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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Terapia com células-tronco da placenta reduz progressão da fibrose hepática

Pesquisadores acreditam que benefício se deve a substâncias da placenta capazes de estimular a regeneração do fígado
 
Uma terapia à base de células-tronco da placenta humana reduziu em 50% o desenvolvimento de fibrose hepática em experimento feito com ratos.
 
Os pesquisadores acreditam que o benefício se deve a substâncias produzidas pelas células da membrana amniótica - parte interna da placenta - capazes de estimular a regeneração do fígado. O próximo passo é identificar e isolar essas moléculas, o que abriria caminho para o desenvolvimento de novos medicamentos.
 
A fibrose hepática é uma doença resultante de agressões sucessivas ao fígado, como aquelas causadas pelo consumo excessivo de álcool ou por hepatites virais, explicou Luciana Barros Sant' Anna, pesquisadora da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), onde a investigação está sendo conduzida com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
 
" Embora as células do fígado tenham enorme capacidade de se proliferar e de regenerar o órgão, elas acabam morrendo depois de inflamações recorrentes e são substituídas por colágeno" , explicou a pesquisadora.
 
A cirrose é o estágio terminal da doença e o único tratamento disponível nesse caso é o transplante de fígado. Mas essa opção não é viável para muitos pacientes e, por esse motivo, pesquisadores de todo o mundo buscam meios de impedir o agravamento do problema.

Metodologia
A metodologia desenvolvida pelo grupo da Univap, em parceria com o Centro di Ricerca E.Menni (CREM), na Itália, consiste em envolver o fígado dos ratos com a membrana amniótica humana ainda fresca, ou seja, menos de 48 horas após a coleta no hospital.
 
" Essa membrana faz parte da placenta e é a responsável pela produção do líquido amniótico durante a gestação. Normalmente, todo esse tecido é descartado após o parto" , disse Sant' Anna.
 
Após a assinatura de um termo de consentimento pelas gestantes, a membrana - que tem aproximadamente 20 por 30 centímetros de tamanho e entre 2 e 3 milímetros de espessura - foi coletada, destacada da placenta e levada para o laboratório, onde passou por lavagem com uma solução de antibióticos e antifúngicos.
 
Em seguida, o tecido foi fragmentado em pedaços de 6 por 9 centímetros, tamanho suficiente para envolver completamente o fígado de um rato.
 
Para induzir o surgimento de fibrose nos animais, os cientistas amarraram em dois pontos o ducto biliar, canal que liga o fígado ao duodeno e serve para o transporte de bile.
 
" Em muitos casos, a fibrose é causada pelo estreitamento do ducto biliar, que pode ser resultado de um problema congênito ou de um cálculo. Como a bile não consegue passar, a pressão no fígado aumenta e o órgão fica inflamado. O modelo animal usado no experimento simula essa situação" , explicou Sant' Anna.
 
Resultados
Quinze dias após a ligadura do ducto, os animais começaram a desenvolver a fibrose. Aos 28 dias, já apresentavam a doença em estágio avançado.
 
O experimento foi feito com um grupo de 40 ratos. Metade recebeu a membrana logo após a sutura do ducto biliar. Na outra metade, os cientistas apenas simularam a colocação do tecido, para que todas as cobaias fossem submetidas ao estresse da cirurgia.
 
" A membrana tem uma flexibilidade muito boa e adere facilmente ao fígado. A fixação foi auxiliada por uma cola específica" , disse a pesquisadora.
 
Após quatro semanas, metade dos animais de cada grupo foi sacrificada e teve o fígado retirado para análise. Na sexta semana após a colocação da membrana, a outra metade teve o órgão removido.
 
Os animais que receberam a membrana apresentaram 50% menos fibrose do que os membros do outro grupo. Ao comparar os animais em períodos diferentes, de quatro e de seis semanas, os cientistas verificaram que a terapia não impediu o surgimento da doença, mas reduziu a severidade e inibiu a progressão para o estágio de cirrose.

Com informações da Fapesp

 
Fonte isaude.net

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