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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Enio Salu: E a tele medicina não deslancha !

Faz tempo que a gente ouve dizer que a tele medicina está avançando mas … nada de prático.

Vez ou outra uma propaganda de que algo fantástico está acontecendo, mas não conseguimos nem mesmo unificar as nossas próprias informações em algum lugar do mundo virtual para consultar quando for preciso.

Uma vergonha !

Quando começamos a publicar resultados de exames na Internet em 1999 imaginávamos que em pouco tempo as informações dos pacientes estariam em um chip, que os médicos com maior especialidade estariam auxiliando os que necessitam de apoio nos mais longínquos pontos do planeta pela Internet.

Bem, estamos em 2012 e continuamos apenas pegando resultados de exames na Internet (e olha lá) e quando mudamos de um médico para outro temos que levar papéis, CDs e contar um monte de história, como se fôssemos colecionadores de figurinhas da minha época de infância.

A tele medicina prometia resolver os problemas no atacado, deixando para os médicos resolver o varejo:

•Dizia-se que as próprias empresas poderiam colher sangue, urina e fezes regularmente dos seus funcionários, e os exames seriam feitos periodicamente no piloto automático para que, havendo alteração, o encaminhamento ao médico seria mais eficiente … e nada;
•Dizia-se que se fôssemos à academia fazer esteira, os dados seriam capturados automaticamente e monitorados por algum sistema, que poderia dar alertas ao serviço de cardiologia de retaguarda … e nada;
•Dizia-se que uma central de especialistas ficaria na Internet dando segunda opinião e apoio ao diagnóstico em casos duvidosos … e nada;
•Dizia-se que as cirurgias seriam feitas por robôs, de forma mais eficiente, mais barata, mais rápida e mais precisa … e nada.
O que se vê são tímidos casos de aplicações rudimentares de tecnologia em medicina sendo rotulados de tele medicina: ‘conversa pra boi dormir’.

Na prática a tecnologia continua sendo aplicada apenas para fechar contas e fornecer informações burocráticas para o SUS, ANS, operadora …

Infelizmente continuamos vendendo apenas horas de médico, medicamentos, gases, materiais e taxas. Não existe uma única iniciativa para vender serviços de tele medicina ao público. Usar a tecnologia não só para auxiliar no diagnóstico, mas efetivamente auxiliar no tratamento dos pacientes e baratear os custos envolvidos.

Uma das razões desta ‘sinuca’ continua sendo a falta de investimento em prevenção. A indústria, evidentemente, vai continuar recrutando quem entende de tecnologia e é do ramo para desenvolver produtos onde o retorno do investimento é líquido e certo: na cura da doença.

Como prevenção é algo incerto e de longo prazo a indústria sempre vai preferir investir nos produtos que o cliente necessita agora, quando está doente.

Outra razão: a tele medicina só vai deslanchar quando o governo perceber seu potencial e, ao mesmo tempo, deixar de pensar na próxima eleição e fazer a conta que só ele poderia: gastar com prevenção é muito mais barato do que na cura da doença no longo prazo.

E para os que pensam que o Brasil não domina a tecnologia necessária e teria que começar a formar agora a mão-de-obra que vai desenvolver a tele medicina do futuro, vale a pena refletir sobre o que aconteceu nos demais segmentos de mercado, em especial o bancário.

Não se dispuseram a formar especialistas em tecnologia bancária para se desenvolverem. Simplesmente colocaram para trabalhar juntos os especialistas em tecnologia com os especialistas em finanças, ao contrário da saúde que ainda está presa ao paradigma de formar especialistas em informática médica.

Isso só atrasa o desenvolvimento da tele medicina. O Brasil é referência em medicina e tecnologia, basta compor equipes que tenham ambos, cada um fazendo o que sabe !

Fonte SaudeWeb

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