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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Números mostram que homens subestimam perigo do câncer de próstata

Números mostram que homens subestimam perigo do câncer de próstata Rogerio da Silva/Agencia RBS
Foto: Rogerio da Silva / Agencia RBS
Teste de PSA, isoladamente, pode não ajudar a detectar a doença,
 por isso a importância de fazer também o exame de toque retal
Somente neste ano devem ocorrer 52 mil novos casos da doença
 
Por desconhecimento ou tabu, os homens temem ir ao urologista. De 5 mil entrevistados pela Sociedade Brasileira de Urologia, quase a metade (47%) revelou nunca ter realizado exames para detectar o câncer de próstata, 44% deles jamais se consultaram com um especialista no sistema urinário e 51% nunca fizeram exames para aferir os níveis de testosterona (hormônio masculino) no sangue.
 
É o caso do agrimensor Ênnio Alberto, 86 anos, que, somente depois dos primeiros desconfortos ao urinar, procurou um especialista. A recomendação médica é de que os homens tenham consultas anuais depois dos 45 anos. Quando Ênnio se submeteu ao primeiro exame de toque retal, tinha mais de 70.
 
— Não fiz antes porque não fui instruído. Tenho médico cuidando de minha pressão desde os 50 anos — conta.
 
Com dificuldade de urinar, o agrimensor procurou um urologista e foi surpreendido com a existência de 12 tumores na próstata, retirados por cirurgia.
 
— Os tumores estavam tão desenvolvidos que tiveram que cortar a bexiga. Os médicos disseram ao meu sobrinho, que também é médico, que eu havia escapado por um milagre — conta.
 
Onze anos depois da cirurgia, Ênnio está completamente recuperado, mas controla a doença regularmente.
 
— Tem de ter coragem. Não dá para deixar para depois — alerta.
 
Pressão das mulheres tem feito percentual cair
O câncer de próstata é o segundo tipo de tumor maligno que mais acomete os homens no Brasil — perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. Em 2012, foram diagnosticados 60.180 novos casos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Para este ano, a estimativa do Inca é de que sejam descobertos mais 52 mil.
 
— Muitas pessoas que têm a doença não chegam a tomar conhecimento, convivem com ela sem que haja prejuízos perceptíveis e até morrem por outros motivos — diz o oncologista Amândio Soares, diretor da clínica Oncomed, em Belo Horizonte.
 
Na avaliação do presidente da Sociedade Brasileira de Urologia — Regional Minas Gerais, José Eduardo Fernandes Távora, embora ainda seja alto o número de homens que nunca fizeram o exame de toque, esse percentual tem caído devido à pressão das mulheres.
 
— Elas cobram do marido, do pai, do namorado e dos filhos a ida ao médico. Por conta própria, o homem só procura ajuda quando tem algum problema — explica.
 
Pelo exame de toque, é possível fazer o diagnóstico precoce da doença, que, na fase inicial, não apresenta sintomas.
 
Os primeiros indícios do problema levam entre oito e 10 anos para serem notados. E os tumores na próstata podem gastar até 15 anos para atingir 1cm.
 
— A história natural do câncer é muito longa — pontua Amândio Soares. — Os sinais aparecem quando a doença está em um estágio mais avançado, o que dificulta o tratamento. Os homens podem ter dificuldade para urinar, o jato pode ficar fraco e também pode aumentar o número de micções.
 
O tratamento é multidisciplinar, podendo envolver cirurgia, radioterapia, uso de hormônios ou quimioterapia. A escolha da terapia ideal depende do estágio da doença e das características do paciente. Se a neoplasia de próstata é diagnosticada em estágio inicial, a cirurgia é uma das opções terapêuticas, assim como a radioterapia.
 
Nos Estados Unidos, os tumores são classificados como de risco baixo, intermediário e alto. No Brasil, essa gradação não vigora. De acordo com Távora, a classificação é importante porque, em alguns casos de baixo risco, o tratamento pode trazer mais complicações do que o acompanhamento.
 
Mudanças
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) aumentará de 45 para 50 anos a idade mínima recomendada para que um homem procure um médico para fazer os exames rotineiros para diagnóstico precoce da doença. A nova orientação será anunciada no 34º Congresso Brasileiro de Urologia, que começa no dia 16.
 
Segundo Aguinaldo Nardi, presidente da SBU, a alteração na idade mínima será feita porque há um excesso de diagnósticos de cânceres de próstata que não se desenvolveriam de forma agressiva.
 
Para homens de pele negra obesos ou com histórico de câncer de próstata na família, a recomendação também muda: a idade mínima para monitorar salta de 40 para 45 anos. Nardi ressalta que a procura voluntária pelo médico precisa existir como forma de prevenção:
 
— Todo homem com mais de 50 anos deve ir ao médico fazer os exames de PSA e de toque retal.
 
Durante o exame clínico, o urologista avalia o formato e a consistência da próstata. Já o exame laboratorial determina o nível de PSA no sangue. Trata-se de um marcador de doenças da próstata. Em caso de câncer, aumenta a quantidade deste antígeno.
 
— Isoladamente, o exame de PSA não é capaz de determinar se o indivíduo é portador da neoplasia.
 
O nível dessa proteína cresce também em caso de algumas infecções ou crescimento benigno da próstata. Daí a importância de fazer os dois exames — explica Amândio Soares.
 
Novembro azul
Para alertar os homens sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), em parceria com o Instituto Lado a Lado pela Vida, iluminam pontos turísticos em várias cidades e distribuem panfletos explicativos no movimento chamado Novembro Azul. O tema da campanha — Um Toque, um Drible — pretende conscientizar os homens sobre a necessidade de fazer exames preventivos.
 
Correio Braziliense

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