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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

'Não corro mais contra o tempo', diz homem que recebeu vários órgãos

O aposentado Noé Rolli, 67, que fez o transplante multivisceral em 2011 em hospital em Indianópolis, nos Estados Unidos
O aposentado Noé Rolli, 67, que fez o transplante
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ndianópolis, nos Estados Unidos
Paulo C Rocha/Arquivo pessoal
O aposentado Noé Rolli, 67, se submeteu ao transplante multivisceral nos Estados Unidos, em 2011.

Há 33 anos, Noé teve uma trombose no intestino. Por causa de outros problemas decorrentes, o transplante era sua única alternativa. A seguir, trechos de seu depoimento.

"Há 33 anos uma trombose no intestino marcou minha vida. Após 72 dias de internação e sete complicadas cirurgias, meus médicos e familiares temiam pelo pior. Mas reagi e me recuperei.

As sequelas deixadas pela trombose foram aprender a viver com as doses diárias de anticoagulante e a retirada de quase sete metros de intestino. Nada disso me impediu de levar a vida com normalidade, ver meus filhos crescerem e retomar meu trabalho.

Tudo estava sob controle até que, em 2001, ao fazer um exame de sangue rotineiro, descobri que era portador do vírus da hepatite C, provavelmente contraído em uma das várias transfusões do passado.

A notícia foi um choque. Mas, com acompanhamento médico, minha condição geral era boa, e as restrições alimentares e físicas impostas pelo tratamento não alteraram minha disposição em viver.

Onze anos se passaram e, em meados de 2010, os sintomas da cirrose hepática surgiram. A doença me debilitava progressivamente.

No início de 2011, após uma encefalopatia aguda e semanas de internação, meu médico no Brasil me informou que, sem um transplante multivisceral (procedimento em que vários órgãos são transplantados ao mesmo tempo), minha situação só se agravaria.

Por causa da trombose, não poderia apenas transplantar o fígado. Precisava também de intestino e outros órgãos já comprometidos com os problemas de coagulação.

Além da corrida contra o tempo, havia mais um desafio: o procedimento não existia no Brasil. A alternativa era chegar ao centro de transplante do Hospital da Universidade de Indianápolis (EUA). Mas o custo poderia chegar a milhões de dólares.

Minha família encarou o desafio e firmou um pacto de vida. Com o apoio dos amigos, iniciamos uma campanha para arrecadação de fundos.

Mesmo assim, sabíamos que era necessário muito mais para bancar a cirurgia. Em uma ação inédita na Justiça, meu sobrinho e advogado conseguiu uma liminar para que meu plano de saúde custeasse o procedimento. Com a decisão da Justiça, eu, minha mulher e filha embarcamos para Indianápolis, em 19 de julho de 2011.

Três dias depois, fui internado com uma obstrução intestinal. No final de agosto, entrei na lista oficial de espera para o transplante. E, enquanto aguardava um doador, tive complicações que me levaram de volta ao hospital no dia 5 de setembro. Minha situação se agravava a cada hora. Não me restava muito tempo.

Cinco dias mais tarde, chegaram os órgãos que eu precisava para viver. As seis primeiras horas de cirurgia foram as mais críticas, com um sangramento muito difícil de controlar. Foram 150 bolsas de sangue, 50 de plasma e 30 unidades de plaquetas para conter o sangramento enquanto recebia novo fígado, estômago, pâncreas, intestino e rim.

Treze horas depois, o médico contou a minha família que eu havia sobrevivido. Nesse dia, me apelidou carinhosamente de 'Highlander', em alusão ao filme em que um guerreiro imortal atravessa séculos.

Vencida a cirurgia, o novo desafio era encarar a recuperação do transplante e superar os riscos de infecções. Foram 26 dias de UTI de um total de 79 de internação.

Com o tempo tive de reaprender a andar e a me alimentar. Por conta da medicação, havia perdido o prazer de comer.

Com medicamentos, terapias e muita paciência, comecei aos poucos a melhorar. Desde que sai do hospital em novembro, continuei sob cuidados intensivos da equipe de transplante. No início deste ano, chegou a noticia que, em breve, eu poderia retornar para casa.

Voltei ao Brasil há três dias com a certeza de que renasci no dia 10 de setembro, pela segunda vez em minha vida. A emoção de reencontrar a minha família é algo que não consigo descrever. Agora não corro contra o tempo, ele é meu aliado.

Para saber mais sobre essa história acesse aqui

Fonte Folhaonline

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