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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Indústria farmacêutica perde cerca de US$ 2 bilhões por ano

 A responsabilidade de zelar pela qualidade, pela segurança e
pela eficácia dos medicamentos deve ser compartilhada entre
todos os agentes que atuam na cadeia de produção,
distribuição e consumo desses produtos
Número revela, segundo o vice-presidente do Grupo Assa, Ariel Capone, que há cerca de 15 bilhões de medicamentos falsos no mundo
 
Numa manhã chuvosa, em uma mesa apertada de um badalado café de São Paulo, encontrei o simpático argentino Ariel Capone para conversar sobre o crônico problema da falsificação de remédios ao redor do mundo, que afeta não só a saúde dos consumidores, mas também das empresas e dos cofres públicos com a evasão de impostos.
 
O vice-presidente do Grupo Assa, consultoria empresarial com a vertical saúde estruturada por indústria farmacêutica, dispositivos médicos e seguradoras, revelou em poucos minutos de conversa, que há cerca de 15 bilhões de medicamentos falsos no mundo. O número representa para a indústria farmacêutica perda anual de US$ 2 bilhões.
 
“Os medicamentos falsificados representam para as companhias farmacêuticas uma forma de pressão sobre a rentabilidade. Estima- se que o valor de todas as drogas adulteradas ou falsificadas em circulação supera US$ 75 bilhões por ano no mundo”, aponta Capone.
 
De acordo com o executivo, isto significa que 15% dos medicamentos que são comprados mundialmente podem ser falsos. Ele diz, ainda, que esse fenômeno cresceu 90% nos últimos cinco anos, e a maior parte dessas drogas está concentrada na América Latina e Ásia. “Com esse resultado, onde fica o prestígio e desempenho das organizações de saúde?”, indaga. 

 Para Capone, a dúvida surge ao analisar que a rentabilidade das farmacêuticas também é afetada devido à queda na renda como resultado da expiração de patentes, e novas regulamentações que incentivem a prescrição de medicamentos genéricos.
 
Um exemplo é o fim da patente do Liptor e do Viagra em 2012, ambos da Pfizer, que representou uma perda de US$ 10 bilhões à empresa. “O faturamento da companhia com essas drogas era de US$ 20 bilhões em vendas, o que deixa claro que uma expiração como esta significa perdas astronômicas. Com isso, a indústria está experimentando o preço baixo”, conta o executivo.
 
Capone destaca também um prejuízo atrelado à intensificação da regulamentação governamental, que gera um aumento de pressão nos custos operacionais.  Esse efeito, em conjunto com o caso das patentes, ameaça fortemente as margens da indústria, segundo o VP, que aponta cortes em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) como uma das consequências.

“Está claro que se as farmacêuticas não encontrarem a melhoria de produtividade dos negócios,  irão cortar a área de pesquisa e essa atitude só vai afetar ainda mais o seu futuro. Esse cenário atinge diretamente o portfólio de novos medicamentos e, portanto, é algo a se evitar”.
 
Iniciativas pelo mundo
Diferentes ações são tomadas mundialmente, mas a grande mudança procurada é poder controlar  a unidade do produto  ao invés de lotes, que são grandiosos, o que torna difícil o controle da rastreabilidade e do custo ante um possível recall.  
 
A Argentina, por exemplo, está na primeira de três fases do cumprimento da regulação local que exige um número de série por caixa em cada medicamento, quando antes se tinha um código por lote, normalmente composto por mil produtos. Assim como o país sul-americano, a Turquia também tem avançado neste mesmo processo a fim de evitar a falsificação de remédios e o alto custo de recolhimento de produtos.
 
“Com um código por caixinha será possível por meio da tecnologia móvel saber onde está cada produto individualmente. A câmera do smartphone capta o número de série e, com a ajuda de um aplicativo específico, é possível saber se aquele produto é original ou não. E, ainda, a farmacêutica poderá identificar em qual drogaria, por exemplo, está o medicamento com determinado código ”, explica Capone ao citar um laboratório argentino como exemplo: “Temos uma empresa modelo que após pôr em prática a regulação já se beneficia desta tecnologia, que é desenvolvida em HTML5 e corre nas plataformas Android e Microsoft”.
 
Já na Califórnia, Estados Unidos, em 2008 foi aprovada a E-Pedigree Law, que entrará em vigor em 2015 e que torna obrigatória a criação de um registro de dados para ajudar a controlar o histórico de cada droga.

 Na Europa, a Federação de Associações e Indústrias Farmacêuticas (EFPIA) estabeleceu o conceito de “Point-of-Dispense (PoD) Verification” (Verificação no Ponto de Distribuição), que estabelece um quadro para a serialização e verificação de cada lote de medicamentos em pontos de distribuição. No caso da Alemanha, o Consórcio Farmacêutico planeja um programa-piloto que envolve atacadistas, fabricantes, distribuidores e farmácias, com data de lançamento no primeiro semestre de 2013.
 
“Globalmente, a International Medical Products Anti-Counterfeiting Taskforce-(IMPACT), criada em 2006, visa a aumentar a conscientização sobre medicamentos falsificados e promover a cooperação entre aqueles que lideram as iniciativas legislativas para combater este problema”, diz Capone.
 
Cenário brasileiro
No Brasil, assim como na Argentina e Turquia, existe a Lei 11.903/09, que prevê a obrigatoriedade de serialização de medicamento e sua total ratreabilidade. A diferença, segundo o executivo, é que as farmacêuticas só irão dar o primeiro passo quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornar o cumprimento da lei.
 
“Iniciar neste processo é muito custoso e por isso as empresas demoram a aceitar. Falta um incentivo do órgão regulador, é só dizer que é obrigado. Só assim a indústria brasileira se movimentará”, analisa.
 
Para Capone, em alguns anos a lei deverá ser replicada em toda América Latina. “Vale colocar que a iniciativa do governo ajuda, mas não elimina a falsificação”, conclui.
 
O que falta:
 
• Melhoria na cadeia de suprimentos
“A indústria farmacêutica está atrasada quando comparada a indústria de varejo. Essa é uma oportunidade de melhorar a sua margem de distribuição”
 
• Investir em soluções tecnológicas
“Sistemas eletrônicos prevaleceriam sobre sistemas físicos de rastreabilidade; a tecnologia RFID supera os  códigos de barras 2D; o protocolo de transmissão de dados XML prevalecerá sobre o método EDI; e os ad-ons ERP superariam  as soluções específicas de rastreabilidade, já que se integram naturalmente com sistemas corporativos já instalados”
 
Identificador Único de Medicamento no Brasil
Uma nova proposta foi encaminhada para consulta pública no início de abril com prazo de 30 dias. O parecer determina que a responsabilidade de zelar pela qualidade, pela segurança e pela eficácia dos medicamentos deve ser compartilhada entre todos os agentes que atuam na cadeia de produção, distribuição e consumo desses produtos.
 
O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, explica que “as empresas detentoras de registro junto à agência serão responsáveis por gerar e dispor em cada embalagem de medicamento um número chamado de Identificador Único de Medicamento (IUM), que é formado pelo número do registro do medicamento junto à Anvisa, contendo 13 dígitos, além do número serial, a data de validade e o número do lote”.
 
Fonte SaudeWeb

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