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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Técnicas para retirada de tumores no cérebro estão cada vez mais precisas e com risco menor de danos

Microscópio, doppler escâner e aspirador ultrassônico são aliados de peso

Cirurgias de cabeça são delicadas, principalmente quando se trata de retirada de câncer ou tumor benigno. Nas duas últimas décadas, a neurocirurgia evoluiu no que se refere à tecnologia envolvida nos procedimentos.

Até alguns anos atrás, o cirurgião entrava numa operação para retirar um tumor cerebral sem a certeza da extensão da lesão, devido à sua infiltração no tecido cerebral, sendo difícil o conhecimento do seu tamanho. Hoje, com a ajuda da tecnologia, que passou a fazer parte da rotina dos neurocirurgiões, a realidade é outra.

Retirar o tumor, diminuindo danos ao tecido do cérebro, evita sequelas e morbidades, além de melhorar as condições do pós-operatório e a qualidade de vida dos pacientes, um avanço e tanto da neurocirurgia moderna.

Os procedimentos mais atuais nessa área da medicina envolvem um grupo específico de equipamentos – um microscópio alemão, um doppler escâner, um aspirador ultrassônico, um neuronavegador e um computador. Até 2012, era inimaginável realizar uma cirurgia como essa em grandes centros brasileiros.

No país, ela só ocorriam em São Paulo, ou, como na maioria dos casos, o paciente tinha de viajar ao exterior para realizá-la. Atualmente, essas cirurgias já são possíveis e muitas pessoas são salvas aqui mesmo. Em Belo Horizonte, apenas três hospitais estão equipados com o rol de equipamentos, avaliado em R$ 600 mil: Socor, Madre Teresa e Hemominas. Mas essas cirurgias, no entanto, não são acessíveis, ainda, aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Apenas para conveniados e pacientes particulares.

Um dos médicos que se tornou especialista na cirurgia craniana é o neurocirurgião Sérgio Gonçalves de Oliveira, de 45 anos, diretor clínico do Hospital Socor, além de presidir o centro de estudos e coordenar a Comissão de Residência Médica do Serviço de Neurocirurgia na mesma instituição.

“Até 2012, quase ninguém usava esse procedimento. Para aprender a utilizar o equipamento e fazer as cirurgias, fiz cursos em São Paulo. Além do médico, é preciso que um técnico em radiologia participe do procedimento. No meu caso, estou sempre acompanhado por Liliane Resende, de 43”, afirma. Na capital mineira, o Socor começou a usar o doppler transcraniano em 2000, sendo a primeira instituição a instalar uma Unidade de Acidente Vascular Encefálico em Minas Gerais. Em grande parte dos casos de pessoas que desenvolvem um tumor cerebral, o paciente nem sequer suspeita que tenha o problema.

“Tivemos um paciente aqui, que chegou praticamente em coma. E com as informações dos parentes que o acompanhavam, logo suspeitamos de algo no cérebro, por eles terem relatado forte dor de cabeça e vômito. Ele foi submetido a exames de tomografia e ressonância magnética, que confirmaram as suspeitas. Fomos direto para a sala de cirurgia”, relata.

Passo a Passo
Para dar início ao procedimento, primeiro é usado o microscópio, que permite à equipe médica localizar a área exata do tumor. Depois vem o neuronavegador. “Esse aparelho é ligado ao computador e, por meio dele, a gente pode fazer uma verificação completa do interior do crânio. Antes, não tinha isso. Agora, conseguimos ter a dimensão exata do tamanho desse tumor”, explica o médico. Um terceiro equipamento é fundamental para o sucesso do procedimento: o aspirador ultrassônico. Segundo Oliveira, o equipamento faz o que antes não se podia fazer. “A gente encosta o sugador no tumor e ele começa a sugar a massa tumoral. Quando o aspirador chega ao cérebro e identifica um tecido diferente, ele para de funcionar sozinho. Imagine que, antigamente, o médico ia cortando, sem saber onde terminava o tumor e começava o cérebro. Era passível de erros, o que causaria outros tipos de problemas. Esse equipamento nos permite também detectar os pontos perigosos, para que não deixemos sequelas no paciente.”

O doppler, por sua vez, é o responsável por detectar o fluxo sanguíneo dentro das artérias do cérebro. “Ele apontará se o fluxo está normal ou se há algum problema a tempo de ser corrigido. Se há indicação de alguma alteração, podemos avaliar a possibilidade de uma transfusão, evitando, assim, um AVC isquêmico, que na maioria dos casos é fatal”, acrescenta o neurocirurgião.

Segundo o médico, não se faz um corte grande na cabeça do paciente. Os aparelhos permitem determinar no tamanho da lesão e a incisão é feita apenas do tamanho necessário. “Tira-se menos tecidos. Atualmente, são quatro os tipos de incisões feitas no crânio (veja arte). Os recursos de hoje permitem isso. Assim, a cirurgia é muito mais segura. A probabilidade de erro é muito pequena, quase inexistente”, diz o médico.

Alerta
Os sintomas de que algo não vai bem no cérebro, e não necessariamente seja um tumor, são dor de cabeça forte, seguida de vômito. A dor geralmente ocorre em função do aumento da pressão intracraniana. Muitos pacientes que sentem qualquer um desses sintomas procuram um hospital. “Eles entram nas redes sociais em busca de informações sobre os sintomas que estão sentindo e por causa disso acabam vindo consultar”, indica o especialista, que opera, em média, quatro pacientes por mês com esse quadro.

Estado de Minas

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