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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Projeto de reabilitação cardíaca inova tratamento de pacientes

Centro de Reabilitação Cardíaca do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas aposta na manutenção da atividade física de portadores de Chagas e outras doenças
 
Perto de completar seu primeiro aniversário, em 24 de abril, o Centro de Reabilitação Cardíaca do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Ipec) faz um balanço das atividades. O projeto estimula socialização e independência física de pacientes com insuficiência cardíaca ocasionada pela doença de Chagas e síndrome metabólica devido ao tratamento de HIV/Aids. Não fossem os aparelhos de aferição cardíaca e consultórios, o cenário lembra uma academia de ginástica comum: esteira, bicicleta, supino, pesinhos, espelho. O Centro de Reabilitação Cardíaca chega ao seu primeiro ano como um projeto inovador no setor público de saúde, atendendo a uma das recomendações das diretrizes de tratamento em cardiologia: a manutenção do paciente com atividade física regular, supervisionada e orientada.
 
O programa, que atende pacientes do instituto com insuficiência cardíaca ocasionada por doença de Chagas e síndrome metabólica ou cardiopatia decorrente do tratamento para HIV/Aids, integra avaliação e acompanhamento de uma equipe multidisciplinar na supervisão de exercícios individualizados. Além das atividades físicas, o paciente recebe o apoio de profissionais das áreas de Nutrição, Farmácia e Serviço Social.
 
“Fazemos o acompanhamento clínico nas três vezes por semana em que o paciente vem, e assim, além da melhora da capacidade funcional, que é o nosso objetivo, conseguimos identificar precocemente fatores de descompensação”, diz a médica Fernanda Sardinha. “Acredito que a grande oportunidade que apresentamos com a reabilitação cardíaca seja a melhora da aptidão física do paciente em relação ao condicionamento físico, força e flexibilidade”, informa a educadora física Vivian Mattos.
 
De acordo com Vivian, o condicionamento físico é otimizado com treinamento aeróbico. “A força e a flexibilidade são variáveis importantes, uma vez que temos alguns pacientes idosos e eles apresentam riscos de queda maior. A partir do momento em que melhoramos essa parte, também elevamos a qualidade de vida e autoestima, ao promover a independência nas atividades do dia a dia, como varrer a casa ou ir ao supermercado”.
 
Além das consultas e atividades físicas, o centro também tem a responsabilidade de acompanhar o tratamento farmacológico de seus usuários. “Conseguimos identificar, junto com a equipe, os pacientes que têm mais dificuldade cognitiva para conseguir cumprir seu tratamento”, explica o farmacêutico Gilberto Marcelo Sperandio. “Temos a oportunidade de ajudar o paciente com uma prática que ainda é pouco comum no Brasil, a atenção farmacêutica. Identificamos possíveis eventos adversos e podemos contribuir para o aumento da adesão ao tratamento”.
 
O projeto também tem colaborado na socialização desses pacientes. “Muitos pensam que são os únicos na gravidade de sua doença, mas encontram aqui pessoas com o mesmo problema. Isso faz com que eles se ajudem mutuamente no tratamento”, afirma a médica e pesquisadora Andrea Silvestre. “Tão importante quanto o benefício cardiovascular, é a melhora na qualidade de vida desses pacientes”. O Serviço Social também participa desse processo, ao conferir a frequência dos usuários e possíveis problemas que eles possam enfrentar para comparecer às consultas e treinos.
 
Paciente do INI/Ipec em tratamento para doença de Chagas, a dona de casa Maria Fonseca dos Santos está no projeto desde o início: “Cheguei aqui cheia de dores, mas o (programa de) exercício funcionou. Me sinto mais disposta”, afirma, destacando a integração com outros pacientes. “Formamos uma família”.
 
“Estou sentindo mais disposição. Em casa, ficamos curtindo a preguiça, mas aqui reagimos. Todos aqui nos tratam muito bem, com profissionalismo. Estou gostando muito”, conta o gesseiro João das Neves, o único paciente transplantado do programa.
 
Educador físico, Mauro Mediano destaca a multidisciplinaridade e o ineditismo do programa. “É um projeto inovador, em se tratando de doença de Chagas. Não existe nenhum projeto ou tratamento multidisciplinar para esse público. A resposta que temos no dia a dia é muito significativa. Percebemos que a socialização, o momento de estar entre os pares deles, de trocar informações sobre o tratamento, os medos sobre a própria doença, é fundamental. Conseguimos contribuir para a saúde e bem-estar desses indivíduos”.
 
Funcionamento
O paciente tem direito a um período de 3 a 6 meses em treinamento com exercício no espaço. Na admissão, ele passa por uma avaliação detalhada, que inclui avaliação nutricional, exames laboratoriais e ecocardiograma. “Além das atividades físicas, ele também recebe o apoio de toda a equipe – que conta com profissionais das áreas de Nutrição, Farmácia e Serviço Social – para melhorar a aderência ao tratamento e controlar os fatores de risco, como o sobrepeso”, comenta Andrea.
 
Outro foco de atenção do projeto são os pacientes HIV reativos. As novas terapias antirretrovirais aumentam a sobrevida e a possibilidade de complicações não relacionas diretamente ao HIV. “Antes, cerca de 15% dos pacientes que faleciam de causas não relacionadas ao HIV. Hoje, mais de 40% vão a óbito por causas não relacionadas, e as doenças cardiovasculares são as principais responsáveis. Grande parte dessas complicações estão relacionadas ao próprio tratamento de controle do vírus”.
 
Para utilizar o espaço, os pacientes devem comparecer ao local pelo menos três vezes na semana. A pesquisadora afirma que um dos maiores desafios do projeto é sensibilizar o paciente para a importância do exercício. “As pessoas colocam empecilhos em relação ao trabalho, disponibilidade de tempo, de dinheiro. O Serviço Social está presente, porque temos que garantir que o paciente e sua família (ou o empregador, caso ele tenha vínculo empregatício) entendam que isso é fundamental, porque você vai melhorar sua qualidade de vida e aumentar a sobrevida”, diz. “Isso faz parte do tratamento. Muitas vezes, o paciente não consegue esse benefício nem em rede privada”.
 
A missão do programa é reabilitar e promover a saúde cardiovascular através de uma mudança no estilo de vida com intuito de que o paciente seja capaz de manter suas atividades após a alta do programa. “O mundo ocidental hoje sofre com isso: as pessoas se alimentam cada vez pior, fazem menos atividades físicas e tendem a desenvolver obesidade, hipertensão. Temos um número grande de pacientes que podem se beneficiar com esse projeto”
 
SaudeWeb

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