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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Dificuldades para certificação de qualidade em organizações de saúde

Diante dos desafios do competitivo mercado atual, acreditação aparece como ferramenta complementar estratégica que visa integrar processos internos aos objetivos organizacionais
 
Preocupados com os custos da assistência hospitalar e aumentos no setor de saúde, várias organizações (hospitais, clinicas, prestadores de serviços e fornecedores de materiais e remédios) vem atualmente adotando programas de qualidade, buscando adotar um conjunto de ações objetivando reduzir os custos da assistência à saúde, seguindo uma política de atenção administrada.
 
Um destes programas é a acreditação hospitalar, que se empenha em unificar ética profissional, responsabilidade e qualidade do atendimento.
 
O Ministério da Saúde, dentro do Programa de Garantia e Aprimoramento da Qualidade em Saúde – procura estabelecer critérios de qualidade que possam ser efetivamente aplicados nas organizações.
 
Uma organização só consegue realmente promover o alto nível de qualidade pessoal entre os seus funcionários – e, como consequência um alto nível de qualidade nos departamentos onde esses indivíduos atuam, criando produtos e serviços que representem, para os seus clientes, valor e significado únicos. Os instrumentos e estratégias da qualidade favorecem esta procura e representam um potencial requisito para a criação de um ambiente de trabalho. Diante dos desafios que o atual mercado competitivo apresenta, a acreditação na área de saúde aparece como uma ferramenta complementar estratégica que visa proporcionar a integração dos processos internos aos objetivos organizacionais.
 
A ONA é a principal ferramenta para a implantação da qualidade na área de saúde. Tem por objetivo promover a implantação de um processo permanente de avaliação e de certificação da qualidade dos serviços de saúde, permitindo o aprimoramento contínuo da atenção, de forma a melhorar a qualidade da assistência, em todas as organizações prestadoras de serviços de saúde do País.
 
As etapas que devem ser seguidas e são essenciais para a implantação do programa de acreditação da ONA:
 
•Desenvolvimento de indicadores de qualidade, relativos à estrutura, aos processos e aos resultados;

•Avaliação do Hospital na aplicação dos indicadores;

•Educação – Essa etapa contempla o estudo dos indicadores, análise dos dados, estabelecimento dos objetivos e metas, elaboração de uma política gerencial de envolvimento e compromisso dos profissionais;

•Reconhecimento;

•Custos – É necessário determinar o custo da certificação e as fontes de financiamento;

•Estratégia – Essa etapa compreende as fases de estudo, definição do perfil do processo, divulgação, aplicação do teste, reavaliação generalizada e avaliação do resultado;

•Finalização e Viabilização do projeto.
 
Depois de cumpridas estas etapas, organização é avaliada de maneira sistêmica onde estruturas e processos interferem no resultado final, sendo assim, no processo de avaliação e na lógica da acreditação não se avalia um setor ou departamento isoladamente.
 
A implantação de um programa de qualidade em uma empresa é um processo de envolvimento e comprometimento de pessoas. Desde início da criação de sistemas de qualidade, teóricos desta área em especial, vêm salientando a importância do engajamento e do apoio da alta gerência para que a implantação da qualidade seja feita de forma produtiva e traga para as organizações melhorias permanentes tanto nos processos de fabricação de produtos quanto de serviços. Ressaltam, portanto que o comprometimento dos gerentes é muito importante para a sustentação da qualidade e que sem este não é possível tornar a qualidade parte da cultura.
 
Um dos maiores empecilhos apontado por pesquisas é a não participação da alta gerência nos programas de implantação da qualidade. A falta de entendimento do significado e alcance do programa da qualidade é apontada como uma das causas para o desinteresse da alta administração. Este desinteresse traz um enorme peso, já que cabe a estas pessoas assumir a responsabilidade de adotar e guiar o programa de forma tácita e percebida pela equipe, sendo que essa ação tem valor de persuasão superior a palavras, campanhas e exortações. A confiança na liderança mostra-se como fator decisivo para o sucesso ou o fracasso da qualidade em uma organização.
 
A maior parte dos problemas criados com a não participação da alta gerência decorre do desconhecimento do que é realmente a qualidade, uma vez que a maior parte dos gerentes e diretores não possuem os conhecimentos necessários sobre Gestão da Qualidade e das mudanças estruturais que a mesma traz para sua efetiva incorporação no cotidiano das empresas. Muitos destes gerentes e diretores, diante de mudanças da cultura organizacional se mostram resistentes e apegados a padrões antigos de cultura. Mesmo aqueles que apoiam os programas de qualidade sentem falta de uma maior liderança e de recursos para a realização de melhorias, representando grandes empecilhos ao sucesso das iniciativas de implantação do programa.
 
Uma forma de aplacar este sentimento de resistência às mudanças e adaptar melhor as pessoas envolvidas nos programas de qualidade é manter a objetividade e clareza na divulgação dos motivos para a mudança, proporcionando uma comunicação voltada para a adesão dos profissionais ao processo de mudança. Estabelecer objetivos comuns a toda organização com a finalidade de produzir algo melhor para os clientes e ter uma política de promova a motivação nos colaboradores também se mostra essencial para que ocorra uma adoção dos princípios da qualidade na cultura e no cotidiano da organização.
 
Ao tratarmos das organizações de saúde, é ressaltada a complexidade e particularidades desta organização. Por ser formado por profissionais de diversas áreas, é mais difícil estabelecer um programa de qualidade efetivo num hospital, e diante desta dificuldade peculiar é imperativo o movimento assertivo das lideranças em informar, planejar e gerenciar as mudanças no processo de implantação.
 
Como profissional com experiência em trabalhos de implantação de programas de qualidade em organizações de saúde, ressalto a importância e a dificuldade de sensibilizar a alta gerência destas organizações. Apesar de competentes em suas médicas – ressalto que muitas destas organizações não possuem uma administração independente e profissional, o que resulta em gerentes e diretores que nem sempre possuem conhecimento e identificação com os programas de Gestão da Qualidade Total em Serviços.
 
Em organizações que possuem um histórico profissional e competente na sua parte de gestão a qualidade já se mostra bastante difícil de ser assimilada no cotidiano, devido principalmente, as exigências de padronização e da visão voltada ao cliente. Na área de saúde, que muitas vezes é tomada como um sacerdócio isto se torna ainda mais difícil, pois, como não estão acostumados a seguir padrões e a serem questionados muitos dos que fazem parte da alta-gerência desconhecem a importância da participação de todos e das mudanças para novos processos de gestão mais profissionais.

* Flávio do Carmo Silva é consultor da Presermed, assessoria organizacional em saúde
 
SaudeWeb

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