, porque está no bônus demográfico e pode investir mais agora na promoção de saúde e prevenção de doenças, os trabalhadores mais jovens terão doenças crônicas daqui a alguns anos. EUA e Europa têm na mesa o desafio de fazer essa fase não ser tão ruim. Aqui, se tem oportunidades, pois uma pequena parcela da população está com doenças crônicas e se for feito investimento em promoção de saúde e prevenção, o Brasil terá grande chances de um futuro melhor, caso contrário, em 30 anos, você terá mais pessoas com doenças sérias.

Fonte SaudeWeb

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