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sábado, 13 de julho de 2013

Pelo direito de ser feliz... na cama!

Pelo direito de ser feliz... na cama! Gabriel Renner/Agencia RBSSuperando a fase em que deviam ser apenas boas mães e donas de casa, as mulheres passam a exigir o "direito de chegar lá"
 
No clima de manifestações que tomaram o país nas últimas semanas, mulheres de várias idades bem que poderiam sair às ruas para protestar. Motivos não faltam. Afinal, quando o assunto é o direito legítimo de "chegar lá", os mitos e tabus que permeiam a sociedade atrapalham, até os dias de hoje, a realização feminina entre quatro paredes.

"Posso me masturbar?", "Posso gemer?", "E se não conseguir gozar?".

As muitas dúvidas sobre orgasmo, libido e formas de excitação somam-se a questões emocionais, culturais, profissionais e biológicas, povoando com muitas caraminholas o imaginário sexual feminino.

Tão complexo como o painel de um Boeing
Se ela tem facilidade de dialogar com o (a) parceiro (a), às vezes empaca na inconstância comportamental, influenciada por seus hormônios. Se é bem informada e conversa sobre, às vezes o medo de ousar a impede de liberar suas fantasias mais íntimas.

Dona de um corpo cujo prazer é multifatorial e tão complexo quanto o painel de controle de um Boeing, a mulher também não foi muito privilegiada pela questão histórica.

Estudos sobre o prazer feminino só passaram a ganhar visibilidade depois dos anos 60, explica a ginecologista e sexóloga Jaqueline Brendler, diretora-executiva da Associação Mundial para Saúde Sexual (WAS). Impulsionadas pela entrada da mulher no mercado de trabalho, liberação sexual e uso da pílula anticoncepcional, as revistas voltadas a esse público passaram a desmistificar o assunto.

Até lá, tudo o que se esperava das mulheres no casamento era que "fossem boas mães e boas donas de casa".

— Não se previa o orgasmo para elas. As novas gerações de homens estão pensando mais nisso — diz Jaqueline.

Ainda bem. Com as mudanças do mundo contemporâneo, os casais tiveram que se adaptar. Ao ganhar seu dinheiro e comandar a própria vida, a mulher passou a cobrar do parceiro maior participação no jogo erótico. Superando essa fase em que deviam apenas servir, cada vez mais, passaram a exigir o "direito de chegar lá". Nem todas sabem, porém, que é preciso aprender o caminho até o cume da montanha.

Ela deve ser responsável pelo seu prazer — e não ele
Por melhor que seja o desempenho do homem, alerta a sexóloga, a mulher precisa entender que é ela — e não ele — a grande responsável por seu prazer, na medida em que se permitir e se tornar disposta a aprender como o orgasmo acontece. Ou seja: quanto mais falar o que gosta e o que considera bom, maiores são as chances de satisfação.

— É bom quando a mulher assume a sua responsabilidade sobre o prazer não deixa essa tarefa exclusivamente para o outro — diz a terapeuta sexual.

A falta de autoconhecimento é, inclusive, um dos principais entraves. De acordo com Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos em sexualidade da Universidade de São Paulo (USP,) as mulheres têm dificuldade de se tocar até para cuidar da própria saúde:

— Elas se culpam muito se têm necessidade de auto erotização. Se boicotam até para fazer autoexame de câncer na mama.
 
Quarto vermelho e outros mitos
Em agosto do próximo ano, salas de cinema mundo afora lotarão de leitoras eufóricas para ver o sedutor sádico Christian Grey, da obra Cinquenta Tons de Cinza. Isso mesmo: a trilogia de E.L. James, que levou ao delírio o público feminino com as perversões do magnata que sofrera abuso sexual na infância e tornara-se um dominador, vai virar filme. Cenário de toda sorte de tortura e jogos de sedução entre Grey e Anastásia, o quarto vermelho vai deixar muitas expectadoras assanhadas diante da tela.

O pudor que muitas mulheres têm para revelar seus desejos mostra que a muralha histórica erguida entre a excitação e os bons costumes permanece. O fenômeno "Grey" revela uma tentativa de se livrar desses fantasmas morais. Sedentas por histórias picantes, as amantes contemporâneas querem, mais do que ler e ver, viver essas cenas.

Sacanagem, sim, mas é a sutileza que leva ao delírio
Em parte, o fascínio pelas artimanhas de Grey se explica pelo fato de que o sexo começa antes e termina depois da cama. Segundo a sexóloga Florence Coelho Marques, do Hospital da PUCRS, são as sutilezas que as leva ao delírio.

— Mulher gosta de sacanagem, mas é exigente. Querem ser observadas, degustadas, instigadas — conjectura.

As lições aprendidas em filmes pornôs, que ensinam a repetir um mesmo movimento o mais rápido possível, segundo Florence, devem ser esquecidas. Mitos como procurar o ponto G também podem ser riscados do manual erótico. O ponto principal é a mente. Por isso, é importante investir em tudo o que precede a penetração: massagem nos pés, beijinho no cangote, língua passeando pelo corpo, safadezas ao pé do ouvido, mordidinhas no pescoço, beijo na boca.

Todas essas peças que, soltas, parecem brincadeira de adolescente, são o combustível do tesão, justamente porque ativam pontos na imaginação feminina.

Implodindo tabus
ZH reuniu dúvidas e curiosidades de mulheres, de diversas idades. A sexóloga e ginecologista Florence Coelho Marques, do Ambulatório de Sexologia do Hospital São Lucas, da PUCRS, respondeu.

Como saber se chegou lá?
Se em um momento de grande excitação a mulher percebe pequenas contrações rítmicas e involuntárias na entrada da vagina, seguindo-se uma sensação de relaxamento, possivelmente houve um orgasmo.

