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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Mamografia no SUS cresce, mas ainda está na metade da meta para 2014

O número de mamografias realizadas por mulheres de 50 a 69 anos na rede pública cresceu 41% entre o primeiro semestre de 2012 e o mesmo período de 2010.
 
Para atingir a meta estabelecida para 2014, no entanto, será preciso praticamente dobrar o número desses exames realizados no espaço de tempo de dois anos.
 
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde, nesta segunda-feira, mostram que pouco mais de 1 milhão de exames foram realizados nos seis primeiros meses de 2012 em mulheres de 50 a 69 anos --faixa tida como prioritária, em que a mamografia é indicada de forma universal.
 
No primeiro semestre de 2010, foram 726,9 mil na faixa. A meta é realizar 3,8 milhões de mamografias na faixa prioritária em todo o ano de 2014.
 
O ministro Alexandre Padilha (Saúde) citou a disparidade regional de acesso ao exame como um dos gargalos a serem superados na área.
 
Enquanto o Estado de São Paulo registrou 306,6 mil exames na faixa 50 a 69 anos entre janeiro e junho de 2012, a proporção de mamografias registradas foi consideravelmente mais baixa em Estados como Acre (1.346) e Roraima (1.156). O Amapá aparece com 11 exames no período --dado a que o Ministério da Saúde atribui uma possível falha de registro.
 
Exames móveis
Nesta segunda, durante evento para marcar o "outubro rosa", mês em que se discute o diagnóstico precoce do câncer de mama no mundo, o ministério divulgou um novo programa com o objetivo de aumentar a cobertura da mamografia.
 
O "Programa de Mamografia Móvel" pretende nacionalizar projetos piloto já desenvolvidos por Estados como Bahia e Rio de Janeiro, em que a proposta é fazer circular os exames de mamografia pelo território com menos acesso aos serviços de saúde.
 
Segundo o ministro Padilha, este mês será aberto um cadastro para que entidades públicas, filantrópicas e privadas se cadastrem para receber os recursos. O ministro disse que o modelo de mobilidade pode variar a depender do projeto e da situação local.
 
Também foram lançadas as campanhas para a detecção precoce do câncer de mama, uma do governo federal e uma da Fenama, federação que reúne 57 entidades em apoio à saúde da mama.
 
Diagnóstico tardio
No evento, a presidente da Fenama, Maira Caleffi, apresentou dados que demonstram a demora no diagnóstico desse tipo de câncer, que vitima 12 mil mulheres por ano ou 33 por dia, segundo a médica.
 
De acordo cfom Caleffi, apenas 20% das mulheres são diagnosticadas nos dois primeiros estágios da doença, que oferecem chance de cura de 95%.
 
Além dessa lacuna, diz ela, há ainda a demora para o início do tratamento na rede pública. "Entre a primeira consulta e a primeira cirurgia ou a primeiro quimioterapia, passam-se 180 dias. É inaceitável."
 
Segundo Caleffi, esse período não deveria passar de 30 dias. "A ANS [Agência Nacional de Saúde Suplementar] determinou 21 dias para os planos. Temos dois tipos de cidadãs?"
 
A médica comparou a atual taxa de mortalidade da doença no Brasil com o que se via nos Estados Unidos e no Reino Unido há cerca de 30 anos.

Fonte Folhaonline

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