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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Como funciona a paralisia cerebral

Introdução a Como funciona a paralisia cerebral
Ao ouvir a expressão paralisia cerebral (PC), talvez você imagine uma pessoa fisicamente incapacitada. Se você já viu alguém com PC, é provável que ela estivesse usando bengala, suspensórios, andador ou cadeira de rodas para se locomover. Mas é possível que existam mais pessoas que você conhece com paralisia cerebral - você só não sabe disso porque elas foram pouco afetadas. Para você, parecem "normais", mas talvez já tenha notado que são bastante descoordenadas ou que, às vezes, elas andam na ponta dos dedos. A imagem de uma pessoa em uma cadeira de rodas é apenas um dos muitos mitos que cercam o grupo dos distúrbios conhecidos como paralisia cerebral.

A paralisia cerebral não é uma doença, mas sim um termo para várias condições ou diferentes distúrbios relacionados que causam problemas com movimentos. "Cerebral" refere-se à parte do cérebro que se pensava ser a afetada: os hemisférios cerebrais (embora hoje saibamos que também afeta outras partes desse órgão). "Paralisia" faz referência aos tremores involuntários, rigidez, falta de sensação e paralisia de partes do corpo. A paralisia cerebral não é contagiosa e nem piora com o passar do tempo, embora alguns sintomas possam levar a problemas secundários.

As pessoas com paralisia cerebral apresentam uma lesão no cérebro que ocorreu durante a gestação, o parto ou logo após o nascimento. A lesão é irreversível, motivo pelo qual a paralisia cerebral pode ser tratada e controlada, mas não curada. Cerca de 8 mil crianças nascem com paralisia anualmente, e, atualmente, há mais de 750 mil crianças e adultos nos Estados Unidos que sofrem de PC [fonte: Associações Unidas de Paralisia Cerebral (em inglês)].

Vamos começar analisando as muitas causas possíveis da paralisia cerebral.

Causas da paralisia cerebral
A paralisia cerebral ocorre quando o cérebro da criança sofre uma lesão e fica permanentemente prejudicado. Cerca de 70% a 80% das vezes, essa lesão acontece durante a gestação. As complicações no parto são responsáveis por 5% a 10% de todos os casos de paralisia cerebral, sendo que a origem dos demais diagnósticos é a lesão que ocorre até os 2 ou 3 anos de idade [fonte: Wu (em inglês)]. Não há como saber exatamente o que provocou um caso específico, mas os pesquisadores sabem de várias condições que causam um impacto no fluxo sanguíneo e, assim, no fluxo de oxigênio ao cérebro do bebê provocando a lesão cerebral específica à PC. Começaremos analisando as causas da paralisia cerebral que ocorrem durante a gestação.

Às vezes, a paralisia cerebral acontece quando o cérebro do bebê simplesmente não se desenvolve corretamente devido a um distúrbio genético ou outro problema no útero. Entretanto, doenças, infecções ou outros problemas que a mãe apresenta podem ser um fator. As gestantes que sofrem de diabetes e epilepsia têm um risco mais elevado de darem à luz a um bebê com paralisia cerebral. O mesmo acontece com as mães que adquirem infecções como rubéola, toxoplasmose (um parasita), infecções renais ou herpes. O consumo de álcool, fumo e alguns medicamentos, durante a gestação, também pode causar lesão no cérebro que leva à PC.
 
Além disso, existem alguns problemas específicos à gravidez que podem ocasionar a paralisia. Pré-eclampsia, um distúrbio que provoca pressão alta, pode afetar o fluxo de sangue no cordão umbilical e na placenta e impedir que o feto receba oxigênio. O mesmo acontece com outros problemas na placenta, como descolamento, em que ela se separa da parede uterina. Incompatibilidade de fator Rh, que ocorre quando o tipo sanguíneo da mãe é positivo e o do bebê negativo (ou vice-versa), pode fazer com que o bebê fique com icterícia ao nascer. Bebês com icterícia (em inglês) severa que não recebem o tratamento adequado estão suscetíveis a um tipo específico de lesão cerebral chamado kernicterus.

