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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Levantamento vê problemas de higiene em estúdios de tatuagem em SP

Uma pesquisa feita pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas mostra que a maioria dos estúdios de tatuagem em São Paulo não adota práticas adequadas de higiene. Falhas na limpeza e na esterilização dos equipamentos e falta de vacinação dos profissionais geram risco de contágio por hepatite B e C, além de infecções bacterianas e virais.
 
O trabalho acompanhou a rotina de 71 estúdios de tatuagem de todas as regiões da capital paulista. Foram monitorados os hábitos de higienização dos materiais e os cuidados durante o procedimento, como a troca das luvas depois de manipular materiais não higienizados. O estudo também incluiu questionário para avaliar o conhecimento dos profissionais sobre o risco de transmissão de doenças e os métodos de prevenção.
 
De acordo com o levantamento, apenas 7% dos profissionais utilizam técnicas corretas para lavar as mãos antes e depois dos procedimentos e a minoria (35%) é imunizada contra hepatite B, apesar de saber dos riscos de contágio.
 
Outro problema apontado pelo estudo foi em relação à esterilização dos materiais. Dos 78% que declararam usar autoclave (aparelho de esterilização), 64% prepararam de forma incorreta o material antes de colocá-lo no equipamento.
 
"Eles têm estrutura para esterilizar, mas não sabem fazer direito. Não é má vontade, é desconhecimento mesmo", diz Jean Gorinchteyn, médico infectologista e um dos orientadores do trabalho. Para ele, os fiscais da vigilância sanitária deveriam orientar os tatuadores. "São procedimentos simples que teriam grande resultado contra infecções."
 
Sérgio Pisani, proprietário do estúdio Tattoo You e tatuador há 20 anos, concorda. "Deveria ter curso oferecido pela vigilância. Os cursos que existem são pagos e muita gente não faz", afirma.
 
O diretor da recém criada Associação de Tatuadores e Perfuradores do Brasil, Ronaldo Sampaio, diz que a categoria aguarda há mais de cinco anos a regulação da profissão. Um projeto de lei em trâmite no Congresso desde 2007 propõe tornar obrigatório o curso de biossegurança e primeiros socorros. "Isso é fundamental, eu vejo muito despreparo e é um risco para a saúde pública", afirma Sampaio.
 
Pisani diz, no entanto, que problemas de saúde entre os clientes são incomuns. Segundo ele, a tendência entre os profissionais é usar materiais descartáveis que diminuem os riscos de infecções.
 
Aparências enganam 
Apesar de todos os tatuadores visitados pela equipe do instituto usarem luvas e a maioria portar máscaras, a proteção não é garantida.
 
"O cliente não tem como saber, 80% dos profissionais fazem a desinfecção de forma errada", aponta o infectologista Gorinchteyn.
 
Pisani orienta o público a procurar estúdios com boa estrutura e desconfiar dos preços baixos. "Seguir as normas tem um custo, o material descartável é caro, esterilizar também", diz. Segundo ele, o fundamental é evitar tatuadores que trabalham em casa, sem estrutura apropriada, e conferir a limpeza do estúdio antes de decidir onde fazer a tatuagem.
 
O risco não é só para saúde. As próprias intervenções estéticas podem ser afetadas.
 
"Uma infecção bacteriana na região da tatuagem compromete o resultado", explica o infectologista do Emílio Ribas.
 
Estúdios com alvará de funcionamento ainda são minoria em São Paulo, segundo Sampaio. Ele estima que apenas um a cada 100 seja regular.
 
A vigilância sanitária municipal informou não ter conhecimento do estudo e se recusou a comentar. O órgão informou que a cidade tem 145 estabelecimentos cadastrados. Pisani estima, no entanto, que o número de tatuadores chegue a 5.000.
 
Fonte Folhaonline

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