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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Portugal: Diabéticos temem mais restrições

Os doentes com diabetes temem que o corte de 710 milhões de euros no orçamento do Ministério da Saúde para 2012 possa comprometer a prestação de cuidados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) e agravar a factura mensal, em alguns casos já bastante pesada, relativamente aos medicamentos que lhes permitem ter uma melhor qualidade de vida.

"Uma pessoa com diabetes precisa de acompanhamento médico permanente. Se a comparticipação diminuir ou se os medicamentos passarem a ser mais caros, vai haver um grande impacto na nossa vida. Estamos muito apreensivos", garante João Valente Nabais, de 43 anos, diabético há 30 anos e presidente eleito da Federação Internacional da Diabetes – Europa.

Sendo esta uma patologia crónica, cuja prevalência aumenta com a idade e pode potenciar o desenvolvimento de complicações, tais como hipertensão arterial, cegueira ou acidentes vasculares cerebrais, o seu impacto socioeconómico é significativo.

De acordo com o Relatório do Observatório Nacional da Diabetes de 2010, relativo ao ano de 2009, cada doente com diabetes custa ao Estado 1543 euros, o que equivale a uma despesa de 850 milhões de euros anuais. Para este montante contribuem os gastos com consultas de várias especialidades, exames, tratamentos, medicamentos e internamentos.

A verificar-se a contenção dos gastos nesta área, os doentes temem que "o País tenha de pagar essa factura no futuro, porque o grande peso da diabetes é o tratamento das complicações a ela associadas".

Para José Luís Medina, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, a solução poderá estar na aposta na "prevenção da doença e das suas complicações".

DISCURSO DIRECTO
"APARECEM 20 A 25 MIL NOVOS CASOS POR ANO": Luís Gardete Correia, Presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal

Correio da Manhã – A população portuguesa tem um bom conhecimento acerca desta doença ?
Luís Gardete Correia – Em Portugal há cerca de um milhão de pessoas com diabetes, das quais 350 a 400 mil desconhecem que têm a doença. Só quando vão a alguma consulta de rotina e o médico detecta um indicador é que tomam conhecimento do seu estado de saúde.

– O diagnóstico é feito numa fase tardia?
– Em média, o diagnóstico da diabetes do tipo 2, que representa 90 por cento dos casos de diabetes, demora entre quatro a cinco anos. No entanto, apesar de o doente não saber que tem diabetes, a doença está em evolução.

– Os dados mais recentes apontam para o aumento da incidência desta doença?
– Estima-se que anualmente apareçam entre 20 a 25 mil novos casos de diabetes do tipo 2 na população portuguesa. É um número preocupante.

Fonte Correio da Manhã

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