As lesões ao nascimento também respondem por alguns casos. Se o parto é prolongado e o bebê fica "preso" no canal vaginal, ou se há a necessidade de uma cesariana de emergência, os bebês apresentam um risco mais alto de lesão no cérebro, que pode levar à paralisia cerebral. O mesmo acontece com a apresentação pélvica, o cordão deslocado (quando o cordão umbilical fica sob o bebê no canal vaginal) ou com a utilização de fórceps.

Cerca da metade das crianças com paralisia cerebral nasceu de parto prematuro (menos de 37 semanas) e com peso inferior a 1,5 kg. Esses bebês são suscetíveis a várias complicações e infecções que podem causar paralisia cerebral. Uma delas é a hemorragia intraventricular (HIV) - ou sangramento no cérebro - que ser for grave o suficiente para causar inchaço, a pressão no cérebro pode levar a lesões. Bebês prematuros também podem ter lesões cerebrais devido a problemas respiratórios - que impedem que o cérebro receba quantidade suficiente de oxigênio - e à baixa circulação sanguínea em geral.

Mas não são só os bebês que correm risco. Crianças maiores também podem ter paralisia cerebral se:
•houver uma lesão física na cabeça, como batê-la depois de uma queda de bicicleta;
 
•se afogarem ou se engasgarem com brinquedos ou alimentos (que pode interromper o suprimento de oxigênio do cérebro);
 
•forem vítimas de uma forma de violência infantil conhecida como síndrome do bebê sacudido;
 
•houver infecções cerebrais graves como meningite.

A seguir, veremos os quatro principais tipos de paralisia cerebral.

Tipos de paralisia cerebral
Geralmente, a paralisia cerebral é diagnosticada quando a criança está com 2 ou 3 anos de idade. Os médicos realizam um exame físico detalhado e observam certos sinais. Por exemplo, algumas crianças apresentam músculos muito fracos, extremamente tensos ou rígidos. Além disso, podem ter reflexos exagerados ou deficientes, má postura e dificuldade de equilíbrio. As crianças com PC podem arrastar uma perna ao engatinhar ou andar, caminhar na ponta dos dedos ou "cruzar" as pernas (na altura do joelho) ao andar ou levantar.

Após o diagnóstico inicial, o médico geralmente recomenda um exame do cérebro por imagem - ressonância magnética, tomografia computadorizada ou ultrassom. Ele pode mostrar a causa, assim como o tipo e a gravidade, mas muitas crianças com paralisia cerebral moderada apresentam exames normais, pois a área do cérebro afetada provavelmente é muito pequena para ser detectada.

Existem três tipos básicos de paralisia cerebral: espástica, atetóide/discinética e atáxica. Esses tipos diferenciam-se pelos sintomas, que geralmente refletem a região do cérebro que sofreu a lesão. A maioria das pessoas (cerca de 70% a 80%) com PC apresenta o tipo espástica. Isso significa que a lesão cerebral está no córtex motor ou no trato corticoespinhal (o conjunto de fibras nervosas entre o córtex cerebral e a medula espinhal).

As pessoas com paralisia cerebral espástica têm problemas de mobilidade devido à rigidez da musculatura, que também pode se contrair involuntariamente. Há três subtipos de PC espástica:

•Tetraplegia - os quatro membros e o corpo inteiro são afetados. Algumas crianças com esse subtipo também apresentam convulsões e tremores e geralmente não conseguem andar nem falar. Essa é a forma mais severa de PC, deixando muitas crianças intelectualmente incapacitadas.

•Hemiplegia - um lado do corpo é afetado. Se for o lado direito, isso normalmente significa que o cérebro sofreu a lesão no lado esquerdo. As pessoas com esse tipo de paralisia precisam de suspensórios. Além disso, os membros do lado afetado podem não se desenvolver na mesma velocidade que os membros não afetados. Geralmente, elas conseguem andar.