Por que é mais demorado para a mulher do que para o homem?
Diferenças em relação à resposta sexual. A mulher tem a pélvis mais larga e precisa de maior fluxo sanguíneo para estar pronta para a relação. Por isso, para elas as preliminares são fundamentais!

Quantos tipos de orgasmos diferentes existem?
O orgasmo sempre será clitoridiano. Pode ser desencadeado pela penetração vaginal ou anal. Mas ponto G, orgasmo vaginal, são mitos. Não existem.

Como escolher um vibrador?
Existe uma gama enorme de modelos, formas, etc. Os "da moda" são os "Rabbits", que prometem maravilhas (risos). Podem ser usados pela mulher sozinha ou com seu parceiro. Na prática, como o orgasmo vem sempre do clitóris, tanto faz se o vibrador é em forma de pênis avantajado, vibra dentro da vagina em multivelocidades. O que importa é que haja um estímulo prazeroso no clitóris, e para isso basta ser um vibrador discreto, de forma oval, por exemplo.

Há remédios que podem diminuir a libido?
Muitas medicações podem diminuir a libido. Eu diria que a maioria delas! Excetuando-se os analgésicos e os antibióticos, todas as demais medicações, com o uso crônico, podem ter alguma inferência. Para amenizar essa questão é imprescindível uma avaliação com um especialista (terapeuta sexual ou sexólogo), que poderá identificar se há associação de alguma medicação ou não. Muitas vezes culpamos doenças e medicações quando, na verdade, a relação não está bem, há depressão, crise financeira, doença em familiares ou outros fatores contribuindo para a redução do desejo sexual.

A idade influencia na libido?
Após os 40 anos começa a haver uma redução fisiológica, natural, nos níveis de testosterona circulante das mulheres. Após a menopausa esta redução se acentua. Naquelas submetidas à retirada dos ovários a situação é ainda mais importante. Os baixos níveis de testosterona podem se relacionar a menor desejo, impulso e fantasias sexuais. Com a proximidade da menopausa, muitas mulheres passam a apresentar redução dos níveis de estrogênio circulantes, fato associado à menor lubrificação vaginal (atrofia genital), causando desconforto ao coito.

A libido pode ser estimulada? Como?
Sempre pode e deve ser estimulada. Leituras, filmes, lingeries, performances, perfumes, jantares, viagens, agrados (flores, presentes, surpresas, mensagens, e-mails). Cada casal pode usar da criatividade para inovar, namorar, driblar a rotina. Costumamos promover mudanças em nossas vidas quando nos separamos: algumas pessoas cortam o cabelo, mudam o penteado, renovam o guarda-roupa, começam a frequentar academia, redecoram a casa... Por que não podemos fazer isso durante e para manter uma relação?

Muitas mulheres acham que se libertar na cama e deixar claro suas fantasias pode parecer vulgar. Isso é machismo da cabeça feminina?
De certa forma, sim. Aprendemos essas questões equivocadas ao longo de décadas, com nossos antepassados. Por isso "se permitir" é tão difícil. Com mais intimidade, a comunicação do casal tende a melhorar.

Por que o sexo anal é tabu?
Por que ainda existem os mitos de que é um local sujo, proibido, alusão à relação homossexual masculina, constrangimento em aceitar que pode ter prazer desta forma, em se permitir.

Sexualidade e saúde: a verdadeira história do vibrador
Este objeto ainda muito mistificado pelos mais conservadores, surgiu ainda no século XIX para fins medicinais. Sintomas como irritabilidade, insônia, ansiedade, dores de cabeça, choro, falta de apetite, entre outros eram diagnosticados medicinalmente como "histeria", uma doença exclusivamente feminina, que acreditava-se que o problema era causado por perturbações no útero.

E o tratamento? Massagem feita no clitóris pelo médico em consultório, até que a mulher atingisse o "paroxismo histérico", hoje conhecido como orgasmo. Depois da sessão, a mulher consequentemente ficava mais calma, e os sintomas desapareciam — pelo menos por um tempo.

As mulheres passaram a lotar os consultórios (casadas ou solteiras) em busca da "cura" para os seus problemas. Já os médicos, passavam horas masturbando-as.

A massagem clitoriana era um trabalho maçante e algumas pacientes demoravam horas para atingir o "paroxismo histérico". O esforço repetitivo fez com que os médicos desenvolvessem problemas nas mãos. Para agilizar os atendimentos, o médico americano George Taylor patenteou, em 1869, o primeiro vibrador, a vapor, e o batizou de "The manipulator".

O produto evoluiu de forma rápida, e em 1880 foi inventado o vibrador movido a manivela pelo inglês Joseph Mortimer Granville e o aperfeiçoamento se materializou pouco depois.

Em 1902 a empresa americana Hamilton Beach lançou o primeiro massageador elétrico, e foi nesse momento que as mulheres passaram a tratar a "histeria" em casa.

Mas o conceito de que aqueles sintomas caracterizassem uma doença só foi abolido pela Associação Americana de Psiquiatria em 1952. Até as duas primeiras décadas do século XX, os aparelhos eram anunciados livremente pelas revistas femininas como forma de aliviar os mais diversos problemas mas, com os filmes pornográficos, esta ideia foi subvertida, fazendo com que eles sumissem dos impressos.

O retorno veio nos anos 60 junto com a revolução sexual feminina, a descoberta da pílula anticoncepcional e o conceito de orgasmo como forma de prazer.

Entrevista
Se está disposta a sensualizar e adotar estratégias para melhorar a performance, pessoas como a personal sex Leda Martins podem ajudar. Consultora do assunto, ela costuma palestrar em despedidas de solteiro e eventos do gênero.

Veja algumas dicas no vídeo:



Fonte Zero Hora

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