Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Quem só enxerga o lado bom das coisas tende a se expor mais a riscos

O otimismo, considerado uma nobre qualidade do ser humano, pode ser um mecanismo que leva a pessoa a não se proteger de situações ruins.

A conclusão é de um estudo da University College de Londres. De acordo com uma pesquisa feita na instituição, aqueles que só enxergam o lado bom das coisas são mais propensos a correrem riscos. E essa visão “cor-de-rosa” do mundo está diretamente relacionada à atividade cerebral.

Para chegar aos resultados, a equipe coordenada por Tali Sharot e Christoph Korn avaliou o comportamento de 19 voluntários que, depois de passarem por testes de personalidade, foram classificados como otimistas ao extremo. Com base no estilo de vida dessas pessoas, os pesquisadores também calcularam a probabilidade de elas passarem por situações desagradáveis, como sofrer um assalto, adquirir uma doença ou perder o emprego. Uma pessoa que costumava beber e dirigir com frequência, por exemplo, era apontada como alguém mais suscetível a se envolver em um acidente de trânsito.

Tendo seus cérebros monitorados pela técnica de ressonância magnética funcional, os participantes foram, então, expostos a imagens que mostravam esses episódios ruins ocorrendo com outras pessoas e recebiam as informações calculadas pelos cientistas. Depois, foram convidados a avaliar a possibilidade de os infortúnios ocorrerem com eles, recebendo, após alguns minutos, a chance de rever essa avaliação. Os pesquisadores ficaram surpresos ao notar que, quando a probabilidade calculada para a ocorrência de infortúnios era grande, os otimistas simplesmente ignoravam os dados, afirmando que eles tinham poucas chances de sofrerem com aqueles eventos.

A análise cerebral mostrou que, quando os pacientes eram informados de que a possibilidade de algo ruim acontecer com eles era muito maior do que acreditavam, a atividade no lobo frontal (área associada ao controle emocional) era bem mais baixa. Ou seja, o cérebro dos voluntários extremamente otimistas simplesmente não reagia ao alerta de perigo. “Os otimistas sabem que esses eventos ocorrem com outras pessoas, embora acreditem que nunca passarão por essas situações”, diz ao Correio Christoph Korn. “Nosso estudo sugere que selecionamos e escolhemos a informação que ouvimos. Quanto mais otimista, menos propensos nos sentimos a sermos influenciados por informações negativas sobre o futuro”, diz Tali Sharot em entrevista à agência France-Presse.

Saúde
Tali alerta que o excesso de otimismo pode trazer danos muitas vezes imperceptíveis. “Ver o copo sempre meio cheio, e não meio vazio, pode ser positivo por diminuir o estresse e a ansiedade. No entanto, também pode significar que estamos menos propensos a tomar ações preventivas, tais como praticar sexo seguro ou economizar para a aposentadoria”, explica.

No caso de Sibelle Franca, 35 anos, o excesso de otimismo colocou sua saúde em risco. Em dezembro de 2006, quando estava grávida de três meses, ela começou a sentir dores na região abdominal e teve um pequeno sangramento. Otimista assumida, a gerente de relacionamento achou que o incômodo era algo normal da gravidez e demorou para procurar ajuda médica. “Nunca penso no pior”, assume. A má notícia, no entanto, foi inevitável. Na consulta médica, foi informada de que havia perdido o bebê.

Passados alguns dias, as dores voltaram ainda mais fortes, mas o otimismo falou mais alto novamente. Ela adiou o atendimento médico mais uma vez por achar que as dores eram gases. Ela só foi levada ao hospital quando desmaiou de tanta dor. Lá, descobriu que, na verdade, tinha tido uma gravidez tubária (em que o embrião se desenvolve fora do útero) e precisaria passar por uma cirurgia. “E eu ainda esperava que eles me dissessem que eu estava grávida. Toda essa história é fruto do meu otimismo, sim. Mas acho também que fui muito ingênua, porque não pensei que pudesse ser algo pior”, avalia. Atualmente, Sibelle está bem e garante que aprendeu a dosar seu otimismo.

Para a psicóloga Ivalda Morais, o excesso de otimismo pode, muitas vezes, representar a dificuldade da pessoa em lidar com limites e responsabilidades. Na opinião da especialista, é saudável que a pessoa tenha ambição e esforço, mas o excesso de confiança é ruim. “Um exemplo são aquelas pessoas que se acham tão inteligentes que não acham necessário estudar para passar no vestibular. Contudo, se são reprovadas, não encontram explicação.”

O empresário Luiz Cerbino Neto, 35 anos, vê no otimismo um antídoto contra as situações ruins. Para ele, as desventuras não passam de caminhos ruins pelos quais as pessoas precisam passar até terem novas oportunidades. Ele usa sua história como exemplo. “Vim para Brasília com 14 anos para trabalhar de garçom. Hoje tenho minha empresa, meus filhos e sou realizado. O otimismo atuou como um combustível para minha perseverança”, relata.

A visão positiva é tanta que o empresário prefere falar em “sinais da vida” do que em dificuldades, pois considera os problemas cotidianos apenas indícios de que algo está ocorrendo de forma errada. “Acredito em luta, em perseverança. E isso é otimismo”, diz.

Fonte Correio Braziliense

Nenhum comentário:

Postar um comentário