•Diplegia - a parte inferior do corpo é afetada, e a pessoa pode andar "cruzando" as pernas e na ponta dos dedos. Muitas pessoas com esse subtipo têm estrabismo e geralmente deficiência visual.

O segundo tipo mais comum de paralisia cerebral é atetóide/discinética. A pessoa com atetose apresenta movimentos lentos, retorcidos e involuntários, especialmente nos braços, enquanto a discinesia significa que esses movimentos podem ser repetitivos, praticamente como um tique. Os portadores dessa forma de PC têm tônus muscular variado. Algumas vezes, seus músculos são tensos e rígidos; em outras, são frouxos e moles. A paralisia cerebral atetóide/discinética é resultado da lesão que ocorre em uma dessas áreas do cérebro ou mais: nos gânglios basais, no trato corticoespinhal e no córtex motor. Os portadores da atetóide/discinética podem ter dificuldade para andar, falar, comer, sentar eretas e realizar atividades motoras básicas.

A PC atáxica é o diagnóstico menos comum (cerca de 5% a 10% de todos os casos) e é consequência de lesão no cerebelo. As pessoas com esse tipo de paralisia cerebral apresentam baixo tônus muscular e dificuldade para coordenar seus músculos para realizar atividades motoras finas, como escrever. Além disso, elas geralmente têm dificuldade para se equilibrar enquanto caminham e andam com os pés bem afastados um do outro. Um tipo específico de tremor conhecido como tremor intencional é comum nesse tipo de PC. Isso significa que um movimento voluntário, como pegar um objeto, produz um tremor no braço que piora à medida que a mão chega perto do tal objeto.

As pessoas com PC que apresentam sintomas de um desses três tipos ou mais sofrem de paralisia cerebral mista.

A paralisia não tem cura, mas existem muitos tratamentos e terapias diferentes que ajudam a controlar os sintomas. Falaremos deles a seguir.

Tratamento para a paralisia cerebral
Uma vez que o médico diagnostica uma criança com paralisia cerebral, ele discute com os pais uma opção de tratamento. A intervenção precoce permite que a criança tenha mais chance de aprender a lidar com suas deficiências e encontrar formas alternativas para realizar tarefas que possam ser desafiadoras.

Mesmo quando o diagnóstico da PC é feito quando a criança ainda é um bebê, ela é submetida à fisioterapia o quanto antes para fortalecer seus músculos. Algumas pessoas com paralisia cerebral sofrem de contraturas musculares, que ocorrem quando os músculos se contraem devido à espasticidade. Alongá-los pode evitar que isso aconteça. E também aumenta as chances da criança de poder sentar, andar e realizar outras atividades físicas com o máximo de eficiência. Muitas pessoas com PC também recebem massagens e aprendem posições de ioga que ajudem a alongar os músculos e mantê-los flexíveis.

Outras terapias também podem ser úteis, dependendo do tipo de PC específica da criança. Por exemplo, crianças com o tipo atetóide/discinética normalmente têm dificuldade para respirar, falar e comer; então, o tratamento com um patologista de fala/linguagem pode ajudá-las a fortalecer os músculos faciais e falar claramente. Algumas crianças com paralisia cerebral utilizam métodos alternativos de comunicação, como o Blissymbols, um sistema de escrita ideográfica, ou sintetizadores de voz computadorizados. A terapia ocupacional pode ajudá-las com as tarefas básicas, como tomar banho e comer sozinhas.

Existem alguns medicamentos que as pessoas com paralisia cerebral tomam para diminuir a espasticidade e limitar os tremores, como o relaxante muscular Benzodiazepina, mas eles nem sempre são eficazes e podem provocar efeitos colaterais indesejados. Recentemente, os médicos começaram a usar injeções de Botox nos músculos tensos para relaxá-los. Em algumas crianças com PC severamente espástica, são implantadas bombas no abdômen, através de cirurgia, que enviam ininterruptamente um fluxo de medicamento antiespasmódico chamado Baclofen.

As crianças com paralisia cerebral espástica, às vezes, precisam ser submetidas à cirurgia para afrouxar os músculos e articulações tensas. Com o tempo, os músculos espásticos também podem causam deformidades nos ossos, que necessitarão de cirurgia. Por exemplo, em alguns casos, a tíbia fica deformada, o que pode dificultar ainda mais a caminhada. Um cirurgião pode cortar o osso e realinhá-lo. Algumas pessoas com espasticidade grave acabam se submetendo a uma cirurgia que envolve a identificação e o corte das fibras nervosas, chamada de rizotomia dorsal seletiva, que pode melhorar sua mobilidade. Normalmente, é o último recurso.

Existem também terapias alternativas disponíveis para os portadores de PC. O biofeedback envolve o registro das funções do corpo de um paciente, incluindo tensão muscular, e a transferência dessas informações para o paciente. A ideia é que eles conseguem controlar algumas dessas funções inconscientemente, já que estão cientes delas, apesar de sua efetividade não ter sido comprovada em pacientes com PC.

A terapia com sangue de cordão umbilical foi cogitada como uma possível cura para a paralisia cerebral, mas ainda não foram feitos testes científicos que provassem sua efetividade. Entretanto, a possibilidade deu um salto quando a família de Dallas Huxtell, uma criança de 2 anos, apareceu no Today Show (programa da TV americana), em março de 2008. Os pais afirmaram que o tratamento de Dallas com suas próprias células-tronco reverteu os sintomas de sua paralisia cerebral. Antes do tratamento, o menino tinha pouco tônus muscular, habilidades motoras deficientes e atraso no desenvolvimento. Hoje, seus médicos afirmam que é possível que, por volta dos 7 anos de idade, ele não apresente mais nenhum sintoma da paralisia cerebral. Esse é apenas um caso, mas já deu esperanças aos portadores de PC.

Fontes (em inglês)

•Bacharach, Steven J. "Cerebral Palsy". Fundação Nemours, março de 2006. http://kidshealth.org/parent/medical/brain/cerebral_palsy.html
•Burgstahler, Sheryl. "The Thread: Stereotypes". Disabilities, Opportunities, Internetworking & Technology, Universidade de Washington. 18 de setembro de 2006. http://www.washington.edu/doit/Newsletters/Sep06/17.html
•"Cerebral Palsy". March of Dimes, 2008. http://www.marchofdimes.com/professionals/14332_1208.asp
•"Cerebral Palsy". Mayo Clinic.com, 14 de novembro de 2006. http://www.mayoclinic.com/print/cerebral-palsy/DS00302
•"Cerebral Palsy". MedlinePlus, 19 de setembro de 2008. http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/cerebralpalsy.html
•Considine, Bob. "Amazing Recovery Attributed to Cord Blood". TodayShow.com. 11 de março de 2008.
•Miller, Bachrach, et al. "Cerebral Palsy: A Guide for Care". Instituto Alfred I. Dupont. 2006.
•Origins of Cerebral Palsy.
• Perlman, Jeffrey M. "Intrapartum Hypoxic-Ischemic Cerebral Injury and Subsequent Cerebral Palsy: Medicolegal Issues". Pediatria: Revista Oficial da Academia Americana de Pediatria. Volume 99, N.º 6. Junho de 1997.
•Rouse, D.J, et al. "A Randomized, Controlled Trial of Magnesium Sulfate for the Prevention of Cerebral Palsy". Revista de Medicina da Nova Inglaterra. Volume 359, N.º 9. 28 de agosto de 2008.
•Associações Unidas de Paralisia Cerebral.
•Wu, Yvonne W. "Chorioamninitis as a Risk Factor for Cerebral Palsy". Revista da Associação Médica Americana, Volume 284, N.º 11, 20 de setembro de 2000. http://jama.ama-assn.org/cgi/content/full/284/11/1417

Por HowStuffWorks

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